segunda-feira, dezembro 31, 2007

2007 -------------> 2008

Não gosto de fazer balanços de final de ano. Suponho que tenha a ver com o facto de nunca ser um balanço positivo. No ano passado escrevi: "Mas 2007 correrá melhor, com certeza. Primeiro, porque é difícil ser pior. Segundo, porque tenho a certeza que será melhor." Acho que o pior é que não posso dizer que foi melhor nem pior. E não estou a dizer que não se pode comparar anos. Não, nada disso. Digo-o porque não se pode comparar duas coisas tão iguais. É claro que houve aspectos em que 2007 foi melhor que 2006 mas, mesmo nesses aspectos, houve coisas piores. (...)

Deu-me de repente uma vontade de ir ler os post mais pessoais que fiz ao longo deste ano. Ia falar sobre o eu não gostar nada de passagens de ano citando um dos últimos posts do Pedro Mexia mas deu-me para outro lado. O que resta do post é sobre isso:

Estive agora a ler alguns dos post mais pessoais que fiz no blog para me lembrar de alguns dos meus dias deste longo ano e decidi que deveria atribuir o prémio melhor post ao post "Lua". Por várias razões. Para começar, as palavras nele contidas estão tão actuais quanto no dia em que as escrevi. Depois, porque teve bastantes comentários. Inclusive, positivos. E, ainda que se fosse hoje mudaria algumas coisas no português, exprimi exactamente aquilo que queria. A frase a reter é "Por fim, não depende de si para estar preenchida." Lembro-me de ter dado algumas voltas à cabeça para encontrar a melhor forma de exprimir esta nossa dependência. Queria que uma pessoa que estivesse a ler o texto sem atenção não desse por esta frase. Por outro lado, queria que ficasse bem clara e expressar a sua importância, daí estar no final do texto, também.

É com este post que fecho 2007. Até para o ano.


Segunda, dia 31 de Dezembro, 13.20: Estive a reler mais dois posts antigos (de Julho), gostaria de destacar o post em que falo da minha mudança mas, principalmente, o post em que falo sobre a morte de um Pombo e como isso se espalha(va) na minha vida. Em primeiro lugar, juntamente com o da Lua. Leiam ou releiam estes post que, não só me parecem dos melhores que fiz, mas também os que me deram mais prazer. E aqueles que fiz sem pensar, apenas por necessidade de desabafar sem ouvir aquelas respostas directas típicas.

domingo, dezembro 30, 2007

Hoje é bom

No one I ever knew or have spoken to
resembles you
This is good or bad
all depending on my general mood

Morrissey - I Like You

sábado, dezembro 29, 2007

Melhor single de 2007

Este ano, o único 'melhor' que vou escolher é o melhor single. Os outros prémios, melhor álbum, melhor música (diferente de melhor single), prémio revelação, desilusão, etc do ano, vão ficar para os primeiros dias de 2008.

Há 4 singles que me vêem logo à cabeça quando penso nos melhores de 2007, são eles All My Friends dos LCD Soundsystem, Stronger do Kanye West, Heimdalsgate Like a Promethean Curse dos of Montreal e, a que vou escolher pôr o vídeo, You Don't Know What Love Is (You Just Do As You're Told) dos White Stripes. É uma escolha polémica, eu sei. Eu próprio vou-me arrepender daqui a nada mas como nunca falei dos White Stripes e muito menos do Icky Thump, que nos seus melhores momentos é um álbum de top, achei que mereciam esta distinção. Não tenho dúvidas que é um grande single, atenção. Mas, claro, qualquer um dos outros três é melhor. Ainda assim, os álbuns dos LCD Soundsystem e dos of Montreal vão receber, aqui no blog, as merecidas distinções e sobre a música Stronger (e a Can't Tell Me Nothin') do Kanye West já falei há tempos. Por todas estas razões, tomem lá:

Agora que já me justifiquei podem mandar as pedras. Mas, já agora, não se esqueçam de mandar pedras ao post anterior também.

Começa por M, acaba em i e no meio tem as letras assimo dut

Ontem fui aos saldos, "para aproveitar que ainda há coisas para escolher". Das várias lojas em que entrei só gostei de duas camisas e um blusão. Sou esquisito até em roupa, o que é que querem. Não havia o meu número em nenhum dos casos. Até em roupa tenho azar, já viram? Mas o mais interessante foi em relação ao blusão que vi na loja do título, nome que não me atrevo a prenunciar por pura vergonha. Na loja da Guerra Junqueiro, depois de consultar o computador, disseram que só havia o meu número nas Amoreiras. Na loja da Avenida de Roma, depois de consultar o computador, disseram que daqueles blusões só tinham sido feitos a partir do 50 (eu queria o 48). Hoje, fui às Amoreiras e estava a empregada a dizer a uma senhora que na época de saldos não conseguem saber o stock das outras lojas. Só sabem contradizer quem tem razão. Sendo assim, já não tenho vergonha de prenunciar o nome da loja onde comprei o meu novo blusão de fazenda, é a Massimo Duti. O meu pai diz que é casaco de velho, suponho que por ser de fazenda. Ao que eu respondi: “Condiz com os óculos.” “Olha, pois é.” Quando tiver 70 anos vou andar de cap, como vocês jovens agora dizem. Para não parecer cota.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Projectos de vida

Por esta ordem:

1- Ser dono de uma livraria. Mas deseganem-se aqueles que pensam que eu percebo alguma coisa de literatura ou que leio muito. Suponho que é essas são as razões pelas quais gostaria de ter uma livraria. Ter tempo para ler e instruir-me é algo que me atrai. Seria do tipo da que aparece retratada na genial série britânica Black Books. Tinha de ter aquele ar britânico e antigo.


2- Ser dono de uma loja de cd's e discos em vinil para fazer concorrencia à Carbono. Mas menos underground. Um pouco como a do Rob Gordon (John Cusack) no filme High Fidelity. Ainda que ele não esteja a fazer concorrência à carbono. Acho eu. Na foto ele está em casa, a mostrar a sua bela colecção de vinis, outra coisa que não me importava nada de ter.


3- Ser dono de um café com música ao vivo. Tipo Sin-é.


Alguém quer fazer uma parceria em algum dos projectos?


PS: E estou a estudar Biologia.
PS2: Já aprendi a justificar o texto. Há uns meses que achava que essa opção tinha desaparecido. Já posso voltar às dissertações sobre a minha vida. Estou a gozar, claro. Isso queriam vocês, seus bisbilhoteiros.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Cherry Peel - Um hino à inocência

In dreams I dance with you
We dance the best in the kitchen
While murderers and rapists surround the house
We don't care, because our house is made of feathers
They wouldn't dare

In dreams I dance with you
Though our bodies are made out of wood


of Montreal - In Dreams I Dance with You

Para a anónima que gosta de anunciar o seu aniversário mas não quer que lhe dêem os parabéns e, quase que aposto, não gosta que lhe cantem os parabéns

sing me Happy Birthday
sing it like it's going to be your last day
like its hallelujah
don't just let it pass on through ya
it's a giant among cliches
and that's why I want you to sing it anyway
sing me Happy Birthday
'cause hell what's it all about anyway


Andrew Bird - The Happy Birthday Song

:)

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Natal - Parte III - As Prendas

Recebi muitas pequenas coisas, das quais faz sentido destacar aqui:

E um marcador de livros daqueles que se compram com o nome, mas que também tinha uma designação. O nome Tiago vinha com Vitorioso. O nome Bernardo, vinha com Corajoso. O meu dizia:
Francisco
Homem Livre

O suficiente para nos deixar a sorrir por vários dias.

Natal - Parte II - As Viagens

Para começar, desejar que o vosso natal tenha sido bom. E agora, o primeiro de ainda-não-sei-quantos posts sobre o natal:

Em duas noites de lua cheia, as viagens de ida e volta foram acompanhadas pelo ex-Pulp, Richard Hawley. Ainda que já tivesse ouvido um bocadinho antes, só nos dias que antecederam a partida é que fiquei com verdadeira curiosidade de ouvir o álbum. Isto por recomendação de duas pessoas-referência diferentes. Primeiro, por uma compilação feita por uma amiga que incluía a Lady Solitude e que me fez perceber que a voz deste senhor merece atenção. E a segunda, pelo meu irmão, que no dia da partida me disse "se gostas de Jens Lekman deves gostar disto. Deves conhecer esta." e pôs a Tonight The Streets Are Ours. Reconheci, e pela primeira vez, fez sentido. Segui-se a Lady Solitude que eu rapidamente reconheci como estando na belíssima compilação acima referida. O álbum é bastante bom mas seria muito melhor se a qualidade que se pode encontrar nestas duas músicas, e também na Valentine, na Serious e na I'm Looking for Someone to Find Me, fosse reproduzido em outras tantas músicas. Mas infelizmente, ainda que mais constante, o Jens Lekman nunca terá esta voz:

sábado, dezembro 22, 2007

Natal

Hoje parto para as Mouriscas, a terra dos meus avós maternos. Perto de Abrantes. Se há altura que sinto que tenho uma sorte imensa é esta. Para começar, reune-se a família toda na casa da minha avó. Somos 8 netos, sendo eu, o segundo mais velho. É portanto uma alegria. Para além disso, na noite de natal reunimo-nos com as duas irmãs do meu avô e as suas respectivas famílias, formando assim uma grande família. O local é à vez, um ano em casa da minha avó, o outro na casa de uma das irmãs do meu avô, o outro na outra casa. E assim sucessivamente. As noites são passadas à lareira, mas isso acho que nem era preciso dizer. E nos dias que antecedem o natal vamos há horta do meu avô apanhar laranjas ou assim.

