sábado, setembro 01, 2007

Férias


«Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.»
Sophia de Mello Breyner - Liberdade


Boa noite, caros leitores

Aqui estou eu de regresso. Continuo o mesmo trombas que vocês já conhecem com apenas uma novidade: mais calmo. É esse o efeito que Santa cruz tem em mim. Vou para lá desde sempre, e a verdade é que nunca tinha notado tantas mudanças como agora. De um ano para o outro fez-se de tudo, tendo levado o meu irmão a comentar, e bem: «Dr. António Costa ponha os olhos nisto». De todas as mudanças gostei principalmente da ciclovia. Todos os dias ia passear para lá, tomando algumas estradas mais pequenas por entre as estufas e as hortas para respirar o ar do campo. Mas dizia eu que ir para lá me acalma, a praia mesmo à frente de casa, o som das ondas, a liberdade de um passeio de bicicleta, um bonito pôr-do-sol todos os dias, a pouca urbanização (que de ano para ano vem sendo maior) e até a solidão, que permite não ter de dar satisfações a ninguém. Mas a verdade é que estou de volta. Mas não estou de volta só à cidade, e tudo o que isso implica, estou de volta às coisas que me deixam triste. Não que estas coisas nao estejam na minha cabeça, estão, mas quase parecem não ser problemas. Ganham uma dimensão diferente enquadradas em toda a beleza natural que Santa Cruz proporciona. Agora que estou de regresso sinto-me mais capaz de enfrentar mais um ano (penso que já referi que para mim os anos começam em Setembro e não em Janeiro) mas a verdade é que não vou deixar de ser o deprimido a que já vos habituei.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Desmembrado

«I would happily lose
Both of my legs
I would lose both of my legs
Oh, if it meant you could be free»
Morrissey - Billy Budd

«I'd give my right arm
To keep you safe from harm»
The Magnetic Fields - I Don't Really Love You Anymore

domingo, agosto 12, 2007

De passagem

Vim de Santa Cruz hoje. Amanhã estou por cá e à noite vou para o Porto e passar lá uns dias. Felizmente, já não tenho de passar o meu dia de anos em Santa Cruz e fazer uma almoçarada (ou sardinhada) e jantarada com a família. O ano passado tive o prazer de estar em Paredes de Coura. Este ano, é o chamado turismo. Já não há paciência para festas. No geral e de aniversário em particular. Já não sou o rapaz que esperava ansiosamente por esse dia. Como diria o Stephen Merritt:

"Growing older is killing a child
Who laughed and smiled
At anything
Growing colder and less and less wild
And learning to sing"

E é para falar disso que aqui estou, não para me queixar. Nestes dias passados em Santa Cruz tenho andado a ouvir muito Leonard Cohen. Cada vez gosto mais dele. Cada vez mais lhe reconheço capacidades únicas na escrita de canções. Suponho que seja difícil para os que não leram, mas sugiro a leitura do artigo que veio no suplemento do público, ípsilon, na 5ª feira, sobre ele (a propósito da reedição dos seus três primeiros álbuns). Por isso, aqui fica um excerto da música que mais tenho ouvido, Bird on a Wire:

"If I, if I have been unkind,
I hope that you can just let it go by.
If I, if I have been untrue
I hope you know it was never to you."

segunda-feira, agosto 06, 2007

Sudoeste - dia 5

Albert Hammond Jr. - muito curto mas bom - 6/10
Razorlight - mauzinho - 3/10
James - repetitivos - 5/10
Gillemots - boa surpresa, bastante interessante - 7/10

Of Montreal - tinha algum medo em relação a este concerto. Por um lado são a minha banda preferida no activo, por outro achava que eles tinham um bocado a mania de se armarem em teatrais e que ficaria mal mas a verdade é que foi... perfeito? A teatralidade estava muito bem conseguida, as músicas foram bem escolhidas (ainda que só dos dois últimos álbuns, o tempo não permitia mais), o kevin tava bastante animado, etc, etc - 9.5/10

The National - o Matt Berninger é o gajo mais cool e fixe de sempre. Tava bêbado, esqueceu-se da letra por duas vezes (e ria-se disso) e a maneira de ele estar em palco é única. A sério, o gajo é completamente doido e tem os neurónios todos estoirados da bebida. Ora vagueia no palco como se tivesse sozinho, ora olha para o público com um sorriso de orelha a orelha. Infelizmente, se continuar assim, não acho que vá ter uma longa carreira - 9.5/10

Cheguei a ter 10 nos dois concertos mas há sempre aquelas pequenas coisas e achei que devia dar 9.5.

Penso que tanto os The National como os Of Montreal devem voltar em breve.

Posto isto, despeço-me até não sei quando, que eu agora vou outra vez embora de Lisboa e devo demorar algum tempo a poder aparecer por estas bandas, talvez 15 dias, não sei.

domingo, agosto 05, 2007

Hoje

today was another day full of dread
but I never said I was afraid
dread and fear should not be confused
by dread I'm inspired, by fear I'm amused

Bonnie 'Prince' Billy - Another Day Full Of Dread

sexta-feira, agosto 03, 2007

Poesia Pop - Part I

You're wakin' next to me
tears splash across the sun
you whisper soft to me
that I ain't the only one
to breathe your yellow hair
caress your bosom fair
Do you think I really care?
Do you think it matters?

What do your feelin's mean?
Do you think I'd love more
if you stood pure and clean
of those you'd known before
Would your words be sweeter then
upon November's wind
if you began again
could your smile be softer?
Would your eyes more brightly shine?
Would your laughter be so tender
if you'd been only mine
for as long as you remember?

