segunda-feira, janeiro 14, 2008

of Montreal - Icons, abstract Thee

Hoje comprei este EP dos of Montreal. Foi lançado o ano passado, depois do álbum Hissing Fauna, Are You the Destroyer? e, pela capa, esperava que estas cinco canções fossem uma extensão do que foi o álbum (até pela capa que se assemelha em tudo ao referido álbum). E é e, ao mesmo tempo, não é.

O facto de as letras serem, tal como no último álbum, depressivas trás, automaticamente, o HFAYtD à baila. Era caso único na carreira dos of Montreal. E parecia que ia continuar depois de ouvirmos a primeira música. Kevin Barnes parece estar de volta à caracterização de personagens que o caracterizou (passo a redundância) durante anos. Instrumentalmente esta, Du Og Mog, é em tudo parecida com algumas das músicas encontradas no Hissing Fauna. A segunda faixa, Voltaic Crusher/Undrum to Muted Da, poderia perfeitamente ter sido feita entre os dois últimos álbuns. Conseguimos facilmente detectar pequenos aspectos que remontam a ambos os álbuns. Já a letra, a melhor de todo o EP, na minha modesta opinião, parece saída de uma fase pós-depressão por letra ser pessoal mas muito altruísta - “And please, please, please God, don't be a bastard / Christ knows she deserves something nice for a change” - mas, por outro lado, faz pouco de si mesmo e parece mais deprimido que nunca - Please don't lose any sleep over me, baby / I hardly exist. É nesta incerteza que partimos para a terceira música. Mais uma vez somos surpreendidos. Desta feita pelo facto de a música ser acústica. Há muito que não víamos uma música destas. Talvez desde a fantástica City Bird do Satanic Panic in the Attic. Já a letra nada tem a ver com os tempos acústicos da banda. A derrota é a palavra de ordem. Ele sente que a derrota é certa, as we struggle against some impossible current, mas parece confuso sobre que passo dar - How can we make things light again? How can we win? - lutar ou desistir? - Leave me, don't leave me alone. Entra a quarta música. A suavidade das músicas acústicas dos primeiros dois álbuns. Uma guitarra a fazer lembrar a já referida City Bird e uma letra sobre a sua preocupação com a filha, Alabee, agora que se encontra divorciado - Little friend, I know I've made it / So, so much harder on us / And lost you / Because I couldn't keep it together. Novamente o altruísmo, diria eu. Com a quinta voltamos ao último álbum. Tem quase dez minutos mas parecem duas músicas diferentes, uma até aos três minutos, uma transição e outra música diferente. Acaba de uma forme triste, com a repetição da frase And I never, ever, ever wanted to write this song / I always thought things would change somehow / And we would start getting along but it’s hopeless / Hopeless.

Se alguém estiver interessado posso tentar disponibilizar isto num desses sites de partilha de ficheiros. Mas vale a pena os 7 euros que dei no El Corte Inglês por ele.

Post-Scriptum: aqui está o link. Têm 7 dias.

sábado, janeiro 12, 2008

Hoje vi


Gostei bastante. A história é boa e está bem contada. O actor principal não é nada de por aí além em algumas cenas e aquele cabelo irrita um bocado (principalmente quando está de boné), com as orelhas de fora e tal, mas escapa. Achei é que tinha demasiadas cenas de skaters a fazerem os truques lá deles. De resto é bom e recomenda-se.

Como tinha duas músicas de Elliott Smith - a The White Lady Loves You More e a Angeles - fiquei com vontade de o ouvir. E agora estou para aqui a ouvir o Either/or quando me apetecia ouvir o New Moon. Alguém sabe onde é que o deixei? Já procurei no quarto e por aqui e não encontro.

Até parece fácil

Post-Scriptum: Escolhi estas duas como poderia ter escolhido outras quaisquer, o álbum é muito constante em qualidade. E funciona muito bem como álbum, o que eu estou a fazer não se faz a um álbum destes mas enfim.


quinta-feira, janeiro 10, 2008

I just can't explain so I won't even try to

Hoje quando acordei lembrava-me do sonho que tinha tido. Não interessa o conteúdo mas de certa forma serviu para me libertar por hoje - pelo menos - de maus pensamentos. Tenho um exame amanhã para o qual não estou minimamente preparado e estou estranhamente em alta. Há coisas que não se consegue mesmo explicar. Talvez ter estado com pessoas tenha ajudado. Mas estou mais inclinado para o sonho.

Bem, fiquem com a alegre - é mais um Morrissey seguro de si, mas não fará isso parte do caminho para a felicidade? -, Alma Matters:


Nunca vi o Morrissey dançar assim, não percebo qual foi a ideia.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

I See a Darkness

Todas as segundas e quartas tenho inglês até às 22h. Depois de sair, faço um pequeno percurso de 20/25 minutos até casa a pé. São dos melhores minutos da semana. Não há quase ninguém nas ruas. Os carros, são poucos. O silêncio é quase absoluto. É portanto uma óptima altura para vir a pensar na vida. E, como quase sempre que ando sozinho pela rua, não dispenso a minha música. Hoje tinha comigo este I See a Darkness.

Segundo o Wikipedia, desde '95 (altura em que o site foi criado), que apenas 11 álbuns receberam 10.0 em 10.0 no Pitchfork Media - dos quais um são bootlegs do Bob Dylan, outro recebeu 10.0 e 0.0, ao mesmo tempo, outro é um EP e dois são de Radiohead, OK C. e Kid A (estes é que festejam mesmo cada vez que o Thom Yorke dá um traque). Sobram-nos seis e este é um deles. Algum exagero, é certo, mas não tanto como se pode pensar. Por exemplo, este ano o melhor álbum, segundo o referido site, é o do Panda Bear com 9.4. Pessoalmente não consigo ouvir o álbum mas é um bocado por razões pessoais. Já no site Allmusic o álbum do Bonnie 'Prince' Billy (pseudónimo de Will Oldham) apenas tem quatro estrelas e meia.

O álbum é perfeito para ouvir à noite. É por isso que aconselho a ouvirem as músicas que vou deixar aqui só quando estiver escuro. Se virem isto de dia, deixem para a noite desse dia, vai saber melhor. Em parte por o álbum ser bastante poético, suponho. Essa é, aliás, uma das razões pela qual mais ele se destaca.

A primeira música é a que dá nome ao álbum e foi o momento mais espectacular do concerto que ele deu em Abril. Encontramos, nesta música, um BPB a dirigir-se a um amigo e a apresentar-lhe o seu lado mais obscuro. De salientar que o já falecido Johnny Cash fez uma versão desta música - versão essa que tem o próprio BPB a fazer segundas vozes - para incluir no seu álbum de versões American III: Solitary Man.

A segunda chama-se Black e faz-me lembrar a música Dear Darkness do último álbum da PJ Harvey. Ou melhor, a da PJ Harvey faz-me lembrar esta. Acho que isto se deve à forma como se dirigem à escuridão. Ainda que o BPB faça uma espécie de personificação da escuridão, refere-se sempre a ela como se fosse uma pessoa, não é difícil de perceber que é dela que ele está a falar. Esta é talvez mais complexa e poética que a da PJ Harvey. Isso pode ser visto até pelo uso, no refrão, da palavra thee, que é uma forma mais poética e antiga de dizer you. Ainda que aqui me pareça que não é (só) para ficar mais bonito ou poético mas para diferenciar a pessoa amada, thee, e a escuridão, you. Curioso é o facto da PJ Harvey considerar esta escuridão uma amiga ao passo que o BPB considera-a quase uma parte dele. Autónoma, tem tendência a "atacar" in the terriblest of weather, mas impossível de destacar: «Now black and I we are together / Fairly just inseparable / And in the terriblest of weather / Our bond is incorruptible». Ainda assim, não deixa de se referir a ela como o inimigo pois tem medo que esta o destrua: «Black was decomposing quickly / This was found offensive to me / His disrespect for life's proprieties / Made me scared he would destroy me.»





Foram estas duas músicas que ouvi no caminho e achei que valia a pena apresentá-las aqui. Espero que esteja tudo bem, é a primeira vez que estou a usar isto. Já tinha experimentado outros sites mas acabava sempre por desistir por serem demasiado complicados.

Curiosidade (em parte para a S. poder dizer "que giro, não sabia" e assim justificar mais um post sobre música) : O Pedro Mexia - que estava no concerto deste ano na mesa mais centrada da primeira fila do Maxime - citou-o para o prefácio de um dos seus livros de poesia. Por essa razão, enviou-lhe uma cópia do livro. Will Oldham respondeu com um bilhete de agradecimento.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Já dizia o outro

«I wanna clean up my head,
don't wanna look this dead,
don't wanna feel this dread.»