Aqui estou eu em pequeno a brincar com uma enchada debaixo de uma laranjeira. A foto já é antiga e está em más condições mas dá para ver que estou com uma camisola natalícia e uma boina do campo. Como diziam os Zombies:

«Sometimes I think I'll never find
Such purity and peace of mind again
»

Fiquem agora, tal como o ano passado, com este What's this? retirado do filme The Nightmare Before Christmas.


E já agora com Little Saint Nick dos Beach Boys.


E pronto, era isto. Quis apenas partilhar um pouco do meu espírito natalício com vocês.

Bom Natal para todos.

António Lobo Antunes

Primeiro que tudo, dizer que nunca li um livro dele. Acho que me interessa mais a pessoa que a obra. Não me parece que se lesse um dos seus livros ia gostar mas no entanto acho que fala da sua vida de uma forma interessantíssima. Lembrei-me de falar dele porque hoje à noite ele deu uma entrevista fantástica no noticiário das 21h da Sic Notícias, com o Mário Crespo. O Mário Crespo é, já de si, um grande entrevistador. Não faz as perguntas mais óbvias e, mesmo se as fizer, são feitas de uma forma aberta, que permite ao entrevistador falar sobre o assunto e, ao mesmo tempo, que não possa fugir à pergunta de uma forma rápida. Falou-se pouco sobre o último livro e muito de coisas pessoais.

Mas esta não é a primeira vez que fico fascinado com uma entrevista do ALA. Há tempos ele deu uma entrevista à revista Visão (revista em que ele é colaborador, mas já lá iremos), aquando do lançamento deste mesmo último livro: O Meu Nome é Legião. Mas não se ficaram por aí, sendo aquela a primeira entrevista que dava desde que tinha tido o cancro, esse acabou por ser um dos principais temas. A angústia sentida no hospital, as mudanças que aquela experiência provocou e o reaprender a escrever, por exemplo. Devo confessar que aquela entrevista me impressionou bastante, principalmente porque tinha lido, em Abril, a fabulosa crónica que ele escreveu na revista sobre o que estava a passar no hospital. Esse, aliás, foi certamente o texto que mais me impressionou e mais me comoveu em toda a minha vida. Aqui fica um pequeno excerto desse mesmo texto que encontrei na Wikipédia:

«(...) Este mês deram-me um prémio literário. (...) e sem que eles sonhassem (sonhava eu) o cancro ratando, ratando, injusto, teimoso, cego.»
António Lobo Antunes in Revista Visão de 12 de Abril de 2007

Para além destes meus 3 encontros com ALA, tenho ainda de referir que foi graças a ele que descobri as últimas linhas dos 11 Outlined Epitaphs do Bob Dylan (que aliás já postei aqui). Está no prefácio de um dos seus livros. E como nunca é demais referir:

«Lonely? ah yes
but it is the flowers and the mirrors
of flowers that now meet my
loneliness
and mine shall be a strong loneliness
dissolving deep
to the depths of my freedom
and that, then, shall
remain my song
»

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Vinis

Hoje tive na Carbono e, em princípio, esta será a prenda que o meu irmão vai receber no natal. O primeiro álbum dos Mutantes, banda brasileira de pop-psicalécico dos anos 60 e 70, para quem não sabe. Infelizmente, nunca ouvi o álbum mas dizem que é muito bom. Sei que o meu irmão gosta e sempre é uma coisa diferente. Para mim gostava imenso de comprar o Family Tree do Nick Drake. Aquilo tem mesmo bom aspecto, o problema é que são 35 euros.

Morrissey

Numa entrevista dada à BBC 2, sobre ter sido votado pelo público como sendo um dos 3 icones britanicos ainda vivos (juntamente com David Attenborough e Sir Paul McCartney), quando questionado sobre as pessoas irem ter com ele e dizer-lhe I love you e you're my hero,etc. Steven Patrick Morrissey, responde:

Yes, it’s very true. And it’s fascinating because it implies you are part of their life forever. And even if they go off you eventually, you’ll always stay in their hearts somewhere because it’s almost as if we’ve been through a certain period of time together that is unforgettable.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

2006

Hoje saí às 7.30 de casa. A chuva não dava descanso a ninguém, nem mesmo às pessoas que iam de guarda-chuva (que não era o meu caso). Ainda assim, a escolha do CD que levaria no meu discman (sim, eu sou um fiel possuidor de uma destas raridades) revelou-se perfeita. Possivelmente, um dos álbuns mais adequados a um dia de sol no Outono que conheço (sendo que o melhor é o In the Aeroplane Over the Sea dos Neutral Milk Hotel). E talvez por isso, acabou por me transportar para uma outra realidade (aliás, o nome do álbum é Let's Get Out of This Country) e, consequentemente, ajudar a ultrapassar o facto de os ténis estarem a ficar mais molhados a cada passada. Isto tudo para dizer que este álbum só não consta na minha lista de melhores álbuns de 2006 porque ainda não o conhecia. Provavelmente era o dos Sparklehorse que saía. Aqui fica um cheirinho de uma das letras (uma parte que eu adoro e que, às vezes, acho que podia ser dirigida a mim):

You can’t see that you’re just the same
As all the stupid people you hate
I’m not saying I’m free from blame
Because I need all the friends I can get

terça-feira, dezembro 18, 2007

King Creosote - Bombshell

Não é um álbum fantástico nem um dos melhores álbuns do ano, mas a verdade é que ninguém o conhece e isso é uma injustiça do caraças. Nem sequer teve direito a crítica no Pitchfork nem nada. (Era uma 'piada', não era pretensiosismo. E dizer piadas sem piada não é ser pretensioso, é só ser parvo. O que não é necessariamente melhor.) Para além de ser um bom álbum tem uma das melhores músicas de abertura de um álbum este ano, se não a melhor. A música chama-se Leslie e a parte instrumental é apenas um acordeão. A letra pode ser encontrada, pelo menos até há pouco tempo, apenas no site SongMeanings uploadada por este que vos escreve.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

O melhor de 2007

Na lista que divulgarei aqui no blog nos próximos dias este vai constar como o melhor álbum de 2007. É quase épico, caraças.

E se tivesse essa categoria, de pior capa. Que ainda por cima tem a ver com a pior música do álbum, Shirin.

Fiquem com um aperitivo do que é o álbum, ainda que aqui a música The Opposite Of Hallelujah apareça despida de orquestrações:



Não conheço muitos cantores que escrevam letras assim tão boas. E o rapaz é sueco.

Nada

O post foi apagado por ser demasiado pessoal e o autor se ter arrependido.

domingo, dezembro 16, 2007

O sentido é uma construção cultural

Pessoa 1: Ouviram?
Pessoa 2: Será uma cadeira velha a ranger?
Pessoa 3: Será um osso a estalar?
Pessoa 4: Não! É um traque do Thom Yorke!
Todos: Yeah!

sábado, dezembro 15, 2007

Esta Noite

Afinal


Parece que afinal fui ver o filme. Mas não fui eu que tomei a iniciativa, lá está.

Sobre o filme, dizer que gostei imenso de tudo. Desde ser muito parado até à banda sonora, que incluí David Bowie e Velvet Underground, entre outros, passando pela interpretação do Sam Riley (o serem parecidos, ainda que o Ian Curtis tenha uma cara de pessoa mais afável e calma, não é esencial, mas ajuda). Só não gostei de uma coisa: é demasiado parcial. Nota-se perfeitamente que foi baseado na biografia da mulher dele. Dei por mim, a meio do filme, e fiquei no final, um pouco desiludido com o Ian Curtis enquanto pessoa. Mas suponho que haja ali cenas que são inventadas e dou o benefício da dúvida ao rapaz. A verdade é que saí da sala de cinema com vontade de aprofundar o meu não muito vasto conhecimento do Unknown Plesures, do Closer (que é o que conheço melhor) e do Substance.

Acho que o mais interessante é perceber o que o levou a escrever as letras que todos nós conhecemos e admiramos. As histórias por de trás das letras. Ainda que fique sempre aquela sensação de que é abuso de privacidade. E é. Um bocado. Epá, é. É, não é?