I don't want tears from you
don't build your love on shame
all what we've done is through
and all we can do remains
my lady can't you see
I love not jealously
but for all you are to me
and all you'll be tomorrow


Townes Van Zandt - Second Lovers Song

quinta-feira, agosto 02, 2007

terça-feira, julho 31, 2007

Regresso

Regresso com um vídeo. Um vídeo que esteve na sidebar toda a semana mas que, ainda assim, sei que ninguém o viu. É uma música do morrissey cantada por ele na televisão há quase 17 anos. Nunca achei esta música nada de especial até ter visto este vídeo. E isso, foi um dia antes de me ausentar. Assim, fiquei com ela na cabeça e ouvia-a em repeat sempre que podia. Aqui fica a parte final da letra:
Something I have learned
If there is one thing in life I've observed
It's that everybody's got somebody
Ooh no, not me
So I've changed my plea to guilty
And reason and freedom is a waste
It's a lot like love

sábado, julho 21, 2007

Desabafo #2

Post Scriptum: Iniciei o post sem saber o que ia escrever e acabei por me alargar na dissertação, ainda assim, gostava muito que lessem e que tirem prazer disso. Gostava também que toda a gente que ler comentasse. É bastante pessoal, diga-se. É nesse sentido que o blog tem evoluído, penso que seja porque falar sobre nós é sempre mais fácil e cada vez mais me apetece escrever e não dizer só disparates. Se não o quiserem ler, leiam só o último parágrafo mas devo confessar que é dos textos que mais prazer me deu escrever. E dos mais pessoais, também.

De há uns tempos para cá que vivo com medo do futuro. Um aperto no coração, por assim dizer. Já referi anteriormente que não queria que o verão chegasse e, agora que ele chegou, tenho ainda mais a certeza disso. Vivo com medo do futuro, que grande verdade. De um futuro próximo, não do futuro daqui a 5 anos porque com esse tenho eu tempo para me preocupar. Suponho que só tem medo do futuro quem tem planos para este. Quem não tem qualquer objectivos para o seu futuro, nada espera dele, logo não tem medo que os seus objectivos não se concretizem. Sim, acho que é verdade. Mas também, será possível não ter esperança em nada? Acho que não. Pelo menos, não ter esperança em nada por um longo período de tempo. Dizia eu, então, que estou com medo do futuro, nomeadamente do verão. As razões são simples, o verão sempre foi uma altura um pouco solitária para mim e, agravado com o facto de já ter este sentimento de solidão à partida, este verão de 2007 assusta-me. Acho que o que me preocupa mais é o tempo que vou ter para pensar nas coisas que me deprimem. Se em tempo de aulas não tinha tanto tempo e andava de trombas inúmeras vezes, o que esperar agora? Julgo que a conclusão é clara. A palavra trombas não será a melhor para me definir. Deixem-me pensar. Sim, ausente, é isso. Ando ausente. Se o cérebro trabalhar a dois níveis, digamos assim, interajo com as pessoas pelo segundo, sendo que, o primeiro, está a pensar noutras coisas. Em grupos, deixo as pessoas a falar enquanto penso nas minhas coisas. A verdade é que a maior parte das conversas nem me interessam por isso acabo por não perder grande coisa. O Oscar Wilde dizia «It is absurd to divide people into good and bad. People are either charming or tedious.» E eu concordo. Contam-se pelos dedos das mãos as pessoas que considero serem interessantes. Todas as outras até podem ser aceitáveis (é uma palavra bastante feia neste sentido) quando em grupos mas basta passarmos breves minutos sozinhos com elas para rapidamente percebermos que nada temos em comum. A maior parte das vezes, estas são pessoas que vemos quase todos os dias. E isso é triste. Quando somos crianças qualquer outra criança pode ser nossa amiga desde que goste de brincar à apanhada ou às escondidas. Depois, vamos crescendo e tornamo-nos cada vez mais exigentes quanto às pessoas com quem estamos. E, se esse crescimento for acelerado, o choque de nos apercebermos que gostaríamos de ter outras pessoas é maior. Pessoas que tenham mais a ver connosco. No caso de pessoas que já conhecemos há anos não há tanto esse problema, crescemos juntos, há sempre coisas que nos unem. Se não outra coisa, há história. Mas, se depois do tal crescimento, olharmos para as pessoas que conhecemos há pouco tempo, percebemos que não nos interessam tanto como deviam. Felizmente, há sempre excepções para confirmar a regra. Escusado será dizer que sinto que foi isto que me aconteceu: cresci demasiado rápido. E isso trouxe-me alguma infelicidade:

Further into the fog I fall
Well, I was just
Following you!
When you said :

"Do as I do and scrap your fey ways"
(Dial-A-Cliché)
"Grow up, be a man, and close your mealy-mouth!"
(Dial-A-Cliché)
Dial-A-Cliché
Dial-A-Cliché

But the person underneath
Where does he go?
Does he slide by the wayside?
Or ... does he just die?