Jens Lekman - Black Cab

These Things Take Time

Ao fim de um ano e meio, percebo finalmente o porquê. E não, não é essa a razão. Essa não foi razão suficiente. Continuo, no entanto, sem saber como.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Memória

É nesta hora, em que a cidade já dorme, que as palavras são mais bonitas.

«Tão baço o teu retrato
No álbum da lembrança!
Que vaga semelhança
Entre a imagem que vejo
E a dor que sinto!
Minto
Se te disser
Que te desejo ainda,
Que o meu instinto
Te reconhece e quer.
E sei que um dia me perdi
Em ti
Como se perde o homem da mulher.»

Miguel Torga - Coimbra, 20 de junho de 1978

domingo, janeiro 06, 2008

Estes japoneses

Não vou comentar isto, vejam por vocês mesmos. Mas juro que chorei a rir com isto. Literalmente. Destaque para o 1'51'' e 2'58''.

É por estas e por outras que eu muito, muito raramente bebo álcool*

"(21 May 2004, Texas) Michael was an alcoholic. And not an ordinary alcoholic, but an alcoholic who liked to take his liquor... well, rectally. His wife said he was "addicted to enemas" and often used alcohol in this manner. The result was the same: inebriation.

The machine shop owner couldn't imbibe alcohol by mouth due to a painful throat ailment, so he elected to receive his favourite beverage via enema. And tonight, Michael was in for one hell of a party. Two 1.5 litre bottles of sherry, more than 100 fluid ounces, right up the old address!

When the rest of us have had enough, we either stop drinking or pass out. When Michael had had enough (and subsequently passed out) the alcohol remaining in his rectal cavity continued to be absorbed. The next morning, Michael was dead.

The 58-year-old did a pretty good job of embalming himself. According to toxicology reports, his blood alcohol level was 0.47%."

Edit: * isto pressupõe que quando eu bebo é da mesma forma que este senhor, daí ser uma das razões porque não bebo, mas isso não é verdade. Ou é? Fica a questão para reflexão.

sábado, janeiro 05, 2008

Posts nº 301515 em 5 dias

Nota-se muito que estou de férias de exames, não nota?

Descoberta 2007

A maior descoberta que fiz o ano passado foi este álbum. Do Bob Dylan só conhecia o álbum Freewheelin' Bob Dylan e os clássicos, como é o caso da música "Like a Rolling Stone", desta obra-prima. Foi em Agosto, quando estava em Santa Cruz e apetecia-me ouvir coisas novas (nunca vou lá por recomendações), que peguei neste e no, também enorme, New Skin for the Old Ceremony, do Leonard Cohen. Ouvi, cada um deles, umas trinta vezes nesse curto espaço de tempo (não ia à praia, o que é que querem). Foi portanto apartir deste álbum que me interessei mais pelo Bob Dylan e fui averiguar parte da restante obra. O Blonde on Blonde poderia muito bem ser a "descoberta 2007", já que nada fica a dever a este. Aliás, nos últimos tempos, oiço-o mais que este.

Em 1985, numa conferencia de imprensa, quando lhe perguntaram o significado da capa (enquanto fazia a pergunta o entrevistador diz que a capa tem uma filosofia, palavras com as quais o Bob Dylan se ri), ele disse que era uma foto que tinha tirado e para a qual ainda nem tinha olhado bem. Ao que o jornalista, visivelmente desapontado (para não dizer irritado), responde que "I have thought about it a great deal". Foi só tirada num dia em que estava sentado nos degraus, diz ele. O Bob Dylan é isto. É esta despreocupação que o define.

Fiquem com este vídeo com parte da música "Ballad of a Thin Man" em que se ouvem insultos (estes parecem-me mesmo insultos, mas longe de mim querer influenciar a vossa precepção da cena, caros deputados e deputadas) feitos por ter deixado a folk mais tradicional e ter pegado na guitarra eléctrica. O tempo veio-lhe dar razão, este álbum é hoje um clássico:


sexta-feira, janeiro 04, 2008

Conan O'Brien, o regresso

Como acho que toda a gente sabe, os argumentistas americanos entraram em greve há dois meses ou coisa parecida. Resultado, todos os programas e séries pararam. Não vou entrar aqui em debates político e sociais, obviamente (vejam, por exemplo, este). Nem o saberia fazer, aliás. Quero vos falar de outra coisa. Para quem não sabe, o Conan O' Brien e o David Letterman, decidiram deixar crescer a barba até que a greve acabasse e, por muito surpreendente que possa parecer, o Conan O’Brien tem de facto barba. Que, permitam-me acrescentar, fica-lhe bastante bem. Mas a verdade é que parece que os argumentistas não fazem grande falta, se não vejam este monólogo no dia de regresso do Late Night:


José Castelo Branco

O grande José Castelo Branco está a precisar de uma governanta. Anunciou ele próprio no programa "Às duas por três", incentivando as pessoas interessadas a contactá-lo. Aliás, disseram-lhe para não falar disso no programa, mas ele, rebelde como é, não respeitou essa ordem, expondo o problema a meio da conversa tertuliana. Só há um senão, não aceita homens. Se não concorria, como é óbvio. Ainda que duvide que aceitasse um rapaz de 20 anos. Bem, talvez aceitasse, mas é melhor não entrarmos por aí. Adiante. Acho que as palavras dele foram "naquela casa não entram homens". Senhoras, cheguem-se à frente que o senhor está necessitado.

Entretanto, continua a dizer que tem 45 anos mesmo havendo pessoas que à sua frente garantam que tem 52. E não o conseguem convencer a admitir. Ainda assim, não sei quem é pior, ele que mente sobre a idade e ainda lhe fica pior, se os outros que ainda se dão ao trabalho de lhe dar conversa. Vai-se lá perceber esta gente.



Edit: Não vale dizer: "Pior que eles és tu, que os estavas a ver na tv." Qualquer coisa é melhor que ir estudar e, para além disso, sou um parvo assumido.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Recordar Elliott Smith #2

"I'm not what's missing from your life now
I could never be the puzzle pieces.
They say that God makes problems
Just to see what you can stand
Before you do as the devil pleases
And give up the thing you love
"

Elliott Smith - Pitseleh

Não é quando me sinto mais deprimido que me apetece ouvir Elliott Smith. É, isso sim, quando me sinto mais confuso. E é nestes dias que as palavras ganham mais influência sobre nós. Estamos numa corda bamba de sentimentos e em que, à mínima coisa, podemos balançar para um dos lados. Eu prefiro um propositado balançar para o lado a tristeza. Mais vale mergulharmos que ser empurrados. A queda é de uma mesma altura mas assim somos mais amparados.

O sentimento de confusão é usado como "a mask of self-hate", como muito bem dizia o Ian Curtis, pois nada de positivo poderá vir dele, a esperança "confronts and then dies" sempre. Decidir que não podemos ter aquilo que queremos é muitas vezes um processo que exige pouca auto-estima, perceber que não poderemos ser as peças do puzzle e desistir, mas esse não é dos meus maiores problemas.

E não me venham com tretas, destruir a esperança é importante, sim, quando esta nunca deveria ter existido.

The Twilight Zone

Sinto que preciso de intervir. Este blog sempre se distinguiu, ou tentou-se distinguir, pela liberdade de expressão. Nunca apaguei um comentário, nem tenciono fazer. Mas agora, como dizia o Nelson, e bem (coisa raríssima), isto já parece a Twilight Zone. Pessoas a dizerem coisas sem sentido nenhum, só para gozar com outros leitores e/ou comigo. Que gozem comigo, acho óptimo, façam-no (desde que não sejam coisas providas de sentido), mas peço que parem este gozo com outros leitores. Uma vez tem graça, agora já é só parvoíce (sem ofensa, cara anónima). Para além disso peço que parem de comentar só por comentar. Comentem quando têm alguma coisa de jeito para dizer ou para gozar comigo mas com algum sentido e classe. Era isto. Obrigado.