Aliás, o mais interessante é perceber que ele era uma pessoa como outra qualquer. Com um emprego como funcionário público e tudo. Se não é o mais interessante é, com certeza, o facto mais desconcertante.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Cinema

Filmes que estão no cinema e eu quero ver mas que, como é meu costume, vão passar sem os ir ver:



quarta-feira, dezembro 12, 2007

Recordar Elliott Smith

Don't you dare disturb me
While I'm balancing my past
Because you can't help or hurt me
Like it already has


Elliott Smith - Bled White

terça-feira, dezembro 11, 2007

Descubra as diferenças

The Smiths - The Headmasters Ritual [Live @ Madrid]


(Se preferirem a versão playback para TV está aqui)

Radiohead - The Headmasters Ritual [Webcast]


Edit: Curse of Millhaven, se gostares de Morrissey não chega para te decideres a conhecer bem os Smiths que tal serem uma influência de Radiohead? ;)

domingo, dezembro 09, 2007

Especial fim- de-semana: The Magnetic Fields Parte II - Domingo - Versão 2

Dizia eu que não havia nenhuma música em especial mas afinal há. E, ainda que eu esteja farto de dizer que o CD 3 do 69 Love Songs é o pior, é novamente deste CD que retiro a fantástica 'How To Say Goobye'. Lembrei-me dela porque, enquanto lanchava,estive a ver um bocado daquele filme com a Julia Roberts, O Casamento do meu Melhor Amigo ou assim, que já todos vimos. E quando me pus a ouvir a música, isto fez um sentido do caraças.

The only thing that I could ever feel
I can't believe it wasn't real
The only thing that I could ever feel
I can't believe it wasn't real
You can't open your mouth without telling a lie
but baby, you know how to say goodbye

The thing I spent my whole life waiting for
has just walked out and locked the door
The thing I spent my whole life waiting for
has just walked out and locked the door
You can't feel a thing and you won't even try
but baby, you know how to say goodbye

I'm overjoyed to hear about your wedding
I'm writing you to wish you every blessing
I'm overjoyed to hear about your wedding
I'm writing you to wish you every blessing
and I'm so happy I could cry
Oh baby you know how to say goodbye

Especial fim- de-semana: The Magnetic Fields Parte II - Domingo

Como escolher outra letra para por aqui seria quase impossível (ontem não foi uma escolha, não conseguia parar de cantar aquela), decidi que hoje teriam direito a um vídeo. Isto reduz as hipóteses a quase nenhumas, visto que há apenas 4 vídeos de uma actuação ao vivo em Cambridge, sendo que um dos vídeos não tem a música completa. Assim, a minha escolha recaí sobre a "Yeah! Oh, Yeah!", de longe a melhor das outras 3, música retirada do não tão bom CD 3 da obra-prima 69 Love Songs. Parece que as pessoas não conheciam a música visto que ainda riem da letra. Ainda que seja uma letra triste é propícia a este tipo de reacção. O Stephen Merritt é o tipo de escritor de canções que faz isto. Como o Morrissey ou o Jens Lekman, que é comparado muitas vezes aos dois anteriores. A parte instrumental da música é, também ela, belíssima.

Os Magnetic Fields são a banda que mais quero ver ao vivo. Sobre isso não há dúvidas. Há dois anos e meio que espero por esse dia. Será uma experiência bastante emocional visto que eles me dizem tanto. Principalmente em dias como este. Como eles vão lançar um álbum no início do próximo ano e já têm algumas datas marcadas, pode ser que passem por cá. Como grande fã da Aula Magna, esse seria, para mim, o sítio ideal. Enfim, deus queira que sim, que venham.

Sem mais demoras, aqui fica "Yeah! Oh, Yeah!" os Magnetic Fields:

sábado, dezembro 08, 2007

Especial fim- de-semana: The Magnetic Fields Parte I - Sábado

Nada como um fim-de-semana a ouvir Magnetic Fields. Neste momento, estou com a 'The Flowers She Sent and the Flowers She Said She Sent' e a 'All the Umbrellas in London' na cabeça. Duas músicas de albuns anteriores à obra prima 69 Love Songs. Nesta segunda música ele diz: 'all the dope in New York couldn't kill this pain' e a verdade é que os Magnetic Fields são, talvez, o mais próximo de 'matar esta dor' que conheço.

If I live through the night
I could be alright
It could make a good song or something
I've been trying to give myself reasons to live
But I really can't think of one thing

I drive around
I walk around in circles
'Cause I've got no sense of direction
I guess I've got no sense at all

All the umbrellas in London couldn't stop this rain
And all the dope in New York couldn't kill this pain
And all the money in Tokyo couldn't make me stay
All the umbrellas in London couldn't stop this rain

I don't cry anymore
I walk out of the door
And I usually keep on walking
I may sit in a bar
Where the cocktails are
But I really don't feel like talking

I ride around
And let the darkness fall
'Cause I've got a sense of perfection
And nothing makes much sense at all

All the umbrellas in London couldn't stop this rain
And all the dope in New York couldn't kill this pain
And all the money in Tokyo couldn't make me stay
All the umbrellas in London couldn't stop this rain

Castanets @ Maxime


Cedo se percebeu que público era coisa que não existia para este concerto. No total, havia cerca de 40 pessoas para o concerto, um grupo de 30 pessoas num jantar de família e pequenos grupos num total de 40 pessoas. Estariam, portanto, cerca de 110 pessoas no Maxime, das quais apenas 40 tinham pagado os 8 euros de entrada pelo concerto. O resultado foi desastroso. O que poderia ter sido um concerto muito interessante e com carga emocional elevada, foi apenas uma vergonha para quem estava lá para o concerto. Senti vergonha e irritação pelo facto de as pessoas que não estavam lá para o concerto estarem constantemente a falar e rir. Um desrespeito pelo artista e por quem foi lá para o ver.

O senhor Raymond Raposa estava sozinho em palco, acompanhado apenas pelo seu pedal de loops. Vestido à lenhador americano, com chapéu de rede e tudo, e com a sua barba a atingirem os níveis de espectacularidade que podem ver na fotografia. Os tiques eram os mesmos que o do Bonnie 'Prince' Billy (também ele com uma bela barba), que tive o prazer de ver também no Maxime. A música era um pouco mais experimental mas, também ela, não andou muito longe da produzida pelo B 'P' B. O problema é que o Will Oldham já anda nisto há mais de 10 anos, através de projectos vários (sendo o projecto mais interessante o Bonnie 'Prince' Billy). Assim, já tem um público que lhe é fiel. O senhor Castanets, não. E essa é a razão pela qual, mais de metade das pessoas que lá se encontravam, não terem o mínimo interesse em ver o concerto. Sem microfone, e dirigindo-se para as mesas que sabia terem pessoas que queriam ver o concerto, chegou mesmo a comentar o facto de haver pessoas a falar e rir. Por esta razão, encurtou o concerto para uns escassos 45 minutos. Uma hora, no máximo. Quando fez encore disse qualquer coisa do tipo: It sounded like some of you didn't want me back. E, provavelmente, tinha razão. O encore foram duas músicas pedidas pelo público, que ele concordou em tocar sem qualquer hesitação.

Depois do concerto, foi beber um copo e conviver com quem quisesse trocar meia dúzia de palavras com ele. Já antes do concerto tinha estado ao balcão, a beber, sozinho.

Mas mesmo depois disto tudo, saí de lá com vontade de ouvir melhor os três albuns que ele já editou (eu antes de 3ª nunca tinha ouvido nada dele). Em parte pela simplicidade que mostrou ter.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

The Killing Moon


Depois da referência ao álbum Ocean Rain dos Echo & the Bunnymen no blog Sound + Vision decidi voltar a pegar-lhe. Pena que não tenha mais nenhuma música tão boa quanto esta.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Não me parece que Deus vá na conversa do 'ah, e tal, se fosse eu'


Here lies Martin Engelbrodde,
Ha’e mercy on my soul, Lord God,
As I would do were I Lord God,
And thou wert Martin Engelbrodde.

domingo, dezembro 02, 2007

(...)
«And I wish that I was made of stone
So that I would not have to see
A beauty impossible to define
A beauty impossible to believe

A beauty impossible to endure
The blood imparted in little sips
The smell of you still on my hands
As I bring the cup up to my lips

No God up in the sky
No devil beneath the sea
Could do the job that you did, baby
Of bringing me to my knees

Outside I sit on the stone steps
With nothing much to do
Forlorn and exhausted, baby
By the absence of you
»

Nick Cave & the Bad Seeds - Brompton Oratory

quinta-feira, novembro 29, 2007

The Beatles

Não me lembro se já fiz algum post sobre os Beatles. É imperdoável, se não fiz, e impensável, que não tenha feito.