And you find that you've organised
Your feelings, for people
Who didn't like you then
And do not like you now
But still you say:

"Do as I do and scrap your fey ways"
(Dial-A-Cliché)
"Grow up, be a man, and close your mealy-mouth!"
(Dial-A-Cliché)
"The Safe way is the only way!
There's always time to change, son !"
I've changed
But I'm in pain!
Dial-A-Cliché

Ponho esta música não por me identificar inteiramente com ela mas por levantar alguns aspectos interessantes. Parece-me que a música é sobre alguém que mudou por causa de outra pessoa. Queria ser mais interessante aos olhos dessa pessoa. Naturalmente isso não serviu de nada: «And you find that you've organised / Your feelings, for people / Who didn't like you then / And do not like you now» e por isso: «I've changed / But I'm in pain». Felizmente, não mudei por ninguém. Isso parece-me um grande erro. Mas aquele «inteiramente» deixa-vos a pensar, não é? Acho que a diferença entre mim e o sujeito poético é que não mudei por causa de uma pessoa mas com uma pessoa. Mais uma vez, diria o Morrissey: «such a little thing makes such a big difference». Se não faz sentido mudarmos por uma pessoa, faz todo o sentido mudarmos ao aprendermos com outras pessoas e agradecer-lhes por isso.

Já passa da meia-noite (ainda que apareça datado de sábado) e eu já escrevi muito. Têm tempo de ler, só devo voltar dia 31 deste mês. Por isso, bom início de férias para aqueles que as vão ter e boa continuação de trabalho para os outros.

City Bird

Ontem, ao fim da tarde, apanhei um pardal acabado de nascer que tinha caído do ninho mesmo à porta de minha casa. Passou a noite indoors. Como vou para o Algarve amanhã, e os meus pais não queriam dar conta do recado, tive de tentar a reabilitação. Assim, acordei às 8 da manhã, dei-lhe de comer, e fui pô-lo na árvore de onde ele caiu num cestinho (em forma de ninho) na esperança que sobreviva. Pensei em ficar algum tempo a olhar para lá para ver se algum pássaro lá ia mas, como tenho quase a certeza que não irão, preferi não ficar a olhar e manter a esperança de que tenham lá ido. Será esta uma atitude reprovável? É um bocado. Correcto seria leva-lo comigo para o Algarve (e pensei nisso) mas achei que "não se justifica". E sinto-me mal por isso. Tive apenas algumas horas com ele mas afeiçoei-me ao raio do pássaro.

City bird haven't you heard
hasn't anybody told you?
These city blocks can't hold you
Your place is in the sky how can I show you?

City bird haven't you learned
of the boundlessness of your freedom
The sky is your blue kingdom
You neglect your wings like you don't need them

City bird maybe these hands that feed you need you
Maybe you understand that city bird
of Monteral - City Bird

sexta-feira, julho 20, 2007

Poesia Pop - Leitores do blog. Leitores do blog - Poesia Pop

Para mim, há dois tipos de poesia: a poesia e a poesia pop. Eu sou mais adepto da poesia pop. Poesia usada em músicas pop. Muitas vezes poderá não ter o brilhantismo da poesia feita por poetas, é de mais fácil compreensão e é mais imediata, mas tem um je ne sai quoi. Salvos casos raros não há grandes interpretações a fazer e, muitas vezes, quando as há, é porque quem as escreveu não sabe escrever e não porque, propositadamente, esconde o verdadeiro significado das suas palavras. Das excepções destaco, claro, o Morrissey. Basta ver a forma como ele esconde a sua possivel homosexualidade na música Hand in Glove. Basta ver a forma como consegue, constantemente, servir-se do sarcasmo para fazer rir (ver Sweet and Tender Hooligan). Basta ver a crítica que faz à sociedade inglesa, nomeadamente, à família real (Queen is Dead) ou, por exemplo, ao metodo de educação britânica nas escolas (The Headmaster Ritual) e em casa (Barbarism Begins At Home). Basta ver como consegue que letras incrivelmente pessoais consigam, no entanto, soar verdadeiras a tanta gente. Mas dizia eu, então, que são raras as excepções em que a poesia pop pode ser considerada poesia clássica, por assim dizer. Um dos exemplos é o Morrissey, mas há mais. Stephen Merritt dos Magnetic Fields é, na minha opinião, um deles. Quem escreve versos como I live on the blue planet / that I saw in your eyes / but now I can't stay / knowing it's made / of beautiful lies se não é poeta então não sei o que é. O Leonard Cohen é outro, basta ver a música Avalanche. Se bem que o Leonard Cohen é um caso raro de um poeta (com livros publicados) que se virou para a música. Como último exemplo, temos o Kevin Barnes dos of Montreal que, não sendo tão bom quanto os outros, tem uma característica que o diferencia deles: cria personagens e fala sobre eles (agora, anda com letras mais pessoais também mas pronto). Têm, por exemplo, um álbum chamado Gay Parade (de alegre) em que todas as músicas falam sobre as pessoas que se encontram na dita manifestação. Temos, por exemplo, uma Fun Loving Nun, um Miniature Philosopher ou até um Advice From a Divorced Gentleman to His Bachelor Friend Considering Marriage.

No outro dia tava a falar com um amigo meu que dizia que relegava as letras das músicas para segundo plano, focando-se mais na composição. Eu sou o contrário, procuro na música palavras de consolo e conselhos que possa usar na minha vida.