E agora venha de lá a anónima dizer que estou a defender x e y e que sou uma pessoa que se preocupa com os outros e o diabo a quatro.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Cá estamos

Perante tantos insultos só há uma solução, ficar calmamente a ver

Compra Fnac

David Bowie - Heroes [1977]

1- Beauty and the Beast
2- Joe the Lion
3- Heroes
4- Sons of the Silent Age
5- Blackout
6- V-2 Schneider
7- Sense of Doubt
8- Moss Garden
9- Neuköln
10- The Secret Life of Arabia

Desilusão 2007

É costume falar na maldição do segundo álbum, referindo os Stone Roses, quando uma banda que teve muito sucesso no seu primeiro álbum lança o seu segundo álbum. Não o farei. Mas, a verdade, é que uma banda que em 2005 pareceu ser uma lufada de ar fresco deitou muitas das expectativas criadas, por terra. O álbum não é mau, claro, a questão de eles serem bons nem se põe, mas quando comparado com o anterior parece que, uma banda que parecia ter ideias para dar e vender ficou, de repente, presa a ideias já experimentadas. Basta ver que aproveitaram a música No Cars Go, que era já sobejamente conhecida por todos um ano antes do álbum sair, fazendo uma nova versão que é unanimemente considerada pior. Talvez se os pudesse ter visto ao vivo no SBSR teria uma opinião diferente. Mas é que até mesmo a capa do álbum não vale nada. As melhores músicas: Keep the Car Running, Black Waves / Bad Vibrations, (Antichrist Television Blues) e No Cars Go.

A segunda desilusão foi um artista que, tal como os Arcade Fire, conheci no verão de 2005. Mas, neste caso, o Andrew Bird não me desiludiu com o Armchair Apocrypha que, sendo pior que o anterior, é bastante bom. E o ser pior era já esperado visto que o Andrew Bird & the Mysterious Production of Eggs é um álbum brilhante. O que me desiludiu foi o concerto dele. Já o tinha visto no Lux no início de Setembro de 2005 e digamos que este concerto ao lado do outro é como comparar o cu com as calças. Algumas coisas não são culpa dele como a sala e, consequentemente, o meu lugar, e a sua falta de intimismo. Noutras, terá de assumir que poderia ter feito melhor.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Relativo a um comentário

Segundo a anónima num comentário ali num outro post: "Confirma-se que o xico tem sucesso com as gajas, mas isto eu já tinha dito e ele replicado." Pois tinha, anónima. Ainda por cima deixei tão claro com aquele belíssimo excerto dos Beach Boys. Não se percebe.

Olhar desconfiado

Era com alguma desconfiança que olhava para a passagem de ano [foto]. Por várias razões. Não que não goste das pessoas, gosto. Aliás, a maior parte delas, faço questão de ver uma vez por semana. Era mais porque não gosto de festas (quase no geral, sim). Gosto de coisas mais caseirinhas, mais calminhas. Mas a verdade é que correu bastante bem. Vamos lá ver 2008. A Maya diz que vai ser um bom ano para as pessoas de signo Leão, mas eu não acredito nada nessas coisas (ainda que veja sempre com alguma curiosidade os horóscopos). E olho, também, com alguma desconfiança para a minha sorte. Como diz o Morrissey, conheço-a bem demais.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

2007 -------------> 2008

Não gosto de fazer balanços de final de ano. Suponho que tenha a ver com o facto de nunca ser um balanço positivo. No ano passado escrevi: "Mas 2007 correrá melhor, com certeza. Primeiro, porque é difícil ser pior. Segundo, porque tenho a certeza que será melhor." Acho que o pior é que não posso dizer que foi melhor nem pior. E não estou a dizer que não se pode comparar anos. Não, nada disso. Digo-o porque não se pode comparar duas coisas tão iguais. É claro que houve aspectos em que 2007 foi melhor que 2006 mas, mesmo nesses aspectos, houve coisas piores. (...)

Deu-me de repente uma vontade de ir ler os post mais pessoais que fiz ao longo deste ano. Ia falar sobre o eu não gostar nada de passagens de ano citando um dos últimos posts do Pedro Mexia mas deu-me para outro lado. O que resta do post é sobre isso:

Estive agora a ler alguns dos post mais pessoais que fiz no blog para me lembrar de alguns dos meus dias deste longo ano e decidi que deveria atribuir o prémio melhor post ao post "Lua". Por várias razões. Para começar, as palavras nele contidas estão tão actuais quanto no dia em que as escrevi. Depois, porque teve bastantes comentários. Inclusive, positivos. E, ainda que se fosse hoje mudaria algumas coisas no português, exprimi exactamente aquilo que queria. A frase a reter é "Por fim, não depende de si para estar preenchida." Lembro-me de ter dado algumas voltas à cabeça para encontrar a melhor forma de exprimir esta nossa dependência. Queria que uma pessoa que estivesse a ler o texto sem atenção não desse por esta frase. Por outro lado, queria que ficasse bem clara e expressar a sua importância, daí estar no final do texto, também.

É com este post que fecho 2007. Até para o ano.


Segunda, dia 31 de Dezembro, 13.20: Estive a reler mais dois posts antigos (de Julho), gostaria de destacar o post em que falo da minha mudança mas, principalmente, o post em que falo sobre a morte de um Pombo e como isso se espalha(va) na minha vida. Em primeiro lugar, juntamente com o da Lua. Leiam ou releiam estes post que, não só me parecem dos melhores que fiz, mas também os que me deram mais prazer. E aqueles que fiz sem pensar, apenas por necessidade de desabafar sem ouvir aquelas respostas directas típicas.

domingo, dezembro 30, 2007

Hoje é bom

No one I ever knew or have spoken to
resembles you
This is good or bad
all depending on my general mood

Morrissey - I Like You

sábado, dezembro 29, 2007

Melhor single de 2007

Este ano, o único 'melhor' que vou escolher é o melhor single. Os outros prémios, melhor álbum, melhor música (diferente de melhor single), prémio revelação, desilusão, etc do ano, vão ficar para os primeiros dias de 2008.

Há 4 singles que me vêem logo à cabeça quando penso nos melhores de 2007, são eles All My Friends dos LCD Soundsystem, Stronger do Kanye West, Heimdalsgate Like a Promethean Curse dos of Montreal e, a que vou escolher pôr o vídeo, You Don't Know What Love Is (You Just Do As You're Told) dos White Stripes. É uma escolha polémica, eu sei. Eu próprio vou-me arrepender daqui a nada mas como nunca falei dos White Stripes e muito menos do Icky Thump, que nos seus melhores momentos é um álbum de top, achei que mereciam esta distinção. Não tenho dúvidas que é um grande single, atenção. Mas, claro, qualquer um dos outros três é melhor. Ainda assim, os álbuns dos LCD Soundsystem e dos of Montreal vão receber, aqui no blog, as merecidas distinções e sobre a música Stronger (e a Can't Tell Me Nothin') do Kanye West já falei há tempos. Por todas estas razões, tomem lá:

Agora que já me justifiquei podem mandar as pedras. Mas, já agora, não se esqueçam de mandar pedras ao post anterior também.

Começa por M, acaba em i e no meio tem as letras assimo dut

Ontem fui aos saldos, "para aproveitar que ainda há coisas para escolher". Das várias lojas em que entrei só gostei de duas camisas e um blusão. Sou esquisito até em roupa, o que é que querem. Não havia o meu número em nenhum dos casos. Até em roupa tenho azar, já viram? Mas o mais interessante foi em relação ao blusão que vi na loja do título, nome que não me atrevo a prenunciar por pura vergonha. Na loja da Guerra Junqueiro, depois de consultar o computador, disseram que só havia o meu número nas Amoreiras. Na loja da Avenida de Roma, depois de consultar o computador, disseram que daqueles blusões só tinham sido feitos a partir do 50 (eu queria o 48). Hoje, fui às Amoreiras e estava a empregada a dizer a uma senhora que na época de saldos não conseguem saber o stock das outras lojas. Só sabem contradizer quem tem razão. Sendo assim, já não tenho vergonha de prenunciar o nome da loja onde comprei o meu novo blusão de fazenda, é a Massimo Duti. O meu pai diz que é casaco de velho, suponho que por ser de fazenda. Ao que eu respondi: “Condiz com os óculos.” “Olha, pois é.” Quando tiver 70 anos vou andar de cap, como vocês jovens agora dizem. Para não parecer cota.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Projectos de vida

Por esta ordem:

1- Ser dono de uma livraria. Mas deseganem-se aqueles que pensam que eu percebo alguma coisa de literatura ou que leio muito. Suponho que é essas são as razões pelas quais gostaria de ter uma livraria. Ter tempo para ler e instruir-me é algo que me atrai. Seria do tipo da que aparece retratada na genial série britânica Black Books. Tinha de ter aquele ar britânico e antigo.


2- Ser dono de uma loja de cd's e discos em vinil para fazer concorrencia à Carbono. Mas menos underground. Um pouco como a do Rob Gordon (John Cusack) no filme High Fidelity. Ainda que ele não esteja a fazer concorrência à carbono. Acho eu. Na foto ele está em casa, a mostrar a sua bela colecção de vinis, outra coisa que não me importava nada de ter.


3- Ser dono de um café com música ao vivo. Tipo Sin-é.


Alguém quer fazer uma parceria em algum dos projectos?