Os Beatles foram 'só' a banda mais importante e influente da história da música. Devo confessar que cheguei a eles já tarde. Comecei por perceber que a ideia que tinha deles era totalmente errada quando o Kurt Cobain dizia ser fã deles. O meu ídolo, era fã daqueles parvos? Se calhar não eram parvos. A ironia era que o parvo era eu. Mas eu nem saberia o significado da palavra ironia, nessa altura. Mudava que estava a minha mentalidade faltava agora dar o salto e pegar num álbum deles e começar a ouvir. Um dos maiores impulsos veio do meu professor de Cambridge, o mesmo que me fez ouvir Smiths, que volta e meia, lembrava-se de os referir e/ou cantarolar uma das suas músicas. Mas, tal como nos Smiths, o facto de o meu irmão já os ouvir foi essencial, tinha acesso fácil ao trabalho das bandas e não havia desculpas de preguiça. Lembro-me até de ouvir uma vez o Sgt. Peppers e o Revolver enquanto o meu irmão os ouvia e só ter achado engraçado mas, ainda assim, ter percebido que havia ali qualquer coisa. Adiante. Peguei então no red album ou album vermelho ou 1962-1966, como preferirem. Foi amor à primeira audição. O único senão era que implicava, e implico, com a Drive My Car e com a Yellow Submarine. Mas como não gostar de um álbum que tem a Yesterday, a Please Please Me, a All My Loving, a You've Got To Hide Your Love Away ou a In My Life, tirando todas as outras. O passo seguinte podia ter tomado várias direcções, todos os álbuns são clássicos. Acabei por introduzir o Rubber Soul (1965), que acabava por não constituir uma grande novidade visto que a maior parte das músicas estava incluída na compilação vermelha, e o blue album, que incluía a restante carreira dos Beatles, 1966-1970. Agora sim, começava a tomar verdadeiro conhecimento do que ali estava. Ainda que a minha mentalidade estivesse mudada, estava longe de perceber o grau de experimentação que eles incluíam nos seus álbuns. Havia ali de tudo e tudo era diferente do que estava para trás de 1966. Depois disso parti para o Revolver (1966) e o Sgt. Peppers (1967), dois clássicos. E, mais tarde, os restantes álbuns destes senhores. Posso agora dizer que o que mais me impressiona é a qualidade e quantidade, no fundo, a facilidade, com que eles faziam música que satisfazia tanto o público em geral, de todas as gerações, como os críticos. Nenhuma outra banda conseguiu fazer isto.

Vou deixar aqui três vídeos deles. Peço desde já desculpa ao Harrisson por não ter incluído nenhuma das músicas dele mas a Here Comes the Sun e a Something são das minhas preferidas. Estas três não são necessariamente as minhas músicas preferidas deles mas adoro-as:

You've Got To Hide Your Love Away


Hey Jude


Revolution

terça-feira, novembro 27, 2007

Parte II

Tiptoe down
To the holy places
Where you going now
Don't turn around

Little girls
In their party dresses
Didn't like
Anything there

Pretty boys
With their sunshine faces
Carrying their
Heads down

Tiptoe down
To the lonely places
Where you going now
Don't turn around


My Bloody Valentine - Loomer

segunda-feira, novembro 26, 2007

Gato Fedorento, Pet Sounds, Certezas e Morrissey

Hoje de manhã estive a ver os videos do programa do Gato Fedorento de ontem, já que ontem estava no hospital e não pude ver. Isto claro, fez-me ficar mais bem disposto mas teve outra particularidade mais importante: fez-me ir buscar o Pet Sounds (cd do qual sou possuidor de uma das melhores edições esta) já que num dos scketches aparece a fantástica 'Wouldn't It Be Nice'. Já vi escrito há muito tempo, aliás, que um deles é um grande fã do álbum, ou é o Zé Diogo Quintela ou o Miguel Góis, não me recordo. Assim, hoje foi um dia bastante bem passado.

Mais importante ainda, quando vinha agora à noite na rua vinha com aquela sensação de certeza naquilo que sinto, faço e tenho a fazer, o que me deixa bastante calmo, que é o mais importante.

É para representar isto que vos deixo um pouco da magnífica Alma Matters (no princípio do vídeo o Morrissey até brinca com um gatito, o que torna a coisa querida) que acaba por referir um pouco esse sentimento de certeza:

So the life I have made
May seem wrong to you
But, I've never been surer
It's my life to ruin
My own way


A frase I've never been surer é daquelas frases que sabe mesmo bem dizer com um sorriso nos lábios.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Gastroenterite

Edit: Os ovos só aparecem na imagem porque são os principais suspeitos. Longe de mim querer desrespeitar a presunção de inocência.

terça-feira, novembro 20, 2007

Bob Dylan e Johnny Cash

No álbum The Freewheelin' Bob Dylan insandwichada entre duas músicas de protesto "Blowin' in the Wind" e "Masters of War" aparece esta "Girl from the North Country". Mais tarde é repescada para o álbum Nashville Skyline num dueto com Johnny Cash. Esta versão apresenta um arranjo bastante diferente e, enquanto que na sua versão original parece haver dor na voz do mestre Dylan, nesta versão parece haver 'apenas' saudade. Para além disso, a belíssima estrofe «I'm a-wonderin' if she remembers me at all. / Many times I've often prayed / In the darkness of my night, / In the brightness of my day» não é cantada nesta versão. Talvez, para dar o tal efeito de uma saudade ligeira, passageira. Apenas esta música foi editada em álbum vinda das sessões que decorreram em Fevereiro de 1969 mas muitas mais foram as músicas gravadas (podem, inclusivé, ser encontradas num álbum que as compila). E não disse isto tudo só para mostrar conhecimento, disse-vos isto tudo para vos introduzir o vídeo que se segue, Bob Dylan e Johnny Cash em "Girl from the North Country", no programa do próprio Johnny Cash:

domingo, novembro 18, 2007

I Won't Share You

Diz-se que Stephen Street, produtor do quarto e último álbum dos Smiths, 'Strangeways, Here We Come', chorou a primeira vez que ouviu a música "I Won't Share You". E compreende-se perfeitamente que o tenha feito. Esta música é a prova de que a simplicidade é muitas vezes a melhor opção.

sábado, novembro 17, 2007

Explicação

Quando fiz três dos últimos quatro posts reparei que tinham uma estrutura muito à Estado Civil. Mas não me preocupei muito com isso. Suponho que seja normal isso acontecer de vez em quando. O blog do Pedro Mexia é o melhor blog que conheço e, por isso, a minha maior influência bloguer. Mas estou longe de me querer comparar ao Sr. Mexia.

Vou fazer os possíveis para que não volte a acontecer uma cópia tão descarada.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Indecisões (2)

O que não quer dizer que não consiga ver as coisas com uma clareza desconcertante.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Indecisões

«És a pessoa mais indecisa que conheço.»

E foi num jogo de cartas.

Teachers

Who is it whom I address,
who takes down what I confess?
Are you the teachers of my heart?
We teach old hearts to rest.

Oh teachers are my lessons done?
I cannot do another one.
They laughed and laughed and said,
Well child, are your lessons done?
are your lessons done?
are your lessons done?

quarta-feira, novembro 14, 2007

Horóscopo

«Situações não resolvidas da sua vida passada podem surgir agora para serem solucionadas.»

O que o Sr. Paulo Cardoso não sabe é que a minha vida é, toda ela, uma situação não resolvida.

terça-feira, novembro 13, 2007

Forlorn hope

Depois de ter dito, no post anterior, que o melhor álbum de 2006 era o 'Ringleader of the Tormentors' decidi ir ver o que tinha dito em janeiro sobre os melhores álbuns desse ano (aqui) para ver se não me estava a contradizer e deparei-me com isto:

É com alegria que vejo 2006 acabar. É verdade, 2006 foi um ano mau, começou muito mal e acabou mal. Lá para o meio foi médio fraco. Mas 2007 correrá melhor, com certeza. Primeiro, porque é difícil ser pior. Segundo, porque tenho a certeza que será melhor.

A minha primeira reacção foi soltar uma gargalhada. De certa forma tem piada. Depois lembrei-me, por ter haver com esperanças vãs, de um dos poucos excertos do Livro do Desassossego, que me lembrei de retirar da estante recentemente pela sua refência aqui, que tenho na memória. Se eu tivesse o génio de Pessoa em mim, escreveria qualquer coisa muito parecida com isto:

«Tenho assistido, incógnito, ao desfalecimento gradual da minha vida, ao soçobro lento de tudo quanto quis ser. Posso dizer, com aquela verdade que não precisa de flores para se saber que está morta, que não há coisa que eu tenha querido, ou em que tenha posto, um momento que fosse, o sonho só desse momento, que se me não tenha desfeito debaixo das janelas como pó parecendo pedra caído de um vaso de andar alto. Parece, até, que o Destino tem sempre procurado, primeiro, fazer-me amar ou querer aquilo que ele mesmo tinha disposto para que no dia seguinte eu visse que não tinha ou teria.

Espectador irónico de mim mesmo, nunca, porém, desanimei de assistir à vida. E, desde que sei, hoje, por antecipação de cada vaga esperança que ela há-de ser desiludida, sofro o gozo especial de gozar já a desilusão com a esperança, como um amargo com doce que torna o doce doce contra o amargo. Sou um estratégico sombrio, que, tendo perdido todas as batalhas, traça já, no papel dos seus planos, gozando-lhe o esquema, os pormenores da sua retirada fatal, na véspera de cada sua nova batalha.

Tem-me perseguido, como um ente maligno, o destino de não poder desejar sem saber que terei que não ter. Se um momento vejo na rua um vulto núbil de rapariga, e, indiferentemente que seja, tenho um momento de supor o que seria se ele fosse meu, é sempre certo que, a dez passos do meu sonho, aquela rapariga encontra o homem que vejo que é o marido ou o amante. Um romântico faria disto uma tragédia; um estranho sentiria isto como uma comédia: eu, porém, misturo as duas coisas, pois sou romântico em mim e estranho a mim, e viro a página para outra ironia.
»

segunda-feira, novembro 12, 2007

Melhor música de 2006

Disse, no outro post, que a 'The Past Is A Grotesque Animal' é a melhor música deste ano por isso achei que valia a pena recordar qual foi a melhor música do ano passado, retirada do melhor álbum do ano passado (não se assustem com o distúrbio inicial do vídeo, o vídeo está óptimo):



Will you follow and know
Know me more than you do
Track me down
And try to win me?

domingo, novembro 11, 2007

Clássico


Há um ano, numa aula teórica de matemática, foi me sugerido que eu ouvisse este álbum. O problema é que há sempre coisas para ouvir. Coisas essenciais, como é o caso de Nick Cave (para uma pessoa com um gosto musical como o meu). Não basta conhecer duas ou três músicas para estes artistas, é preciso ouvir muito mais que isso para perceber o culto que se gera à volta deles. Mas eu não vou lá por sugestões, tenho de me sentir curioso por esse culto e/ou pelo cantor.