É a isto que eu chamo Poesia Pop.

quinta-feira, julho 19, 2007

Fumar ou consequência do meu vício no blog Estado Civil

Quem disse que fumar não era cool não fazia a mínima ideia da barbaridade que dizia. Fumar é cool, sim. Apenas, resistir à tentação, é mais ainda.

terça-feira, julho 17, 2007

Nos últimos dias

Redescoberta:

The Go-Betweens - 16 Lovers Lane

Descoberta:

David Bowie - Ziggy Stardust

A ser explorado:

Talking Heads - Remain In Light

segunda-feira, julho 16, 2007

Laurie Anderson @ Culturgest - Grande Auditório

No blog Sound + Vision, o Nuno Galopim, descreve o concerto como tendo sido "assombroso". Não chegarei a tanto. Mas foi sem dúvida um grande concerto. As músicas que iriam ser tocadas e a sua ordem estavam já anunciadas no panfletos que nos eram entregue à entrada. A razão? Legendas. Sendo um concerto de música quase toda ela falada, torna-se necessário perceber todas as palavras do seu discurso. Para o concerto fez-se acompanhar do seu violino eléctrico, estando também encarregue da parte electrónica, e de 3 músicos, teclados, baixo e viola (viola mesmo viola, não é uma guitarra clássica. Para quem não sabe viola é uma espécie de violino mas um bocadinho maior). A primeira música conta-nos a invenção da memória. É isto que Larie Anderson é, uma contadora de histórias. Mas não só. É também muito crítica em relação aos Estados Unidos, nomeadamente, à Guerra no Iraque como em «Callin Em Up». E do quotidiano como em «Lost Art of Conversation» ou «The Underwear Gods». O que têm então as músicas em comum? A crítica. Sempre presente e sempre inteligente. E, quase sempre, com graça, várias foram as vezes que o público reagiu com risos às letras. Principalmente na hilariante «Only An Expert» (can deal with a problem). No final, ovação de pé por 90% do público presente e um sentimento de que se tinha vivido uma experiência única. Ficaram a perder as 3 pessoas que não quiseram vir comigo ao concerto. Bem feito.

domingo, julho 15, 2007

Eleições intercalares

Sinto que cumpri o meu dever ao ir de propósito pôr um voto em branco. Dirão alguns que só tenho de andar meia dúzia de passos para lá ir. É verdade, mas, mesmo assim, fui lá pôr um voto em branco. Muitos não se dariam a esse trabalho.
Espero que tenham ido votar, eu acho que é importante.

sexta-feira, julho 13, 2007

Dance Station @ Coliseu

As pessoas que me conhecem sabem que nunca fui muito virado para música electrónica mas, aqui e ali, há excepções. Ontem, aquilo que me levou ir ao Coliseu foi a curiosidade de ver os Air. Não é a primeira vez, nem será a última, que vou a concertos por curiosidade. A verdade, é que me tenho saído bem e mais uma vez isso aconteceu.
A primeira banda a actuar foram os !!!, banda que já tinha visto em Paredes de Coura o ano passado e tinham feito mais que cumprido as expectativas. Desta vez, excederam e muito. Quem os conhece sabe que eles são bastante competentes ao vivo, em grande parte, pelo vocalista e as suas danças. Mas desta vez, na minha opinião, estavam no seu melhor. A maneira como o concerto foi conduzido é de uma banda já muito experiente nestas andanças, sabem prever os momentos e as músicas que terão melhor aceitação e planear o concerto a partir disso. Por duas vezes o vocalista foi dançar para o meio do público, mais as vezes que se pendurou em cima das grades, tendo uma das vezes ficado a dançar com um espectador, que se pôs deliberadamente à sua frente, durante algum tempo. A música, já se sabe, obrigou toda a gente a dançar durante todo o concerto.
De seguida vieram os Air, talvez a banda mais esperada da noite. Nas primeiras três (?) músicas o concerto estava muito morno. Foi só a partir da música "Remember" do seu primeiro álbum que o concerto começou a aquecer. Desde essa música até à sua primeira saída de palco tiveram uma actuação segura (e curta) , com poucos altos e baixos. Foi só quando voltaram para o encore que se percebeu que tinham guardado os trunfos para estas últimas músicas. Assim, acabaram o concerto em apoteose.
Quanto aos fischerspooner não poderei falar muito visto que vi apenas metade do concerto (já não eram horas para eu andar por ali). Ainda assim, posso dizer que não gosto do estilo deles. Percebo que haja pessoas que gostam do espectáculo que eles dão mas eu, pessoalmente, não. Para ver bandas dos anos 80 teria nascido nos anos 70. Não aconteceu.

Resumindo:

!!! - 9/10
Air - 8/10
Fischerspooner - 3/10

quinta-feira, julho 12, 2007

Livros

Ontem acabei de ler este. Gostei bastante. Principalmente da história e da maneira como esta é contada. O livro tem várias personagens principais, por assim dizer, todas elas um tanto ou quanto estranhas, algumas delas, são mesmo loucos de um hospício. A escrita é que é um pouco pretensiosa, na minha opinião. Não gosto muito de escritores com manias e ele tem algumas. Nada que tire o prazer de ler o livro. Não será um bom livro para um Nelson mas porque não para uma Sara, uma Cláudia ou uma Anónima? Fica a sugestão.

Edit: Tal como prometido aqui está um excerto de um livro, sobre a 2ª guerra mundial, que uma das personagens principais está a ler:

«Tortura


Na primeira vez ou quando é sobre alguém que conhecemos, agarram o nosso punho com força e guiam-nos a mão. Nós temos de o fazer. Ninguém recusa. Agarram-nos o punho e dirigem-nos a mão com força apenas para não tremermos. Para não falharmos. Para torturarmos com exactidão.


Em qualquer sítio e a qualquer momento, podemos ouvir: Tortura. E chamam-te.

Podem designar-te para torturar ou para ser torturado. Não é necessário cometeres uma falha. Podem escolher-te aleatoriamente para sofreres.

Quando te dizem: Tortura, não sabes se te chamam para torturar ou para ser torturado.


Depois de dizerem essa palavra, tens de os seguir. Não há uma terceira alternativa: ansiarás por torturar.