PS: E estou a estudar Biologia.
PS2: Já aprendi a justificar o texto. Há uns meses que achava que essa opção tinha desaparecido. Já posso voltar às dissertações sobre a minha vida. Estou a gozar, claro. Isso queriam vocês, seus bisbilhoteiros.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Cherry Peel - Um hino à inocência

In dreams I dance with you
We dance the best in the kitchen
While murderers and rapists surround the house
We don't care, because our house is made of feathers
They wouldn't dare

In dreams I dance with you
Though our bodies are made out of wood


of Montreal - In Dreams I Dance with You

Para a anónima que gosta de anunciar o seu aniversário mas não quer que lhe dêem os parabéns e, quase que aposto, não gosta que lhe cantem os parabéns

sing me Happy Birthday
sing it like it's going to be your last day
like its hallelujah
don't just let it pass on through ya
it's a giant among cliches
and that's why I want you to sing it anyway
sing me Happy Birthday
'cause hell what's it all about anyway


Andrew Bird - The Happy Birthday Song

:)

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Natal - Parte III - As Prendas

Recebi muitas pequenas coisas, das quais faz sentido destacar aqui:

E um marcador de livros daqueles que se compram com o nome, mas que também tinha uma designação. O nome Tiago vinha com Vitorioso. O nome Bernardo, vinha com Corajoso. O meu dizia:
Francisco
Homem Livre

O suficiente para nos deixar a sorrir por vários dias.

Natal - Parte II - As Viagens

Para começar, desejar que o vosso natal tenha sido bom. E agora, o primeiro de ainda-não-sei-quantos posts sobre o natal:

Em duas noites de lua cheia, as viagens de ida e volta foram acompanhadas pelo ex-Pulp, Richard Hawley. Ainda que já tivesse ouvido um bocadinho antes, só nos dias que antecederam a partida é que fiquei com verdadeira curiosidade de ouvir o álbum. Isto por recomendação de duas pessoas-referência diferentes. Primeiro, por uma compilação feita por uma amiga que incluía a Lady Solitude e que me fez perceber que a voz deste senhor merece atenção. E a segunda, pelo meu irmão, que no dia da partida me disse "se gostas de Jens Lekman deves gostar disto. Deves conhecer esta." e pôs a Tonight The Streets Are Ours. Reconheci, e pela primeira vez, fez sentido. Segui-se a Lady Solitude que eu rapidamente reconheci como estando na belíssima compilação acima referida. O álbum é bastante bom mas seria muito melhor se a qualidade que se pode encontrar nestas duas músicas, e também na Valentine, na Serious e na I'm Looking for Someone to Find Me, fosse reproduzido em outras tantas músicas. Mas infelizmente, ainda que mais constante, o Jens Lekman nunca terá esta voz:

sábado, dezembro 22, 2007

Natal

Hoje parto para as Mouriscas, a terra dos meus avós maternos. Perto de Abrantes. Se há altura que sinto que tenho uma sorte imensa é esta. Para começar, reune-se a família toda na casa da minha avó. Somos 8 netos, sendo eu, o segundo mais velho. É portanto uma alegria. Para além disso, na noite de natal reunimo-nos com as duas irmãs do meu avô e as suas respectivas famílias, formando assim uma grande família. O local é à vez, um ano em casa da minha avó, o outro na casa de uma das irmãs do meu avô, o outro na outra casa. E assim sucessivamente. As noites são passadas à lareira, mas isso acho que nem era preciso dizer. E nos dias que antecedem o natal vamos há horta do meu avô apanhar laranjas ou assim.

Aqui estou eu em pequeno a brincar com uma enchada debaixo de uma laranjeira. A foto já é antiga e está em más condições mas dá para ver que estou com uma camisola natalícia e uma boina do campo. Como diziam os Zombies:

«Sometimes I think I'll never find
Such purity and peace of mind again
»

Fiquem agora, tal como o ano passado, com este What's this? retirado do filme The Nightmare Before Christmas.


E já agora com Little Saint Nick dos Beach Boys.


E pronto, era isto. Quis apenas partilhar um pouco do meu espírito natalício com vocês.

Bom Natal para todos.

António Lobo Antunes

Primeiro que tudo, dizer que nunca li um livro dele. Acho que me interessa mais a pessoa que a obra. Não me parece que se lesse um dos seus livros ia gostar mas no entanto acho que fala da sua vida de uma forma interessantíssima. Lembrei-me de falar dele porque hoje à noite ele deu uma entrevista fantástica no noticiário das 21h da Sic Notícias, com o Mário Crespo. O Mário Crespo é, já de si, um grande entrevistador. Não faz as perguntas mais óbvias e, mesmo se as fizer, são feitas de uma forma aberta, que permite ao entrevistador falar sobre o assunto e, ao mesmo tempo, que não possa fugir à pergunta de uma forma rápida. Falou-se pouco sobre o último livro e muito de coisas pessoais.

Mas esta não é a primeira vez que fico fascinado com uma entrevista do ALA. Há tempos ele deu uma entrevista à revista Visão (revista em que ele é colaborador, mas já lá iremos), aquando do lançamento deste mesmo último livro: O Meu Nome é Legião. Mas não se ficaram por aí, sendo aquela a primeira entrevista que dava desde que tinha tido o cancro, esse acabou por ser um dos principais temas. A angústia sentida no hospital, as mudanças que aquela experiência provocou e o reaprender a escrever, por exemplo. Devo confessar que aquela entrevista me impressionou bastante, principalmente porque tinha lido, em Abril, a fabulosa crónica que ele escreveu na revista sobre o que estava a passar no hospital. Esse, aliás, foi certamente o texto que mais me impressionou e mais me comoveu em toda a minha vida. Aqui fica um pequeno excerto desse mesmo texto que encontrei na Wikipédia:

«(...) Este mês deram-me um prémio literário. (...) e sem que eles sonhassem (sonhava eu) o cancro ratando, ratando, injusto, teimoso, cego.»
António Lobo Antunes in Revista Visão de 12 de Abril de 2007

Para além destes meus 3 encontros com ALA, tenho ainda de referir que foi graças a ele que descobri as últimas linhas dos 11 Outlined Epitaphs do Bob Dylan (que aliás já postei aqui). Está no prefácio de um dos seus livros. E como nunca é demais referir:

«Lonely? ah yes
but it is the flowers and the mirrors
of flowers that now meet my
loneliness
and mine shall be a strong loneliness
dissolving deep
to the depths of my freedom
and that, then, shall
remain my song
»

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Vinis

Hoje tive na Carbono e, em princípio, esta será a prenda que o meu irmão vai receber no natal. O primeiro álbum dos Mutantes, banda brasileira de pop-psicalécico dos anos 60 e 70, para quem não sabe. Infelizmente, nunca ouvi o álbum mas dizem que é muito bom. Sei que o meu irmão gosta e sempre é uma coisa diferente. Para mim gostava imenso de comprar o Family Tree do Nick Drake. Aquilo tem mesmo bom aspecto, o problema é que são 35 euros.

Morrissey

Numa entrevista dada à BBC 2, sobre ter sido votado pelo público como sendo um dos 3 icones britanicos ainda vivos (juntamente com David Attenborough e Sir Paul McCartney), quando questionado sobre as pessoas irem ter com ele e dizer-lhe I love you e you're my hero,etc. Steven Patrick Morrissey, responde:

Yes, it’s very true. And it’s fascinating because it implies you are part of their life forever. And even if they go off you eventually, you’ll always stay in their hearts somewhere because it’s almost as if we’ve been through a certain period of time together that is unforgettable.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

2006

Hoje saí às 7.30 de casa. A chuva não dava descanso a ninguém, nem mesmo às pessoas que iam de guarda-chuva (que não era o meu caso). Ainda assim, a escolha do CD que levaria no meu discman (sim, eu sou um fiel possuidor de uma destas raridades) revelou-se perfeita. Possivelmente, um dos álbuns mais adequados a um dia de sol no Outono que conheço (sendo que o melhor é o In the Aeroplane Over the Sea dos Neutral Milk Hotel). E talvez por isso, acabou por me transportar para uma outra realidade (aliás, o nome do álbum é Let's Get Out of This Country) e, consequentemente, ajudar a ultrapassar o facto de os ténis estarem a ficar mais molhados a cada passada. Isto tudo para dizer que este álbum só não consta na minha lista de melhores álbuns de 2006 porque ainda não o conhecia. Provavelmente era o dos Sparklehorse que saía. Aqui fica um cheirinho de uma das letras (uma parte que eu adoro e que, às vezes, acho que podia ser dirigida a mim):

You can’t see that you’re just the same
As all the stupid people you hate
I’m not saying I’m free from blame
Because I need all the friends I can get

terça-feira, dezembro 18, 2007

King Creosote - Bombshell

Não é um álbum fantástico nem um dos melhores álbuns do ano, mas a verdade é que ninguém o conhece e isso é uma injustiça do caraças. Nem sequer teve direito a crítica no Pitchfork nem nada. (Era uma 'piada', não era pretensiosismo. E dizer piadas sem piada não é ser pretensioso, é só ser parvo. O que não é necessariamente melhor.) Para além de ser um bom álbum tem uma das melhores músicas de abertura de um álbum este ano, se não a melhor. A música chama-se Leslie e a parte instrumental é apenas um acordeão. A letra pode ser encontrada, pelo menos até há pouco tempo, apenas no site SongMeanings uploadada por este que vos escreve.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

O melhor de 2007

Na lista que divulgarei aqui no blog nos próximos dias este vai constar como o melhor álbum de 2007. É quase épico, caraças.