No outro dia o meu irmão dizia: «mesmo que hoje parassem de fazer álbuns, não conseguía ouvir nem metade daquilo que já foi feito até hoje». E é verdade, por mais que vá colmatando algumas das falhas que o meu gosto musical possui, há sempre clássicos por ouvir. Que, na maior parte dos casos, não são clássicos por acaso. Suponho que seja essa a beleza da música enquanto indústria, tem tanta coisa para nos oferecer que não paramos de procurar coisas novas.

E assim, ainda que tenha demorado algum tempo a chegar a este belíssimo álbum, mais uma das minhas falhas está colmatada e, até certo ponto, o culto está compreendido. Assim que este tiver este completamente digerido, já tenho o 'From Her to Eternity' para ouvir.

sábado, novembro 10, 2007

of Montreal

Ao ouvir o álbum deste ano dos 'of Montreal', que já não ouvia há algum tempo, percebo três coisas:

1- Os of Montreal são a melhor banda da actualidade;

2- O concerto que eles deram no fantástico dia 5 do Sudoeste foi o melhor concerto a que já assisti em toda a minha vida;

3- A 'The Past Is A Grotesque Animal' é a melhor música do ano. Talvez do século. É, seguramente, a melhor música com mais de 10 minutos de sempre;

quinta-feira, novembro 08, 2007

The Smiths - Handsome Devil


THEIR THIRD LIVE PERFORMANCE RECORDED ON THE NEW BANDS SHOWCASE NIGHT AT THE HACIENDA CLUB, MANCHESTER ON THE FOURTH OF FEBRUARY, NINETEEN EITHY THREE

É com alguma emoção que vos escrevo. Hoje comprei o single 'Handsome Devil' dos Smiths em vinil (novo) por 15 euros na Carbono. Peço desculpa de a imagens não estarem completas mas o vinil não cabia todo no scanner e não existem imagens disto no google. É um misto de single e bootleg. As músicas foram gravadas em 1983 e são ao vivo com uma setlist constituida por algumas músicas do primeiro álbum e músicas que mais tarde viriam a ser editadas como/em singles:

Lado A
1. These Things Take Time
2. What Difference Does It Make?
3. The Hand That Rocks The Cradle
4. Handsome Devil

Lado B
1. Jeane
2. What Do You See In Him?
3. Hand In Glove
4. Miserable Lie

Conheço algumas raridades dos Smiths, se é que se pode chamar raridades à 'Wonderful Woman' e à 'Work Is A Four-Letter Word', mas não conhecia esta 'What Do You See In Him?', a explicação veio ao ouvir a música. É "apenas" uma versão muito primária da 'Wonderful Woman'. Basicamente, só a letra é que é totalmente diferente. Outra nota que eu gostava de deixar aqui é o facto de ter a 'The Hand That Rocks The Cradle' que tem sido uma das minhas músicas favoritas desde há uns tempos a esta parte. É talvez a minha música preferida de sempre agora (há muito pouco exagero nesta afirmação). Ainda que aqui esteja um pouco descaracterizada do ambiente que podemos encontrar na versão do primeiro álbum, é ela a razão para a capa (para quem não sabe Cradle é berço). É uma das poucas músicas dos Smiths que não é assumidamente Pop e, talvez por isso, foi das últimas a tocar-me. Mas já me toca, principalmente hoje.

There's sadness in your beautiful eyes
Oh, your untouched, unsoiled, wonderous eyes
My life down I shall lie
Should restless spirits try
To play tricks on your sacred mind
(...)
So rattle my bones all over the stones
I'm only a beggar-man whom nobody owns
Oh, see how words as old as sin
Fit me like a glove
I'm here and here I'll stay
Together we lie, together we pray
There never need be longing in your eyes
As long as the hand that rocks the cradle is mine

Gostava de ter tudo o que há para ter dos Smiths em vinil. Por um lado porque os Smiths foram a última banda de singles, no sentido dos editar os singles com o cuidado que eles merecem, e não lançar só videoclips, e porque têm sempre capas lindíssimas e/ou provocadoras, como é o caso desta ( a fazer lembrar a capa do álbum 'Green Mind' dos Dinossaur Jr.). E, claro, no vinil, a capa tem um papel muito mais importante do que alguma vez terá no cd.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Desculpa lá, Rufus


Duvidei das capacidades deste senhor e ontem levei com um concerto magistral em cima.

A hora prevista para a abertura das posta era 20.15 mas às 20.10 já elas estavam abertas. Comprei o bilhete e entrei. Às 20.20 já a banda de abertura tocava para um coliseu completamente vazio (cerca de 40/50 pessoas).
Hora prevista para o concerto começar: 21.15. Hora a que o concerto começa 21.17. Muitas pessoas perderam várias músicas por essa razão. Provavelmente, muitas delas, porque estavam a ver o Benfica. Bem feito.
Posto isto, o concerto. E que melhor maneira de definir o concerto que não: um concerto à Rufus? Foi de facto um concerto à Rufus. Com isto quero dizer que, para além do óbvio, houve direito a muitas histórias, muitas piadas e muitos momentos de rara beleza (principalmente quando sozinho). Muito parecido com o concerto que tinha dado há um ano e meio mas melhor em todos os aspectos. Momentos altos da noite foram, para mim, a "Cigarettes and Chocolate Milk" que suou incrivelmente nova, as músicas dos Wants (principalmente, a 14th Street), quando ele cantou sem microfone (que confirmou todo o potencial da sua voz) apoiado apenas pelos instrumentos de sopro, os duetos com a mãe e a "Get Happy" com toda a banda a fazer coreografia. Só faltou a "Go or Go Ahead" para ser ainda melhor.

Os rasgados elogios ao concerto são gerais.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Rufus Wainwright @ Coliseu

É amanhã. É a terceira vez que o vou ver. Da primeira vez, a 13 de Novembro de 2004 na Aula Magna, ele estava sozinho. Fui por pura curiosidade e sem grandes expectativas. Saí maravilhado. Na segunda, a 24 de Abril de 2005, já eu tinha grandes expectativas (ia como fã) e já ele tinha uma banda a apoia-lo. Entre eles Joan as Police Woman que, para além disso, abriu o concerto e Matt Johnson, baterista num dos melhores álbuns de sempre, estou a falar, claro, do álbum Grace do Jeff Buckley. Tive, no entanto, uma pequena desilusão. As expectativas eram altíssimas e esperava um tipo de concerto mais intimista, que com banda não é possível. Agora, as expectativas estão relativamente baixas. Ainda assim, ele merece que eu o vá ver. O concerto da Aula Magna levou-me a ouvir coisas bem diferentes do que ouvia antes. Foi muito importante para mim, nesse sentido. Por isso, lá estarei, ainda que tenha más memórias de concertos a que fui sozinho, a dar-lhe a oportunidade de me voltar a conquistar (é engraçado que por ele ser gay, este tipo de frases soa um pouco estranho).

Post-Scriptum: O gajo é uma pessoa com imensa piada e cheia de histórias por isso haverá, com certeza, um ambiente alegre na sala.

domingo, novembro 04, 2007

quarta-feira, outubro 24, 2007

Pequena excepção. Definitivamente, não um regresso

A segunda parte deste blog começou há mais de um ano. Inicialmente começou como a primeira parte tinha sido, um conjunto de actualidades que me interessavam. Expressei, mais tarde, sentimentos neste post e aos poucos o blog passou a ser quase que um diário, ainda que com uma tentativa, talvez falhada, de esconder alguns dos pormenores da minha vida privada. Agora que penso nisso, acho que raramente os textos foram uma forma de comunicar com vocês, meros leitores. Penso que foram antes uma forma de comunicar com a nome apagado. Provavelmente por isso parei de escrever aqui da forma como escrevia depois de 'bater no fundo' e, também por isso, devo reduzir mais ainda nos próximos tempos.
É tão estranho como as pessoas entram e saem de relações como se não fosse nada com elas. Como relações parvas se forma à minha volta. Como relações duradouras terminam sem que isso tenha efeito nas pessoas. Como relações duram sem razão aparente. Tudo isto me deixa muito pouco crente nas pessoas. Como disse, julgo que em Setembro 'bati no fundo' o que, como a nome apagado me dizia (e eu, de certa forma, concordo), é bom, porque é apartir daí que podemos regenerar. Digo 'de certa forma, concordo' porque julgo estar em fase de recuperação, daí este post, mas que regenero para o mesmo beco sem saída que me levou a 'bater no fundo'. É lixado.