As torturas são executadas no compartimento daquele que escolheram como carrasco. Por isso, quando vês que se dirigem para o teu compartimento não consegues evitar a alegria: cerras os punhos, dás um urro de satisfação.


Só quando entras no teu compartimento é que verás quem vai ser torturado por ti. Pode ser um desconhecido, mas pode também ser um amigo ou alguém que ames. Nessa altura sentirás nojo, não tanto pelo acto de tortura, a que és obrigado, mas pela alegria sentida, momentos atrás, quando percebeste que não irias ser a vítima; uma alegria instintiva que não respondeu a nenhuma ordem e que, por isso mesmo, te enojará durante algum tempo.»

quarta-feira, julho 11, 2007

Enquanto o filme não chega...

O filme estreia já daqui a duas semanas mas, enquanto esse esperado dia não chega, podemos sempre rever os episódios (este pequeno excerto de um especial halloween é dedicado ao Nelson):

segunda-feira, julho 09, 2007

"Everything in my life felt like it was coming to a mysterious close: I could hardly walk to the end of a street without feeling there was no way to go except back. The dates I’d had that summer had come to nothing, my job was a dead end and the rent cheque was killing me a little more each month. It seemed unlikely that anything could hold much longer. The only question left to ask was what would happen after everything familiar collapsed, but for now the summer was stretched between me and that moment."

Este pequeno texto é de uma música falada dos Clientele. A música chama-se Losing Haringey. Gosto muito da descrição de um dia de início de verão que ele faz nesta música. Mais, identifico-me com ela. Não ter sítio nenhum para ir mas sair de casa, ainda assim. E a sensação de "there is no way to go except back" não podia ser mais verdadeira. Assim, hoje fui à faculdade. A desculpa? Ir buscar fotocópias. Quando vinha para casa decidi fazer um mini desvio e vir por dentro do jardim do Campo Grande. Foi lá que vi uma cena que me impressionou bastante. Um pombo deitado, claramente a morrer, lutava teimosamente para que o vento não o derrubasse. Há quanto tempo estaria ali deitado? Há quanto tempo estaria o vento a tentar derrubá-lo? A verdade é que enquanto eu pensava na minha vida, aquele pobre pássaro lutava pela sua. Senti-me identificado com ele, ambos lutamos contra a corrente ainda que, mais tarde ou mais cedo, também nós vamos acabar por desistir de lutar. Ele vai morrer. Eu vou ser infeliz.

domingo, julho 08, 2007


Standing at the punch table swallowing punch
can’t pay attention to the sound of any
onea little more stupid, a little more scared
every minute more unprepared

I made a mistake in my life today
everything I love gets lost in drawers
I want to start over, I want to be winning
way out of sync from the beginning

sexta-feira, julho 06, 2007

Super Bock Super Rock - dia 4

À chegada já tocavam os Linda Martini (os Mundo Cão já tinham tocado). Cedo deu para perceber que, se em álbum não são nada de especial, ao vivo são ainda piores. Muita energia, muita vontade mas pouca qualidade. Nada mais a dizer. Acabado o concerto muitas foram as pessoas que se dirigiram para as barracas de comes e bebes permitindo, assim, um avanço considerável para junto do palco. Iam tocar os Clap Your Hands Say Yeah! Uma banda que com o seu primeiro álbum angariou muitos fãs mas que com a saída do segundo perdeu outros tantos. Talvez por terem a noção que o público queria ouvir as músicas do primeiro álbum e por se tratar de um festival, decidiram basear a sua playlist nesse álbum. Uma opção pouco comum mas, na minha modesta opinião, bem feita. Ironicamente, um dos melhores momentos do concerto foi a música “Satan Said Dance” do novo álbum. No fim do concerto, nova debandada. Não que os Maxïmo Park não chamassem muita gente mas o intervalo entre as duas bandas convidava a um pequeno descanso. O concerto de Maxïmo Park foi, também ele, bastante razoável. Ficou claro que o vocalista, Paul Smith, tem personalidade e muita energia em cima do palco. Assim, confirmou-se o que eu já havia dito anteriormente: desta fornada de bandas britânicas que tem surgido nos últimos 2/3 anos estes são aqueles em que mais deposito esperanças. Tirando os Franz Ferdinand, claro. O concerto, que, ao contrário do dos CYHSY, teve muitas músicas do novo álbum, teve bons e maus momentos. Não conseguiram manter um nível sempre elevado de qualidade. Talvez, com as músicas do novo álbum, não tenham material para isso. Chegado ao fim deste concerto, uma discussão sobre as opções tomadas por estas duas bandas. De um lado, uma banda que joga pelo seguro e toca mais músicas do álbum que as pessoas queriam ouvir. Do outro, uma banda que opta por promover o seu novo álbum arriscando, assim, dar um pior concerto. Quem sou eu para julgar a opção de cada uma das bandas? Quem disse ninguém acertou em cheio e receberá, na sua respectiva casa um cheque-disco da fnac no valor de 10 euros para gastar na secção alternativa/independente. Entraram, de seguida, uma das bandas mais esperadas da noite, os Jesus and Mary Chain, que depois de alguns anos separados juntaram-se de novo para fazer… merda. A linha entre a despreocupação e o ser antipático é muito ténue e, infelizmente, foram mais antipáticos que outra coisa. Chegaram, tocaram e foram-se embora. Não disseram mais que “thank you” e “thanks” e não pareciam especialmente interessados em se o público estava interessado ou não. Desilusão da noite. Assim que o concerto acabou, as pernas imploravam por descanso. Por isso, o concerto de LCD Soundsystem foi visto de mais longe. Numa zona onde havia tempo para as duas pessoas do lado poderem dançar de forma histérica (hihihihihi) e eu, cocó como sou, a mexer-me um pouco (que, como quem me conhece sabe, não é fácil). Foi incrível olhar para a frente e não uma única pessoa parada. Toda a gente se mexia. Como diriam os Kings of Convenience “the music's too loud and the noise from the crowd increases the chance of misinterpretation so let your hips do the talking. I'll make you laugh by acting like the guy who sings and you'll make me smile by really getting into the swing”. Uma atrás de outra, todas as músicas tinham o mesmo efeito no público. Até que, já em encore, acabam o concerto com a “New York, I love you but you’re bringing me down”, uma das melhores músicas deste ano. E que forma de acabar o concerto. Para alguns foi uma forma muito anti-climática de acabar o concerto. Mas não poderá esta música obter tanto ou mais clímax que, por exemplo, a “Daft punk is playing at my house”? Se dúvidas havia a resposta é sim, pode. Sem dúvida, o melhor concerto da noite.