E se tivesse essa categoria, de pior capa. Que ainda por cima tem a ver com a pior música do álbum, Shirin.

Fiquem com um aperitivo do que é o álbum, ainda que aqui a música The Opposite Of Hallelujah apareça despida de orquestrações:



Não conheço muitos cantores que escrevam letras assim tão boas. E o rapaz é sueco.

Nada

O post foi apagado por ser demasiado pessoal e o autor se ter arrependido.

domingo, dezembro 16, 2007

O sentido é uma construção cultural

Pessoa 1: Ouviram?
Pessoa 2: Será uma cadeira velha a ranger?
Pessoa 3: Será um osso a estalar?
Pessoa 4: Não! É um traque do Thom Yorke!
Todos: Yeah!

sábado, dezembro 15, 2007

Esta Noite

Afinal


Parece que afinal fui ver o filme. Mas não fui eu que tomei a iniciativa, lá está.

Sobre o filme, dizer que gostei imenso de tudo. Desde ser muito parado até à banda sonora, que incluí David Bowie e Velvet Underground, entre outros, passando pela interpretação do Sam Riley (o serem parecidos, ainda que o Ian Curtis tenha uma cara de pessoa mais afável e calma, não é esencial, mas ajuda). Só não gostei de uma coisa: é demasiado parcial. Nota-se perfeitamente que foi baseado na biografia da mulher dele. Dei por mim, a meio do filme, e fiquei no final, um pouco desiludido com o Ian Curtis enquanto pessoa. Mas suponho que haja ali cenas que são inventadas e dou o benefício da dúvida ao rapaz. A verdade é que saí da sala de cinema com vontade de aprofundar o meu não muito vasto conhecimento do Unknown Plesures, do Closer (que é o que conheço melhor) e do Substance.

Acho que o mais interessante é perceber o que o levou a escrever as letras que todos nós conhecemos e admiramos. As histórias por de trás das letras. Ainda que fique sempre aquela sensação de que é abuso de privacidade. E é. Um bocado. Epá, é. É, não é?

Aliás, o mais interessante é perceber que ele era uma pessoa como outra qualquer. Com um emprego como funcionário público e tudo. Se não é o mais interessante é, com certeza, o facto mais desconcertante.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Cinema

Filmes que estão no cinema e eu quero ver mas que, como é meu costume, vão passar sem os ir ver:



quarta-feira, dezembro 12, 2007

Recordar Elliott Smith

Don't you dare disturb me
While I'm balancing my past
Because you can't help or hurt me
Like it already has


Elliott Smith - Bled White

terça-feira, dezembro 11, 2007

Descubra as diferenças

The Smiths - The Headmasters Ritual [Live @ Madrid]


(Se preferirem a versão playback para TV está aqui)

Radiohead - The Headmasters Ritual [Webcast]


Edit: Curse of Millhaven, se gostares de Morrissey não chega para te decideres a conhecer bem os Smiths que tal serem uma influência de Radiohead? ;)

domingo, dezembro 09, 2007

Especial fim- de-semana: The Magnetic Fields Parte II - Domingo - Versão 2

Dizia eu que não havia nenhuma música em especial mas afinal há. E, ainda que eu esteja farto de dizer que o CD 3 do 69 Love Songs é o pior, é novamente deste CD que retiro a fantástica 'How To Say Goobye'. Lembrei-me dela porque, enquanto lanchava,estive a ver um bocado daquele filme com a Julia Roberts, O Casamento do meu Melhor Amigo ou assim, que já todos vimos. E quando me pus a ouvir a música, isto fez um sentido do caraças.

The only thing that I could ever feel
I can't believe it wasn't real
The only thing that I could ever feel
I can't believe it wasn't real
You can't open your mouth without telling a lie
but baby, you know how to say goodbye

The thing I spent my whole life waiting for
has just walked out and locked the door
The thing I spent my whole life waiting for
has just walked out and locked the door
You can't feel a thing and you won't even try
but baby, you know how to say goodbye

I'm overjoyed to hear about your wedding
I'm writing you to wish you every blessing
I'm overjoyed to hear about your wedding
I'm writing you to wish you every blessing
and I'm so happy I could cry
Oh baby you know how to say goodbye

Especial fim- de-semana: The Magnetic Fields Parte II - Domingo

Como escolher outra letra para por aqui seria quase impossível (ontem não foi uma escolha, não conseguia parar de cantar aquela), decidi que hoje teriam direito a um vídeo. Isto reduz as hipóteses a quase nenhumas, visto que há apenas 4 vídeos de uma actuação ao vivo em Cambridge, sendo que um dos vídeos não tem a música completa. Assim, a minha escolha recaí sobre a "Yeah! Oh, Yeah!", de longe a melhor das outras 3, música retirada do não tão bom CD 3 da obra-prima 69 Love Songs. Parece que as pessoas não conheciam a música visto que ainda riem da letra. Ainda que seja uma letra triste é propícia a este tipo de reacção. O Stephen Merritt é o tipo de escritor de canções que faz isto. Como o Morrissey ou o Jens Lekman, que é comparado muitas vezes aos dois anteriores. A parte instrumental da música é, também ela, belíssima.

Os Magnetic Fields são a banda que mais quero ver ao vivo. Sobre isso não há dúvidas. Há dois anos e meio que espero por esse dia. Será uma experiência bastante emocional visto que eles me dizem tanto. Principalmente em dias como este. Como eles vão lançar um álbum no início do próximo ano e já têm algumas datas marcadas, pode ser que passem por cá. Como grande fã da Aula Magna, esse seria, para mim, o sítio ideal. Enfim, deus queira que sim, que venham.

Sem mais demoras, aqui fica "Yeah! Oh, Yeah!" os Magnetic Fields:

sábado, dezembro 08, 2007

Especial fim- de-semana: The Magnetic Fields Parte I - Sábado

Nada como um fim-de-semana a ouvir Magnetic Fields. Neste momento, estou com a 'The Flowers She Sent and the Flowers She Said She Sent' e a 'All the Umbrellas in London' na cabeça. Duas músicas de albuns anteriores à obra prima 69 Love Songs. Nesta segunda música ele diz: 'all the dope in New York couldn't kill this pain' e a verdade é que os Magnetic Fields são, talvez, o mais próximo de 'matar esta dor' que conheço.

If I live through the night
I could be alright
It could make a good song or something
I've been trying to give myself reasons to live
But I really can't think of one thing

I drive around
I walk around in circles
'Cause I've got no sense of direction
I guess I've got no sense at all

All the umbrellas in London couldn't stop this rain
And all the dope in New York couldn't kill this pain
And all the money in Tokyo couldn't make me stay
All the umbrellas in London couldn't stop this rain

I don't cry anymore
I walk out of the door
And I usually keep on walking
I may sit in a bar
Where the cocktails are
But I really don't feel like talking

I ride around
And let the darkness fall
'Cause I've got a sense of perfection
And nothing makes much sense at all

All the umbrellas in London couldn't stop this rain
And all the dope in New York couldn't kill this pain
And all the money in Tokyo couldn't make me stay
All the umbrellas in London couldn't stop this rain

Castanets @ Maxime


Cedo se percebeu que público era coisa que não existia para este concerto. No total, havia cerca de 40 pessoas para o concerto, um grupo de 30 pessoas num jantar de família e pequenos grupos num total de 40 pessoas. Estariam, portanto, cerca de 110 pessoas no Maxime, das quais apenas 40 tinham pagado os 8 euros de entrada pelo concerto. O resultado foi desastroso. O que poderia ter sido um concerto muito interessante e com carga emocional elevada, foi apenas uma vergonha para quem estava lá para o concerto. Senti vergonha e irritação pelo facto de as pessoas que não estavam lá para o concerto estarem constantemente a falar e rir. Um desrespeito pelo artista e por quem foi lá para o ver.