Por enquanto, aprendo a estar sozinho. Esta é a minha regeneração, cada vez me sinto melhor sozinho. Não faço, por isso, intenções de mexer uma palha nos próximos tempos para me aproximar, de nenhuma forma, de quem quer que seja, rapariga, rapaz, travesti, transexual ou shemale. Não que o fizesse com muita frequência, diga-se.

«You should never go to them
Let them come to you»

The Smiths - I Don't Owe You Anything

terça-feira, outubro 23, 2007

Oferenda

Não era para postar este poema, ainda que seja um dos meus preferidos (dos poucos que já li por aquí na internet), mas como a anónima gostou dos outros poemas do Miguel Torga (os dois últimos e o anterior a estes) este vai para ela. O poema, não as palavras.

"Menina que não lês o meu poema,
Mas que tens a pureza que nele canto,
Vê na balança dos meus olhos quanto
Pesa a ternura humana que te dou:
Ponho nas tuas mãos ingénuas de criança
Toda a herança
Que da morte da vida me ficou."

Miguel Torga - Coimbra, 24 de Abril de 1951

Reparem que dos quatro poemas que postei todos foram escritos em Coimbra. Fora de Coimbra ele escrevia coisas mais relativas à natureza, penso eu.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Solidão

«Como nunca vieste, já não venhas.
O mais rico tesouro é o que se nega.
Ágil veleiro doutros mares, navega
Com as asas que tenhas!

Foge de ti, porque de mim fugiste.
Alarga a solidão que me consome.
E apaga na memória a praia triste
Onde eu pergunto às ondas o teu nome.»

Miguel Torga - Coimbra, 6 de Março de 1952.

«Agora que passou a inquietação
E sei que não vens,
Que aliviada solidão eu sinto!
Como um cadáver que se libertou
Das penas de viver,
Tenho nas veias um sossego frio.
É um repouso de pedra
Sem qualquer inscrição perturbadora.
Calma de hibernação
Nos ossos, no instinto e na razão,
E na própria vontade criadora.»

Miguel Torga - Coimbra, 20 de Julho de 1953

quinta-feira, outubro 18, 2007

Like a Summer Thursday

«If only she
could feel my pain
but feeling is a burden
she can't sustain
so like a summer thursday
I cry for rain
to come and turn
the ground to green again

If only she
could her my songs
about the empty difference
between the rights and wrongs
then I know that I
could stand alone
as well as they
now that she's gone»

Townes Van Zandt - Like s Summer Thursday

sábado, outubro 13, 2007

Começar pequeno (2)

«Everybody's going out
And having fun
I'm a fool for staying home
And having none
I can't get over how she set me free,
Oh, lonesome me

There must be some way
That I can lose these lonesome blues
Forget about my past and
Find someone new
I've thought of everything from A to Z
Oh, lonesome me»

Neil Young - Oh, Lonesome me

segunda-feira, outubro 08, 2007

Ponta Seca

«Remendo o coração, como a andorinha
Remenda o ninho onde foi feliz.
Artes que o instinto sabe ou adivinha…
Mas fico a olhar depois a cicatriz.»

Miguel Torga - Coimbra, 5 de Abril de 1952

quinta-feira, outubro 04, 2007

Fui até / Cheguei ao ponto de

«I went as far as losing sleep
I went as far as messing up my life
»

Red House Painters - Japanese to English

Fernando Pessoa

«Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
»

Álvaro de Campos - Tabacaria

quinta-feira, setembro 27, 2007

Começar pequeno

«Wilson: How depressed are you?
House: I'm not depressed.
Wilson: You faked cancer.
House: It was an outpatient procedure. I was curious.
Wilson: Are you curious about heroin?
House: Not since last year's Christmas party. Whoof! [He then goes back to being serious] I know this goes against your nature, but can we not make too much of this?
Wilson: You made people think that you were going to die!
House: I didn't make them! I tried to hide it! You idiots needed to get into my business.
[Wilson starts laughing]
House: I'm sure I'll regret asking, but why are you laughing?
Wilson: It's ironic.
House: I'm sure I'll regret asking, but why?
Wilson: Depression in cancer patients. It's not as common as you think. It's not the dying that gets to people. It's the dying alone. The patients with family, with friends— they tend to do okay. You don't have cancer. You do have people who give a damn. So what do you do? You fake the cancer, then push the people who care away.
House: Because they're boring. Go home to your hotel room and laugh at that irony.
Wilson: Start small, House. Take a chance. Maybe something that doesn't involve sticking stuff in your brain. Pizza with a friend. A movie. Something.
»

Dr. House, série 3, episódio 15

sexta-feira, setembro 21, 2007

Em princípio, é isto

Nota do autor: Sei bem que o texto está um pouco ridículo em alguns momentos e isso deve-se ao facto de eu ter alguma dificuldade em pôr por palavras aquilo que quero dizer.

Não tenho grande vontade de vos escrever. Perdi-a. Não vou acabar com o blog mas não esperem a regularidade de posts dos últimos tempos. A razão pela qual perdi a vontade de escrever não interessa para o caso mas, a verdade, é que gostava de saber o porquê. O porquê no sentido de porque é que ‘aquilo’ me fez perder a vontade de comunicar com vocês já que a origem desse sentimento é, para mim, bastante clara. Não acho que seja um sentimento passageiro ou não estaria a fazer este post. Percebi que tenho de olhar para mim e por mim, agora. Os últimos tempos têm sido de grande instabilidade emocional e é por isso que sinto que preciso de fazer uma espécie de ‘retiro espiritual urbano’ para me recompor. Vou tentar aproveitar o muito tempo livre que vou ter durante este primeiro semestre de faculdade para recuperar a paz de espírito. Lembram-se daquele poema do Bob Dylan que eu postei há tempos? Pois bem, é esse sentimento que eu quero atingir.

«O que é que isso tem haver com o blog?», poderão vocês perguntar. A resposta é simples, quer queira quer não, o blog acaba por ser uma forma de exprimir sentimentos. E para me ‘recompor’ preciso de fechar esta constante fuga de sentimentos. Há um momento para tudo e este é para deixar os meus sentimentos e pensamentos comigo. Contrariamente ao que diz na descrição do blog, vão deixar de encontrar os meus pensamentos aqui. Deixou de haver razão para eles estarem aqui.

Desde a alguns meses para cá que o blog tem sido uma janela para a minha cabeça. E uma coisa é certa, aquilo que viram nunca foi, de forma alguma, exagerado. Sempre que estou numa situação ou com as pessoas visadas em alguns dos meus posts percebo isso mesmo. Aquilo que viram foram «os meus pensamentos e eu». Alguns gostaram do que leram, outros nem por isso mas, claro, não se pode agradar a todos. Pior foi talvez o que ficaram indiferentes. Qualquer que seja o vosso caso, obrigado por terem ouvido os meus desabafos, «thank you for coming here, thank you for being you».

Já dizia o Pedro Mexia

«Infelizmente, a diferença não está entre as pessoas que nos querem bem e as pessoas que nos querem mal. Está entre as que nos fazem bem e aquelas que nos fazem mal.»

quinta-feira, setembro 20, 2007

As pequenas atitudes escondem sempre coisas importantes

«When you laugh about people who feel so
Very lonely
Their only desire is to die
Well, I'm afraid
It doesn't make me smile
I wish I could laugh

But that joke isn't funny anymore
It's too close to home
And it's too near the bone
It's too close to home
And it's too near the bone
More than you'll ever know
»
The Smiths - That Joke Isn't Funny Anymore

quarta-feira, setembro 19, 2007

As pequenas coisas

Queriam a minha inspiração de volta? Pois bem, já me a deram. Já a tenho comigo. Este é o resultado:

E pronto. Há uns posts atrás disse que as pequenas coisas não me deixam indiferente. Acho que é nas pequenas coisas que vemos as verdadeiras intenções das pessoas, é nelas que as pessoas fazem o que querem. Nas coisas mais importantes, como sabem que estas terão consequências mais profundas, fazem o que devem e não o que querem. Mais uma vez, foram as «pequenas coisas» que me lixaram. São sempre.

Outra coisa que me chateia é as pessoas acharem que já passaram por aquilo que nós estamos a passar quando, quase sempre, os dois casos não têm nada em comum. Devem achar que se o fizerem eu as terei em maior consideração. A verdade é que sempre que falo com alguém sobre alguma coisa, isso pressupõe uma série de outras coisas que estão para trás, coisas do nosso passado, que a outra pessoa não conhece e que provavelmente nunca virá a conhecer. Como pode então uma pessoa dizer que passou pelo mesmo quando tudo o que se passou antes de ambos termos passados pela «mesma situação» é tão diferente? (isto, claro, no caso de terem mesmo estado numa situação semelhante e não estarem a inventar ou a exagerar) Não será consequentemente uma situação diferente? Depois ouvimos o testemunho do outro e percebemos o quão certos estávamos, o quão diferente é a nossa situação. Como disse no início do post, ainda que noutro contexto, as pequenas coisas fazem uma grande diferença.

«How can anybody say
They know how I feel?
The only one around here
Who is me, is me
(...)
How can anybody say
They know how I feel?
When they are they,
And only I am I»
Morrissey - How Can Anybody Possibly Know How I Feel?