Resumindo:

Linda Martini – 2/10
Clap Your Hands Say Yeah – 8/10
Maxïmo Park – 7/10
Jesus and Mary Chain – 4/10
LCD Soundsystem - 9/10

sábado, junho 30, 2007

Lua

Tenho um grande fascínio pela Lua. Neste momento, ela está como eu gosto, cheia. Como um prato, diria o Jeff Buckley. Gosto de reparar nas várias zonas da Lua. Não é como o sol, que é todo igual. Neste momento toca nos prédios a 500 metros de minha casa, gosto muito quando a Lua está assim, rente ao horizonte. Parece que não quer nada com ninguém, não quer que ninguém repare nela e, por isso, vai subindo devagarinho no céu. Já o sol, desde que aparece, exige atenção. Exige que se repare nele. Exige que as pessoas acordem para o contemplar. A Lua manda as pessoas para a cama. Tal como o sol, ilumina a Terra, mas fá-lo com mais beleza e de forma muito discreta. Dá sem pedir nada em troca. É bonito isso. Para além disso, tem fases, tanto pode estar cheia como não estar lá, não é sempre igual. É por isto que me identifico muito com a Lua. Tímida, não quer incomodar ninguém. Sem exigir muita atenção, gosta que reparem nela, mas não desespera quando quase ninguém o faz. Em constante mudança de humor, tanto se sente feliz como se esconde para estar sozinha. Por fim, não depende de si para estar preenchida.

Fiquem agora com uma música dos Magnetic Fields sobre o Sol e a Lua:
They say there's a sun in the sky
but me, I can't imagine why
There might have been one
before you were gone
but now all I see is the night, so

I don't believe in the sun

How could it shine down on everyone
and never shine on me

How could there be such cruelty.

The only sun I ever knew
was the beautiful one that was you
Since you went away it's nighttime all day
and it's usually raining too

The only stars there really are
were shining in your eyes
There is no sun except the one
that never shone on other guys
The moon to whom the poets croon
has given up and died
Astronomy will have to be revised

sexta-feira, junho 29, 2007

Insónias

Ontem só consegui adormecer às 4 da manhã. Não me lembro da última vez que fiquei na cama até tão tarde. Pera, afinal lembro-me. Continuando, fiquei até às 4 da manhã sem conseguir dormir. Atribui as culpas ao exame que tive hoje de manhã, já me tinha acontecido. O mais estranho é que eu, durante as horas que estive acordado, não pensei uma única vez no exame. É normal não conseguir dormir por razões em que não se está a pensar? Deve ser o maricas do meu subconsciente que estava nervoso (o uso da palavra maricas foi propositado para a ritah poder gozar). O raio do livro que estou a ler também não ajudou, é muito bom e pôs-me a pensar. E, naturalmente, quando não conseguia dormir, vi o programa da tvi da madrugada.

quarta-feira, junho 27, 2007

As minhas homosexualidades

Por estar a ser acusado, por certas e determinadas pessoas, decidi fazer um top (atenção que a quem se sente ofendido por estereótipos):

5 - tenho um pedaço da camisa que o Morrissey envergava no concerto de Paredes de Coura do ano passado;
4 - ando com a mania de andar;
3 - o fumo dos cigarros faz-me dor de cabeça;
2 - gosto de cruzar a perna "à gaja";
1 - baixo sempre a tampa da sanita depois de a usar;

Desculpas esfarrapadas:

5 - ele manda uma ou duas camisas todos os concertos é uma imagem de marca...
4 - não é para fazer compras, é só andar para espairecer as ideias...
3 - é só às vezes...
2 - não é assim tão raro...
1 - não tenho desculpa neste ponto.

Comentário aos comentadores

Para todos aqueles que me acusam de estar deprimido, tomem lá disto:

What he said :
"How come someone hasn't noticed
That I'm dead
And decided to bury me?
God knows, I'm ready!"