O senhor Raymond Raposa estava sozinho em palco, acompanhado apenas pelo seu pedal de loops. Vestido à lenhador americano, com chapéu de rede e tudo, e com a sua barba a atingirem os níveis de espectacularidade que podem ver na fotografia. Os tiques eram os mesmos que o do Bonnie 'Prince' Billy (também ele com uma bela barba), que tive o prazer de ver também no Maxime. A música era um pouco mais experimental mas, também ela, não andou muito longe da produzida pelo B 'P' B. O problema é que o Will Oldham já anda nisto há mais de 10 anos, através de projectos vários (sendo o projecto mais interessante o Bonnie 'Prince' Billy). Assim, já tem um público que lhe é fiel. O senhor Castanets, não. E essa é a razão pela qual, mais de metade das pessoas que lá se encontravam, não terem o mínimo interesse em ver o concerto. Sem microfone, e dirigindo-se para as mesas que sabia terem pessoas que queriam ver o concerto, chegou mesmo a comentar o facto de haver pessoas a falar e rir. Por esta razão, encurtou o concerto para uns escassos 45 minutos. Uma hora, no máximo. Quando fez encore disse qualquer coisa do tipo: It sounded like some of you didn't want me back. E, provavelmente, tinha razão. O encore foram duas músicas pedidas pelo público, que ele concordou em tocar sem qualquer hesitação.

Depois do concerto, foi beber um copo e conviver com quem quisesse trocar meia dúzia de palavras com ele. Já antes do concerto tinha estado ao balcão, a beber, sozinho.

Mas mesmo depois disto tudo, saí de lá com vontade de ouvir melhor os três albuns que ele já editou (eu antes de 3ª nunca tinha ouvido nada dele). Em parte pela simplicidade que mostrou ter.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

The Killing Moon


Depois da referência ao álbum Ocean Rain dos Echo & the Bunnymen no blog Sound + Vision decidi voltar a pegar-lhe. Pena que não tenha mais nenhuma música tão boa quanto esta.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Não me parece que Deus vá na conversa do 'ah, e tal, se fosse eu'


Here lies Martin Engelbrodde,
Ha’e mercy on my soul, Lord God,
As I would do were I Lord God,
And thou wert Martin Engelbrodde.

domingo, dezembro 02, 2007

(...)
«And I wish that I was made of stone
So that I would not have to see
A beauty impossible to define
A beauty impossible to believe

A beauty impossible to endure
The blood imparted in little sips
The smell of you still on my hands
As I bring the cup up to my lips

No God up in the sky
No devil beneath the sea
Could do the job that you did, baby
Of bringing me to my knees

Outside I sit on the stone steps
With nothing much to do
Forlorn and exhausted, baby
By the absence of you
»

Nick Cave & the Bad Seeds - Brompton Oratory

quinta-feira, novembro 29, 2007

The Beatles

Não me lembro se já fiz algum post sobre os Beatles. É imperdoável, se não fiz, e impensável, que não tenha feito.

Os Beatles foram 'só' a banda mais importante e influente da história da música. Devo confessar que cheguei a eles já tarde. Comecei por perceber que a ideia que tinha deles era totalmente errada quando o Kurt Cobain dizia ser fã deles. O meu ídolo, era fã daqueles parvos? Se calhar não eram parvos. A ironia era que o parvo era eu. Mas eu nem saberia o significado da palavra ironia, nessa altura. Mudava que estava a minha mentalidade faltava agora dar o salto e pegar num álbum deles e começar a ouvir. Um dos maiores impulsos veio do meu professor de Cambridge, o mesmo que me fez ouvir Smiths, que volta e meia, lembrava-se de os referir e/ou cantarolar uma das suas músicas. Mas, tal como nos Smiths, o facto de o meu irmão já os ouvir foi essencial, tinha acesso fácil ao trabalho das bandas e não havia desculpas de preguiça. Lembro-me até de ouvir uma vez o Sgt. Peppers e o Revolver enquanto o meu irmão os ouvia e só ter achado engraçado mas, ainda assim, ter percebido que havia ali qualquer coisa. Adiante. Peguei então no red album ou album vermelho ou 1962-1966, como preferirem. Foi amor à primeira audição. O único senão era que implicava, e implico, com a Drive My Car e com a Yellow Submarine. Mas como não gostar de um álbum que tem a Yesterday, a Please Please Me, a All My Loving, a You've Got To Hide Your Love Away ou a In My Life, tirando todas as outras. O passo seguinte podia ter tomado várias direcções, todos os álbuns são clássicos. Acabei por introduzir o Rubber Soul (1965), que acabava por não constituir uma grande novidade visto que a maior parte das músicas estava incluída na compilação vermelha, e o blue album, que incluía a restante carreira dos Beatles, 1966-1970. Agora sim, começava a tomar verdadeiro conhecimento do que ali estava. Ainda que a minha mentalidade estivesse mudada, estava longe de perceber o grau de experimentação que eles incluíam nos seus álbuns. Havia ali de tudo e tudo era diferente do que estava para trás de 1966. Depois disso parti para o Revolver (1966) e o Sgt. Peppers (1967), dois clássicos. E, mais tarde, os restantes álbuns destes senhores. Posso agora dizer que o que mais me impressiona é a qualidade e quantidade, no fundo, a facilidade, com que eles faziam música que satisfazia tanto o público em geral, de todas as gerações, como os críticos. Nenhuma outra banda conseguiu fazer isto.

Vou deixar aqui três vídeos deles. Peço desde já desculpa ao Harrisson por não ter incluído nenhuma das músicas dele mas a Here Comes the Sun e a Something são das minhas preferidas. Estas três não são necessariamente as minhas músicas preferidas deles mas adoro-as:

You've Got To Hide Your Love Away


Hey Jude


Revolution

terça-feira, novembro 27, 2007

Parte II

Tiptoe down
To the holy places
Where you going now
Don't turn around

Little girls
In their party dresses
Didn't like
Anything there

Pretty boys
With their sunshine faces
Carrying their
Heads down

Tiptoe down
To the lonely places
Where you going now
Don't turn around


My Bloody Valentine - Loomer

segunda-feira, novembro 26, 2007

Gato Fedorento, Pet Sounds, Certezas e Morrissey

Hoje de manhã estive a ver os videos do programa do Gato Fedorento de ontem, já que ontem estava no hospital e não pude ver. Isto claro, fez-me ficar mais bem disposto mas teve outra particularidade mais importante: fez-me ir buscar o Pet Sounds (cd do qual sou possuidor de uma das melhores edições esta) já que num dos scketches aparece a fantástica 'Wouldn't It Be Nice'. Já vi escrito há muito tempo, aliás, que um deles é um grande fã do álbum, ou é o Zé Diogo Quintela ou o Miguel Góis, não me recordo. Assim, hoje foi um dia bastante bem passado.

Mais importante ainda, quando vinha agora à noite na rua vinha com aquela sensação de certeza naquilo que sinto, faço e tenho a fazer, o que me deixa bastante calmo, que é o mais importante.

É para representar isto que vos deixo um pouco da magnífica Alma Matters (no princípio do vídeo o Morrissey até brinca com um gatito, o que torna a coisa querida) que acaba por referir um pouco esse sentimento de certeza:

So the life I have made
May seem wrong to you
But, I've never been surer
It's my life to ruin
My own way


A frase I've never been surer é daquelas frases que sabe mesmo bem dizer com um sorriso nos lábios.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Gastroenterite

Edit: Os ovos só aparecem na imagem porque são os principais suspeitos. Longe de mim querer desrespeitar a presunção de inocência.

terça-feira, novembro 20, 2007

Bob Dylan e Johnny Cash

No álbum The Freewheelin' Bob Dylan insandwichada entre duas músicas de protesto "Blowin' in the Wind" e "Masters of War" aparece esta "Girl from the North Country". Mais tarde é repescada para o álbum Nashville Skyline num dueto com Johnny Cash. Esta versão apresenta um arranjo bastante diferente e, enquanto que na sua versão original parece haver dor na voz do mestre Dylan, nesta versão parece haver 'apenas' saudade. Para além disso, a belíssima estrofe «I'm a-wonderin' if she remembers me at all. / Many times I've often prayed / In the darkness of my night, / In the brightness of my day» não é cantada nesta versão. Talvez, para dar o tal efeito de uma saudade ligeira, passageira. Apenas esta música foi editada em álbum vinda das sessões que decorreram em Fevereiro de 1969 mas muitas mais foram as músicas gravadas (podem, inclusivé, ser encontradas num álbum que as compila). E não disse isto tudo só para mostrar conhecimento, disse-vos isto tudo para vos introduzir o vídeo que se segue, Bob Dylan e Johnny Cash em "Girl from the North Country", no programa do próprio Johnny Cash:

domingo, novembro 18, 2007

I Won't Share You

Diz-se que Stephen Street, produtor do quarto e último álbum dos Smiths, 'Strangeways, Here We Come', chorou a primeira vez que ouviu a música "I Won't Share You". E compreende-se perfeitamente que o tenha feito. Esta música é a prova de que a simplicidade é muitas vezes a melhor opção.

sábado, novembro 17, 2007

Explicação

Quando fiz três dos últimos quatro posts reparei que tinham uma estrutura muito à Estado Civil. Mas não me preocupei muito com isso. Suponho que seja normal isso acontecer de vez em quando. O blog do Pedro Mexia é o melhor blog que conheço e, por isso, a minha maior influência bloguer. Mas estou longe de me querer comparar ao Sr. Mexia.