Não quero dizer com isto que as pessoas não possam tentar perceber aquilo que estou a dizer e dar a sua opinião sobre o assunto. Mas a verdade é que nunca compreenderão a situação na totalidade. Mais que não seja porque não sentem as coisas como eu (não passaram por aquilo que eu passei).

terça-feira, setembro 18, 2007

What I suffered then, and still suffer, is not for pen to write or paper to record

Sempre pensei que não tinha a capacidade de me emocionar a ler um livro. Por falta de capacidade de concentração ou assim. Isto até, recentemente, ter lido De Profundis de Oscar Wilde. Não vou recomendar o livro a ninguém, acho que não é para ser lido por recomendação. Mas posso vos dizer de que trata e, quem sabe, convencer-vos assim. O livro é uma carta de Oscar Wilde para um amigo. Nela ele analisa de forma profunda o seu amigo e a relação entre os dois. Não sei se ele sabia que acabaria por ser publicado ou não mas a verdade é que ele escreve de forma universal, usa a relação deles como um meio para chegar a considerações que podem ser transportadas para a nossa vida. Por três vezes emocionei-me com as suas palavras. Por duas vezes por razões pessoais, outra por isto (gosto mais de ler o excerto em português mas tinha de o estar a redigir):

«When I was brought down from my prison to the Court of Bankruptcy, between two policemen, - waited in the long dreary corridor that, before the whole crowd, whom an action so sweet and simple hushed into silence, he [Robbie] might gravely raise his hat to me, as, handcuffed and with bowed head, I passed him by. Men have gone to heaven for smaller things than that. It was in this spirit, and with this mode of love, that the saints knelt down to wash the feet of the poor, or stooped to kiss the leper on the cheek. I have never said one single word to him about what he did. I do not know to the present moment whether he is aware that I was even conscious of his action. It is not a thing for which one can render formal thanks in formal words. I store it in the treasure-house of my heart. I keep it there as a secret debt that I am glad to think I can never possibly repay. It is embalmed and kept sweet by the myrrh and cassia of many tears. When wisdom has been profitless to me, philosophy barren, and the proverbs and phrases of those who have sought to give me consolation as dust and ashes in my mouth, the memory of that little, lovely, silent act of love has unsealed for me all the wells of pity: made the desert blossom like a rose, and brought me out of the bitterness of lonely exile into harmony with the wounded, broken, and great heart of the world.»

Pensar em toda aquela cena, em que um homem algemado vê tirar outro prestar-lhe homenagem perante uma multidão, não propriamente de apoiantes visto que Oscar Wilde viu o seu nome manchado durante todo o processo que levou à sua prisão, deixa-me de lágrimas nos olhos. Como ele diz, esta acção é uma acção perante a qual nada se pode dizer, não há palavras de agradecimento para um gesto destes. Um gesto em que a única intenção é mostrar respeito, admiração e amizade. Na minha opinião, isto é amor.

domingo, setembro 16, 2007

Cenas bonitas e outras coisas mais. No fundo, apenas um novo post.

Não tenho nada para dizer mas vocês, ou antes a S. (como diria o Pedro Mexia no seu Estado Civil), anda a chatear-me para fazer um novo post e, por isso, aqui está ele. Acho que já fiz uma vez isto, começar a escrever sem saber o que vou escrever e acabar a falar sobre uma porcaria qualquer. Ah, já sei.

Ontem andei de autocarro, coisa que não faço com muita frequência. Sou mais metro (nada de piadas com metrosexual, se faz favor). Ainda por cima foi em hora de ponta e, claro, há sempre qualquer coisa a acontecer num 35 apinhado de gente. Até meio da viagem nada aconteceu para além do normal cheiro a suor e a idosos dos autocarros. Foi então que, sem querer, acabei por apanhar bocados da conversa de um rapaz de 25 anos ao telefone. Pelos bocados de conversa que apanhei e pela expressão dele, percebi que a namorada estava a acabar com ele. E ele recebia a notícia pelo telefone num autocarro apinhado de gente. Que melhor maneira de receber esta notícia? Nenhuma, pelo menos desta forma asseguram-se de que nunca mais voltaram a ter nada. Gostei especialmente do último bocado de conversa que apanhei: na despedida, este coração despedaçado, tem a gentileza de dizer: «e já agora bom natal!» No fundo mostra que não está ressentido com o que acabou de acontecer ou que, mesmo estando, consegue não perder a compostura e continua a querer o melhor para a outra pessoa. Isto é bonito. Infelizmente, saiu logo a seguir a desligar o telemóvel mas a verdade é que me parecia transtornado com a situação. Mas, como o próprio disse ao telefone, «não vou chorar». E não chorou.

Voltando à S., e em modo sarcástico (achei que convinha dizer não fossem vocês achar que eu estava a falar a sério): agora já posso concordar contigo e dizer que pode haver cenas bonitas em autocarros.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Últimos dias (2)

«Lonely? ah yes
but it is the flowers and the mirrors
of flowers that now meet my
loneliness
and mine shall be a strong loneliness
dissolving deep
to the depths of my freedom
and that, then, shall
remain my song»

Bob Dylan - 11 Outlined Epitaphs

Últimos dias

Nos últimos dias tenho-me andado a sentir bem e por isso a minha imaginação para a escrita desaparece. Cinema, Teatro, almoços e jantares são algumas das coisas que têm ocupado os meus dias e me têm feito sentir assim. Os últimos posts já foram a encher chouriços e este não é diferente.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Pergunta retórica

Existirá alguma coisa melhor que uma fatia de tarte de maçã com uma bola de gelado?

terça-feira, setembro 11, 2007

11 de Setembro

Come you masters of war
You that build the big guns
You that build the death planes
You that build all the bombs
You that hide behind walls
You that hide behind desks
I just want you to know
I can see through your masks

[...]

You fasten all the triggers
For the others to fire
Then you set back and watch
While the death count gets higher
Then you hide in your mansion
While the young people's blood
Flows out of their bodies
And is buried in the mud

You've thrown the worst fear
That can ever be hurled
Fear to bring children
Into the world
For threatening my baby
Unborn and unnamed
You ain't worth the blood
That runs in your veins

How much do I know
To talk out of turn
You might say that I'm young
You might say I'm unlearned
But there's one thing I know
Though I'm younger than you
Even Jesus would never
Forgive what you do

Let me ask you one question
Is your money that good
Will it buy you forgiveness
Do you think that it could
I think you will find
When your death takes its toll
All the money you made
Will never buy back your soul

[...]

Bob Dylan - Masters Of War (1963)

domingo, setembro 09, 2007

Não concordo muito com aquilo que escrevi no post anterior. Tive a pensar e a verdade é que há outra grande preocupação no futebol: não se deve pensar no jogo seguinte antes de jogar o anterior. Na vida, isso não é uma preocupação, é um facto. A preocupação na lesão, essa sim, tal como no futebol, existe. Fica o reparo.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Nota do autor: Este post tem uma metáfora futebolística. Poderia ter aprofundado mais a metáfora futebolística mas optei por não o fazer para que o post não perdesse carga emocional. Achei piada a escrever isto mas não deixei de estar na merda. E quero que isso passe para vocês leitores. E estou-me a cagar para a pessoalidade do post, os leitores, ou são pessoas que me conhecem pessoalmente muito bem, ou que nem conheço pessoalmente, não há pessoas que conheço pessoalmente mal, por isso, em qualquer dos casos, não fará grande diferença.


Há dias em que me sinto tão na merda que deixo de me sentir na merda e passo a sentir-me parte integrante da própria merda. Escusado será dizer que hoje é um desses dias.

Muitas vezes não são os problemas que nos fazem afocinhar na merda, quem normalmente dá a rasteira final, aquela que nos desequilibra, são as soluções que temos disponíveis para resolver esses problemas. Ou antes, a falta delas. O que é que se faz quando não queremos escolher nenhum dos caminhos que temos perante nós? E se, qualquer que seja aquele que escolhermos, perdemos? «What difference does it make which one I choose? Either way I lose.» diria a Nina Simone. E a verdade é esta. Às vezes saímos a perder quaisquer que sejam as nossas acções. Interessa perder por menos? No futebol à uma máxima que diz, quando uma equipa está a perder, «perdidos por um, perdidos por mil» para justificar o exagero da perseguição de, pelo menos, o empate. Mas será que isto se aplica na vida real? Será que vale a pena arriscar enterrarmo-nos mais na merda e lutar pela esperança de sairmos vitoriosos? Ou devemos, simplesmente, aceitar a nossa perda, por muito grande que ela nos possa parecer, e esperar que no próximo ‘jogo’ a sorte e a arte estejam do nosso lado? Será que possuímos uma equipa médica suficientemente boa que justifique a esperança que, quase certamente, nos levará a uma lesão ainda maior? Sim, porque neste jogo estamos a perder e lesionados.