What he said was sad
But then, all the rejection he's had
To pretend to be happy
Could only be idiocy
adaptado de The Smiths - What She Said

domingo, junho 24, 2007

Para combater a depressão - parte 1

Esta música é absolutamente genial, a quantidade de rimas que ele faz, sem que por isso a música perca qualidade, é impressionante. O video é de alguém com imaginação e muito jeito para estas coisas, uma animação muito bem feita. A sério, vejam.

sábado, junho 23, 2007

Desabafo

Chegou o Verão. E pela primeira vez na minha vida não quero que ele chegue. Ao contrário das outras pessoas o meu ano não acaba a 31 de Dezembro, acaba em Julho e começa em setembro. É nessa altura que faço o balanço do ano que passou. Talvez por fazer anos em Agosto. Talvez por ser a altura de férias. Talvez por ser uma altura mais solitária, logo, própria para pensar. Não sei. Porque não quero então que o Verão chegue? Por várias razões que não interessa aqui anunciar mas que podem ser resumidas na seguinte frase: porque o último ano foi uma merda em termos pessoais. Tão simples como isso. A verdade é que quando acabar os exames e tiver (ainda mais) tempo para pensar nisto ainda deverá ser pior. Mas, como dizia no outro dia a uma leitora do blog, Setembro é tempo para balanços e esses já não receio. Gostava de poder saltar para Setembro directamente mas com as experiências dos meses que saltei. Esse é o meu sonho neste momento.

sexta-feira, junho 22, 2007

The Smiths - What Difference Does it Make?

Não querendo ser repetitivo aqui fica outro vídeo e outro pedaço de canção. Agora são os meus queridos The Smiths, já que hoje é um daqueles dias em que as letras do Morrissey fazem imenso sentido. É uma actuação num programa de televisão (que acho que não era muito popular, ou antes, era popular mas no mau sentido, acho eu) em que estavam a fazer playback, ou seja, podem ouvir melhor a música. Escolhi este vídeo pela música mas não só, acabei de reparar que os óculos que o Morrissey tem neste vídeo são iguais, iguais, iguais, aos meus. Além disso, tem as típicas flores no bolso de trás. A música é das minhas preferidas deles, é em músicas como esta que se percebe que a banda não era só o Morrissey e o Johnny Marr, toda a banda está no seu melhor. Vejam, oiçam e deliciem-se com a melhor banda de sempre.

All men have secrets and here is mine
So let it be known
We have been through hell and high tide
I can surely rely on you ...
And yet you start to recoil
Heavy words are so lightly thrown
But still I'd leap in front of a flying bullet for you

quinta-feira, junho 21, 2007

Johnny Cash - Hurt

A versão original é dos NIN mas esta versão, cantada pelo Johnny Cash (foi aliás o último vídeo que ele fez antes de morrer), mete essa versão original a um canto. Às vezes custa a ouvir, outras sabe bem ouvir. Qualquer que seja o caso deixa-me sempre com uma lágrima no canto do olho. Para terem uma noção a letra da música começa assim:


I hurt myself today
to see if I still feel
I focus on the pain
the only thing that's real

domingo, junho 17, 2007

Top 10

Estava eu a ouvir a música "I Don't To Get Over You" dos Magnetic Fields e a pensar que adoraria ter escrito aquela música, não conheço nenhuma outra que expresse esse sentimento tão verdadeio. E foi por isso que me lembrei fazer o top 10 das músicas que eu mais gostava de ter escrito, ou porque representam aquilo que sinto e/ou porque são, simplesmente, pura poesia. De referir que o top foi feito um pouco à pressa mas, pronto, aqui vai:

1- The Smiths - Unloveable

I know I'm unloveable
You don't have to tell me
Oh, message received
Loud and clear
2- Morrissey - Seasick, Yet Still Docked


I wish I had the charm
To attract the one I love
But you see
I've got no charm

3- Jeff Buckley - Last Goodbye


This is our last goodbye
I hate to feel the love between us die.
But it's over
Just hear this and then I'll go:
You gave me more to live for,
More than you'll ever know.
4- The Magnetic Fields - I Don't Want to Get Over You


I don't want to get over you.
I guess I could take a sleeping pill and sleep at will
and not have to go through what I go through.
I guess I should take Prozac, right,
and just smile all night at somebody new,
somebody not too bright but sweet and kind
who would try to get you off my mind.
I could leave this agony behind
which is just what I'd do if I wanted to,
but I don't want to get over you

5- The Smiths - There Is A Light That Never Goes Out

Take me out tonight
Where there's music and there's people
Who are young and alive
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one
Anymore
6- Joy Division - Isolation

Mother, I tried please believe me,
I'm doing the best that I can.
I'm ashamed of the things I've been put through,
I'm ashamed of the person I am.

7- The Beach Boys - God Only Knows

I may not always love you
But long as there are stars above you
You never need to doubt it
Ill make you so sure about it

8- The Beatles - Yesterday

Yesterday, all my troubles seemed so far away
Now it looks as though they're here to stay
Oh, I believe in yesterday

9- Morrissey - Trouble Loves Me


Trouble loves me
Walks beside me
To chide me
Not to guide me
It's still much more
Than you'll do

10- Leonard Cohen - Avalanche

I have begun to long for you,
I who have no greed;
I have begun to ask for you,
I who have no need.
You say you've gone away from me,
but I can feel you when you breathe.

sexta-feira, junho 15, 2007

O meu dia

I'm lucky I can open the door and I can walk down the street
Unlucky I've got no place to go and so I follow my feet