Vou fazer os possíveis para que não volte a acontecer uma cópia tão descarada.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Indecisões (2)

O que não quer dizer que não consiga ver as coisas com uma clareza desconcertante.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Indecisões

«És a pessoa mais indecisa que conheço.»

E foi num jogo de cartas.

Teachers

Who is it whom I address,
who takes down what I confess?
Are you the teachers of my heart?
We teach old hearts to rest.

Oh teachers are my lessons done?
I cannot do another one.
They laughed and laughed and said,
Well child, are your lessons done?
are your lessons done?
are your lessons done?

quarta-feira, novembro 14, 2007

Horóscopo

«Situações não resolvidas da sua vida passada podem surgir agora para serem solucionadas.»

O que o Sr. Paulo Cardoso não sabe é que a minha vida é, toda ela, uma situação não resolvida.

terça-feira, novembro 13, 2007

Forlorn hope

Depois de ter dito, no post anterior, que o melhor álbum de 2006 era o 'Ringleader of the Tormentors' decidi ir ver o que tinha dito em janeiro sobre os melhores álbuns desse ano (aqui) para ver se não me estava a contradizer e deparei-me com isto:

É com alegria que vejo 2006 acabar. É verdade, 2006 foi um ano mau, começou muito mal e acabou mal. Lá para o meio foi médio fraco. Mas 2007 correrá melhor, com certeza. Primeiro, porque é difícil ser pior. Segundo, porque tenho a certeza que será melhor.

A minha primeira reacção foi soltar uma gargalhada. De certa forma tem piada. Depois lembrei-me, por ter haver com esperanças vãs, de um dos poucos excertos do Livro do Desassossego, que me lembrei de retirar da estante recentemente pela sua refência aqui, que tenho na memória. Se eu tivesse o génio de Pessoa em mim, escreveria qualquer coisa muito parecida com isto:

«Tenho assistido, incógnito, ao desfalecimento gradual da minha vida, ao soçobro lento de tudo quanto quis ser. Posso dizer, com aquela verdade que não precisa de flores para se saber que está morta, que não há coisa que eu tenha querido, ou em que tenha posto, um momento que fosse, o sonho só desse momento, que se me não tenha desfeito debaixo das janelas como pó parecendo pedra caído de um vaso de andar alto. Parece, até, que o Destino tem sempre procurado, primeiro, fazer-me amar ou querer aquilo que ele mesmo tinha disposto para que no dia seguinte eu visse que não tinha ou teria.

Espectador irónico de mim mesmo, nunca, porém, desanimei de assistir à vida. E, desde que sei, hoje, por antecipação de cada vaga esperança que ela há-de ser desiludida, sofro o gozo especial de gozar já a desilusão com a esperança, como um amargo com doce que torna o doce doce contra o amargo. Sou um estratégico sombrio, que, tendo perdido todas as batalhas, traça já, no papel dos seus planos, gozando-lhe o esquema, os pormenores da sua retirada fatal, na véspera de cada sua nova batalha.

Tem-me perseguido, como um ente maligno, o destino de não poder desejar sem saber que terei que não ter. Se um momento vejo na rua um vulto núbil de rapariga, e, indiferentemente que seja, tenho um momento de supor o que seria se ele fosse meu, é sempre certo que, a dez passos do meu sonho, aquela rapariga encontra o homem que vejo que é o marido ou o amante. Um romântico faria disto uma tragédia; um estranho sentiria isto como uma comédia: eu, porém, misturo as duas coisas, pois sou romântico em mim e estranho a mim, e viro a página para outra ironia.
»

segunda-feira, novembro 12, 2007

Melhor música de 2006

Disse, no outro post, que a 'The Past Is A Grotesque Animal' é a melhor música deste ano por isso achei que valia a pena recordar qual foi a melhor música do ano passado, retirada do melhor álbum do ano passado (não se assustem com o distúrbio inicial do vídeo, o vídeo está óptimo):



Will you follow and know
Know me more than you do
Track me down
And try to win me?

domingo, novembro 11, 2007

Clássico


Há um ano, numa aula teórica de matemática, foi me sugerido que eu ouvisse este álbum. O problema é que há sempre coisas para ouvir. Coisas essenciais, como é o caso de Nick Cave (para uma pessoa com um gosto musical como o meu). Não basta conhecer duas ou três músicas para estes artistas, é preciso ouvir muito mais que isso para perceber o culto que se gera à volta deles. Mas eu não vou lá por sugestões, tenho de me sentir curioso por esse culto e/ou pelo cantor.

No outro dia o meu irmão dizia: «mesmo que hoje parassem de fazer álbuns, não conseguía ouvir nem metade daquilo que já foi feito até hoje». E é verdade, por mais que vá colmatando algumas das falhas que o meu gosto musical possui, há sempre clássicos por ouvir. Que, na maior parte dos casos, não são clássicos por acaso. Suponho que seja essa a beleza da música enquanto indústria, tem tanta coisa para nos oferecer que não paramos de procurar coisas novas.

E assim, ainda que tenha demorado algum tempo a chegar a este belíssimo álbum, mais uma das minhas falhas está colmatada e, até certo ponto, o culto está compreendido. Assim que este tiver este completamente digerido, já tenho o 'From Her to Eternity' para ouvir.

sábado, novembro 10, 2007

of Montreal

Ao ouvir o álbum deste ano dos 'of Montreal', que já não ouvia há algum tempo, percebo três coisas:

1- Os of Montreal são a melhor banda da actualidade;

2- O concerto que eles deram no fantástico dia 5 do Sudoeste foi o melhor concerto a que já assisti em toda a minha vida;

3- A 'The Past Is A Grotesque Animal' é a melhor música do ano. Talvez do século. É, seguramente, a melhor música com mais de 10 minutos de sempre;

quinta-feira, novembro 08, 2007

The Smiths - Handsome Devil


THEIR THIRD LIVE PERFORMANCE RECORDED ON THE NEW BANDS SHOWCASE NIGHT AT THE HACIENDA CLUB, MANCHESTER ON THE FOURTH OF FEBRUARY, NINETEEN EITHY THREE

É com alguma emoção que vos escrevo. Hoje comprei o single 'Handsome Devil' dos Smiths em vinil (novo) por 15 euros na Carbono. Peço desculpa de a imagens não estarem completas mas o vinil não cabia todo no scanner e não existem imagens disto no google. É um misto de single e bootleg. As músicas foram gravadas em 1983 e são ao vivo com uma setlist constituida por algumas músicas do primeiro álbum e músicas que mais tarde viriam a ser editadas como/em singles:

Lado A
1. These Things Take Time
2. What Difference Does It Make?
3. The Hand That Rocks The Cradle
4. Handsome Devil

Lado B
1. Jeane
2. What Do You See In Him?
3. Hand In Glove
4. Miserable Lie

Conheço algumas raridades dos Smiths, se é que se pode chamar raridades à 'Wonderful Woman' e à 'Work Is A Four-Letter Word', mas não conhecia esta 'What Do You See In Him?', a explicação veio ao ouvir a música. É "apenas" uma versão muito primária da 'Wonderful Woman'. Basicamente, só a letra é que é totalmente diferente. Outra nota que eu gostava de deixar aqui é o facto de ter a 'The Hand That Rocks The Cradle' que tem sido uma das minhas músicas favoritas desde há uns tempos a esta parte. É talvez a minha música preferida de sempre agora (há muito pouco exagero nesta afirmação). Ainda que aqui esteja um pouco descaracterizada do ambiente que podemos encontrar na versão do primeiro álbum, é ela a razão para a capa (para quem não sabe Cradle é berço). É uma das poucas músicas dos Smiths que não é assumidamente Pop e, talvez por isso, foi das últimas a tocar-me. Mas já me toca, principalmente hoje.