Suponho que cada um de nós teria uma resposta diferente para uma mesma situação. Mas, haverá respostas mais correctas que outras? Mesmo que uma das respostas leve à vitória e a outra leve a uma derrota pesada e dolorosa, será que é mais correcta por isso? E se a resposta que nos levou à derrota foi a de lutarmos e a que nos levou à vitória foi a de partir para o próximo jogo (jogo esse que teríamos perdido a oportunidade de jogar se tivéssemos optado por prolongado o anterior)? E se mesmo que optemos por seguir para o próximo jogo estamos lesionados, do jogo anterior, e não o podemos jogar? E se a lesão for grave ou nos deixar com sequelas para a vida como o Mantorras? E é aí que voltamos à outra questão por mim colocada «Será que vale a pena arriscar enterrarmo-nos mais na merda e lutar pela esperança de sairmos vitoriosos?» Será que vale a pena agravar a lesão na procura da vitória? E assim passamos os dias entre as duas respostas possíveis e o medo de estar a agravar a lesão (que é impossível de avaliar no momento, ainda que nos pareça grave) que não espera pela nossa decisão. O problema é este. A dor não espera, corrói sem piedade.

Suponho que nestas situações ajude ser uma pessoa decidida. E isso, eu não sou. Suponho que nestas situações ajude ter confiança em nós próprios. E isso, eu não tenho. Suponho que nestas situações ajude ter alguma sorte. E essa, nem vê-la. Suponho, por fim, que nestas situações ajude ter um espírito calmo e constante. Mas eu sou influenciado por coisas tão pequenas… Então quando as pequenas coisas vêem do nosso ‘adversário’ deixam de ser pequenas e ganham uma nova dimensão. E se as pequenas coisas já me influenciam, as grandes, derrubam-me.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Deus

Mais tarde...

«And I am so very tired
Of doing the right thing
Dear God, please help me»
Morrissey - Dear God, Please Help Me


«And lord, help me to smile
Another smile, just one more smile;
Don't think I can do things on my own.

I never thought I needed help before;
Thought that I could get by - by myself.
But now I know I just can't take it any more.
And with a humble heart, on bended knee,
I'm beggin' You please for help»
Larry Gatlin / Johnny Cash - Help Me

...ou mais cedo...

«Oh please god bring relief
even if it’s only brief»
Jens Lekman - Maple Leafs

...todos acabam por pedir ajuda a Deus.

terça-feira, setembro 04, 2007

Kanye West - bow in the presence of greatness

Se dúvidas havia que o Kanye West pretence a uma diferente categoria de hip-hop as dúvidas estão dissipadas com a chegada (já andam aí há uns tempos) dos dois novos singles retirados do seu novo álbum, Graduation.



Comecemos pela Stronger, uma sample de daft punk que obriga a bater o pé e uma letra interessante:

Let's get lost tonight
You could be my black Kate Moss tonight
Play secretary, I'm the boss tonight
And you don't give a fuck what they all say right?
Awesome, the christian and and Christian Dior
Damn, they don't make 'em like this anymore
I ask, cause I'm not sure
Do anybody make real shit anymore?
Bow in the presence of greatness
Cause right now thou has forsaken us



A segunda, Can't tell me, perde talvez em termos intrumentais mas ganha, sem dúvida, na letra. Não é por acaso que o Will Oldham (o de calções vermelhos), também conhecido por Bonnie 'Prince' Billy (e que eu tive o prazer de ver ao vivo este ano), participa no video. A verdade é que a letra reflete as dúvidas existenciais que o BPB tão bem exprime nas suas letras. Se não vejam:

I had a dream I could buy my way to heaven
When I awoke I spent that on a necklace
I told God I'd be back in a second
Man its so hard not to act reckless
To whom much is given much is tested
Get arrested guess until he get the message
I feel the pressure
under more scrutiny
And what I do?
Act more stupidly
Bought more jewelry, more Louis V
My momma couldn't get through to me
The drama. People suing me.
I'm on TV talkin like its just you and me
I'm just saying how I feel man
I ain't one of the Cosby's
I ain't go to Hill man
I guess the money should have changed him
I guess I should have forgot where I came from

e mais à frente:

They say I talk with so much emphasis
Ohhh ... they so sensitive
Don't ever fix your lips like collagen
And then say something where you gonna end up apologin
Let me know if its a problem then

Férias - Cartaz da exposição do Salvador Dali, Porto

«If I seem a little strange
That's because I am»

domingo, setembro 02, 2007

Férias - Douro, Palácio do Freixo, Porto

«somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands»

e. e. cummings


«How many times can a man turn his head,
And Pretend that he just doesn't see?»

Bob Dylan - Blowin' in the Wind

sábado, setembro 01, 2007

Férias - Casa da Música, Porto

«Everything depends upon how near you stand to me»

Férias


«Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.»
Sophia de Mello Breyner - Liberdade


Boa noite, caros leitores

Aqui estou eu de regresso. Continuo o mesmo trombas que vocês já conhecem com apenas uma novidade: mais calmo. É esse o efeito que Santa cruz tem em mim. Vou para lá desde sempre, e a verdade é que nunca tinha notado tantas mudanças como agora. De um ano para o outro fez-se de tudo, tendo levado o meu irmão a comentar, e bem: «Dr. António Costa ponha os olhos nisto». De todas as mudanças gostei principalmente da ciclovia. Todos os dias ia passear para lá, tomando algumas estradas mais pequenas por entre as estufas e as hortas para respirar o ar do campo. Mas dizia eu que ir para lá me acalma, a praia mesmo à frente de casa, o som das ondas, a liberdade de um passeio de bicicleta, um bonito pôr-do-sol todos os dias, a pouca urbanização (que de ano para ano vem sendo maior) e até a solidão, que permite não ter de dar satisfações a ninguém. Mas a verdade é que estou de volta. Mas não estou de volta só à cidade, e tudo o que isso implica, estou de volta às coisas que me deixam triste. Não que estas coisas nao estejam na minha cabeça, estão, mas quase parecem não ser problemas. Ganham uma dimensão diferente enquadradas em toda a beleza natural que Santa Cruz proporciona. Agora que estou de regresso sinto-me mais capaz de enfrentar mais um ano (penso que já referi que para mim os anos começam em Setembro e não em Janeiro) mas a verdade é que não vou deixar de ser o deprimido a que já vos habituei.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Desmembrado

«I would happily lose
Both of my legs
I would lose both of my legs
Oh, if it meant you could be free»
Morrissey - Billy Budd

«I'd give my right arm
To keep you safe from harm»
The Magnetic Fields - I Don't Really Love You Anymore

domingo, agosto 12, 2007

De passagem

Vim de Santa Cruz hoje. Amanhã estou por cá e à noite vou para o Porto e passar lá uns dias. Felizmente, já não tenho de passar o meu dia de anos em Santa Cruz e fazer uma almoçarada (ou sardinhada) e jantarada com a família. O ano passado tive o prazer de estar em Paredes de Coura. Este ano, é o chamado turismo. Já não há paciência para festas. No geral e de aniversário em particular. Já não sou o rapaz que esperava ansiosamente por esse dia. Como diria o Stephen Merritt:

"Growing older is killing a child
Who laughed and smiled
At anything
Growing colder and less and less wild
And learning to sing"

E é para falar disso que aqui estou, não para me queixar. Nestes dias passados em Santa Cruz tenho andado a ouvir muito Leonard Cohen. Cada vez gosto mais dele. Cada vez mais lhe reconheço capacidades únicas na escrita de canções. Suponho que seja difícil para os que não leram, mas sugiro a leitura do artigo que veio no suplemento do público, ípsilon, na 5ª feira, sobre ele (a propósito da reedição dos seus três primeiros álbuns). Por isso, aqui fica um excerto da música que mais tenho ouvido, Bird on a Wire:

"If I, if I have been unkind,
I hope that you can just let it go by.
If I, if I have been untrue
I hope you know it was never to you."

segunda-feira, agosto 06, 2007

Sudoeste - dia 5

Albert Hammond Jr. - muito curto mas bom - 6/10
Razorlight - mauzinho - 3/10
James - repetitivos - 5/10
Gillemots - boa surpresa, bastante interessante - 7/10

Of Montreal - tinha algum medo em relação a este concerto. Por um lado são a minha banda preferida no activo, por outro achava que eles tinham um bocado a mania de se armarem em teatrais e que ficaria mal mas a verdade é que foi... perfeito? A teatralidade estava muito bem conseguida, as músicas foram bem escolhidas (ainda que só dos dois últimos álbuns, o tempo não permitia mais), o kevin tava bastante animado, etc, etc - 9.5/10

The National - o Matt Berninger é o gajo mais cool e fixe de sempre. Tava bêbado, esqueceu-se da letra por duas vezes (e ria-se disso) e a maneira de ele estar em palco é única. A sério, o gajo é completamente doido e tem os neurónios todos estoirados da bebida. Ora vagueia no palco como se tivesse sozinho, ora olha para o público com um sorriso de orelha a orelha. Infelizmente, se continuar assim, não acho que vá ter uma longa carreira - 9.5/10

Cheguei a ter 10 nos dois concertos mas há sempre aquelas pequenas coisas e achei que devia dar 9.5.

Penso que tanto os The National como os Of Montreal devem voltar em breve.

Posto isto, despeço-me até não sei quando, que eu agora vou outra vez embora de Lisboa e devo demorar algum tempo a poder aparecer por estas bandas, talvez 15 dias, não sei.