There's sadness in your beautiful eyes
Oh, your untouched, unsoiled, wonderous eyes
My life down I shall lie
Should restless spirits try
To play tricks on your sacred mind
(...)
So rattle my bones all over the stones
I'm only a beggar-man whom nobody owns
Oh, see how words as old as sin
Fit me like a glove
I'm here and here I'll stay
Together we lie, together we pray
There never need be longing in your eyes
As long as the hand that rocks the cradle is mine

Gostava de ter tudo o que há para ter dos Smiths em vinil. Por um lado porque os Smiths foram a última banda de singles, no sentido dos editar os singles com o cuidado que eles merecem, e não lançar só videoclips, e porque têm sempre capas lindíssimas e/ou provocadoras, como é o caso desta ( a fazer lembrar a capa do álbum 'Green Mind' dos Dinossaur Jr.). E, claro, no vinil, a capa tem um papel muito mais importante do que alguma vez terá no cd.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Desculpa lá, Rufus


Duvidei das capacidades deste senhor e ontem levei com um concerto magistral em cima.

A hora prevista para a abertura das posta era 20.15 mas às 20.10 já elas estavam abertas. Comprei o bilhete e entrei. Às 20.20 já a banda de abertura tocava para um coliseu completamente vazio (cerca de 40/50 pessoas).
Hora prevista para o concerto começar: 21.15. Hora a que o concerto começa 21.17. Muitas pessoas perderam várias músicas por essa razão. Provavelmente, muitas delas, porque estavam a ver o Benfica. Bem feito.
Posto isto, o concerto. E que melhor maneira de definir o concerto que não: um concerto à Rufus? Foi de facto um concerto à Rufus. Com isto quero dizer que, para além do óbvio, houve direito a muitas histórias, muitas piadas e muitos momentos de rara beleza (principalmente quando sozinho). Muito parecido com o concerto que tinha dado há um ano e meio mas melhor em todos os aspectos. Momentos altos da noite foram, para mim, a "Cigarettes and Chocolate Milk" que suou incrivelmente nova, as músicas dos Wants (principalmente, a 14th Street), quando ele cantou sem microfone (que confirmou todo o potencial da sua voz) apoiado apenas pelos instrumentos de sopro, os duetos com a mãe e a "Get Happy" com toda a banda a fazer coreografia. Só faltou a "Go or Go Ahead" para ser ainda melhor.

Os rasgados elogios ao concerto são gerais.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Rufus Wainwright @ Coliseu

É amanhã. É a terceira vez que o vou ver. Da primeira vez, a 13 de Novembro de 2004 na Aula Magna, ele estava sozinho. Fui por pura curiosidade e sem grandes expectativas. Saí maravilhado. Na segunda, a 24 de Abril de 2005, já eu tinha grandes expectativas (ia como fã) e já ele tinha uma banda a apoia-lo. Entre eles Joan as Police Woman que, para além disso, abriu o concerto e Matt Johnson, baterista num dos melhores álbuns de sempre, estou a falar, claro, do álbum Grace do Jeff Buckley. Tive, no entanto, uma pequena desilusão. As expectativas eram altíssimas e esperava um tipo de concerto mais intimista, que com banda não é possível. Agora, as expectativas estão relativamente baixas. Ainda assim, ele merece que eu o vá ver. O concerto da Aula Magna levou-me a ouvir coisas bem diferentes do que ouvia antes. Foi muito importante para mim, nesse sentido. Por isso, lá estarei, ainda que tenha más memórias de concertos a que fui sozinho, a dar-lhe a oportunidade de me voltar a conquistar (é engraçado que por ele ser gay, este tipo de frases soa um pouco estranho).

Post-Scriptum: O gajo é uma pessoa com imensa piada e cheia de histórias por isso haverá, com certeza, um ambiente alegre na sala.

domingo, novembro 04, 2007

quarta-feira, outubro 24, 2007

Pequena excepção. Definitivamente, não um regresso

A segunda parte deste blog começou há mais de um ano. Inicialmente começou como a primeira parte tinha sido, um conjunto de actualidades que me interessavam. Expressei, mais tarde, sentimentos neste post e aos poucos o blog passou a ser quase que um diário, ainda que com uma tentativa, talvez falhada, de esconder alguns dos pormenores da minha vida privada. Agora que penso nisso, acho que raramente os textos foram uma forma de comunicar com vocês, meros leitores. Penso que foram antes uma forma de comunicar com a nome apagado. Provavelmente por isso parei de escrever aqui da forma como escrevia depois de 'bater no fundo' e, também por isso, devo reduzir mais ainda nos próximos tempos.
É tão estranho como as pessoas entram e saem de relações como se não fosse nada com elas. Como relações parvas se forma à minha volta. Como relações duradouras terminam sem que isso tenha efeito nas pessoas. Como relações duram sem razão aparente. Tudo isto me deixa muito pouco crente nas pessoas. Como disse, julgo que em Setembro 'bati no fundo' o que, como a nome apagado me dizia (e eu, de certa forma, concordo), é bom, porque é apartir daí que podemos regenerar. Digo 'de certa forma, concordo' porque julgo estar em fase de recuperação, daí este post, mas que regenero para o mesmo beco sem saída que me levou a 'bater no fundo'. É lixado.

Por enquanto, aprendo a estar sozinho. Esta é a minha regeneração, cada vez me sinto melhor sozinho. Não faço, por isso, intenções de mexer uma palha nos próximos tempos para me aproximar, de nenhuma forma, de quem quer que seja, rapariga, rapaz, travesti, transexual ou shemale. Não que o fizesse com muita frequência, diga-se.

«You should never go to them
Let them come to you»

The Smiths - I Don't Owe You Anything

terça-feira, outubro 23, 2007

Oferenda

Não era para postar este poema, ainda que seja um dos meus preferidos (dos poucos que já li por aquí na internet), mas como a anónima gostou dos outros poemas do Miguel Torga (os dois últimos e o anterior a estes) este vai para ela. O poema, não as palavras.

"Menina que não lês o meu poema,
Mas que tens a pureza que nele canto,
Vê na balança dos meus olhos quanto
Pesa a ternura humana que te dou:
Ponho nas tuas mãos ingénuas de criança
Toda a herança
Que da morte da vida me ficou."

Miguel Torga - Coimbra, 24 de Abril de 1951

Reparem que dos quatro poemas que postei todos foram escritos em Coimbra. Fora de Coimbra ele escrevia coisas mais relativas à natureza, penso eu.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Solidão

«Como nunca vieste, já não venhas.
O mais rico tesouro é o que se nega.
Ágil veleiro doutros mares, navega
Com as asas que tenhas!

Foge de ti, porque de mim fugiste.
Alarga a solidão que me consome.
E apaga na memória a praia triste
Onde eu pergunto às ondas o teu nome.»

Miguel Torga - Coimbra, 6 de Março de 1952.

«Agora que passou a inquietação
E sei que não vens,
Que aliviada solidão eu sinto!
Como um cadáver que se libertou
Das penas de viver,
Tenho nas veias um sossego frio.
É um repouso de pedra
Sem qualquer inscrição perturbadora.
Calma de hibernação
Nos ossos, no instinto e na razão,
E na própria vontade criadora.»

Miguel Torga - Coimbra, 20 de Julho de 1953

quinta-feira, outubro 18, 2007

Like a Summer Thursday

«If only she
could feel my pain
but feeling is a burden
she can't sustain
so like a summer thursday
I cry for rain
to come and turn
the ground to green again

If only she
could her my songs
about the empty difference
between the rights and wrongs
then I know that I
could stand alone
as well as they
now that she's gone»

Townes Van Zandt - Like s Summer Thursday

sábado, outubro 13, 2007

Começar pequeno (2)

«Everybody's going out
And having fun
I'm a fool for staying home
And having none
I can't get over how she set me free,
Oh, lonesome me

There must be some way
That I can lose these lonesome blues
Forget about my past and
Find someone new
I've thought of everything from A to Z
Oh, lonesome me»

Neil Young - Oh, Lonesome me

segunda-feira, outubro 08, 2007

Ponta Seca

«Remendo o coração, como a andorinha
Remenda o ninho onde foi feliz.
Artes que o instinto sabe ou adivinha…
Mas fico a olhar depois a cicatriz.»

Miguel Torga - Coimbra, 5 de Abril de 1952

quinta-feira, outubro 04, 2007

Fui até / Cheguei ao ponto de

«I went as far as losing sleep
I went as far as messing up my life
»

Red House Painters - Japanese to English

Fernando Pessoa

«Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
»

Álvaro de Campos - Tabacaria