Ando viciado em andar a pé. Não acho que seja muito normal mas é a verdade. Talvez seja pelas minhas tendências depressivas desde há uns tempos a esta parte, não sei. Vou para a faculdade a pé em vez de apanhar o metro e demoro o dobro do tempo. Dou voltas desnecessárias para não chegar ao meu destino tão rapidamente. Saio uma ou duas paragens do metro antes ou depois da minha para poder andar um bocado. E por aí fora. Porque é que me lembrei de dizer isto hoje? Porque hoje andei mais do que o costume. Comecei por ir de minha casa (entre o arreiro e as olaias) até à faculdade (Campo Grande) a pé. Nada de especial. Almocei para lá com um amigo meu e como ele ia apanhar o autocarro ao marquês e eu, supostamente, ia para casa, decidimos ir andando a pé até ele decidir entrar no metro ou até que os nossos caminhos se separassem. E lá fomos nós na amena cavaqueira, campo grande, entre campos, campo pequeno, saldanha e, finalmente, marquês. Uma boa conversa mas estava na altura de ir estudar, «mas para quê ir para casa? Vou experimentar ir estudar para um cafézinho a ver o que dá». Lembrei-me de um muito agradável em que estive há uma semana e meia atrás, nos restauradores. Apanhei o metro até à baixa-chiado, passei pela fnac e lá fui eu para o cafézinho. Pedi um bolo e um café (pensei em pedir meia de leite e um brioche mas esse era o conjunto número 2) e sentei-me a estudar durante uma hora. Fartei-me. Não me apetecia ir já para casa por isso decidi ficar mais um pouco a ler o livro do Paul Auster que estou a ler. E soube bastante bem, o livro é muito bom. Levantei-me e pensei: «para quê apanhar o metro no rossio? Já agora vou outra vez à fnac ver se chove por lá», e assim foi. Fiz uma pausa numa loja de ténis no rossio (ando à procura de uns ténis há imenso tempo mas não encontro em lado nenhum). À entrada da fnac, aqueles rapazes com os seus malabarismos a pedirem moedas, «nem que seja um cêntimo». Disse que não tinha. Em resposta recebi um merecido olhar de «Pois sim». Fiz uma nota mental para quando voltasse a passar por lá entregar uma moeda e dizer «Afinal tinha aqui esta esquecida» com um sorriso. (In)felizmente, à saida, estavam já a arrumar as tralhas e eu não disse nada (nota mental: da próxima vez que lá passar vou-lhes dar uma moeda). Fui apanhar o metro ao Rossio, andar nunca fez mal a ninguém. Como sempre, esqueci-me que apanhar o metro no Rossio tem o inconveniente de o metro já vir cheio das pessoas que entraram no chiado. Resultado: sardinha em lata. Do Rossio até Arroios não saiu ninguém pela porta onde eu estava, só entraram. Resultado: muitas sardinhas em lata. Decidi que aquilo era demasiado incomodativo, sai em Arroios. Mais uma vez, lá fui eu a andar até casa.
E pronto, foi este o meu dia.
Ps: Peço desculpa pela minha escrita pretensiosa mas, convenhamos, já é imagem de marca.

terça-feira, junho 12, 2007

Santos - Piada

Irmão: Então, vão (pai e mãe) para alfama?
Pai: Vamos para farra!



O meu pai tem um sentido de humor espectacular, amanhã posto uma que o meu pai disse há uns dias.

segunda-feira, junho 11, 2007

The Shins - Oh, Inverted World

Já me tinha esquecido de quanto este album é bom. Muito, muito bom, mesmo.

domingo, junho 10, 2007

Paredes de Coura 2007

Organização de paredes, para não dizerem que eu não sou amigo aqui estão umas sugestões:


Dinosaur Jr.


Radiohead


The Shins

quarta-feira, junho 06, 2007

Repeat vezes repeat igual a repeat ao quadrado

THE SMITHS - UNLOVEABLE
Oh ...
I know I'm unloveable
You don't have to tell me
I don't have much in my life
But take it - it's yours
I don't have much in my life
But take it - it's yours
Oh ...

I know I'm unloveable
You don't have to tell me
Oh, message received
Loud and clear
Loud and clear

I don't have much in my life
But take it - it's yours

I know I'm unloveable
You don't have to tell me
For message received
Loud and clear
Loud and clear
Message received

I don't have much in my life
But take it - it's yours

I wear Black on the outside
'Cause Black is how I feel on the inside
I wear Black on the outside
'Cause Black is how I feel on the inside

And if I seem a little strange
Well, that's because I am
If I seem a little strange
That's because I am

But I know that you would like me
If only you could see me
If only you could meet me
Oh ...

I don't have much in my life
But take it - it's yours
I don't have much in my life
But take it - it's yours
Mmm ...
Oh ...

domingo, junho 03, 2007

Andrew Bird @ Cinema S. Jorge e Low @ Santiago Alquimista

Dois Concertos. Um no dia 31 de Maio (5ª feira) e outro no dia 2 Junho (Sábado). Um pela segunda vez outro pela primeira mas ambos em locais novos para mim. Aqui ficam uns pequenos comentários:
Andrew Bird

Quando o vi pela primeira vez no Lux em 2005 mal o conhecia e, por isso, as expectativas eram baixas. Acabou por ser um dos melhores concertos a que já assisti até hoje. Desta vez, o meu conhecimento dele era muito maior e, consequentemente, as expectativas também. Não tendo sido um mau concerto, longe disso aliás, ficou bastante aquém das expectativas. O lugar era mau, a sala era enorme, a intimidade foi pouca, os assobios (dele) ainda menos. Mas claro, quando a qualidade do músico é muita nunca um concerto pode ser mau. Já gora, mais uma vez, lembrei-me do Jeff Buckley em dois ou três momentos, têm vozes parecidas, ao vivo.


Low

Não conhecia praticamente nada deles, tinha ouvido duas vezes um álbum e uma vez outro (sendo que eles têm 10) mas a verdade é que foi um dos melhores concertos a que já assiti (concorre talvez com o Rufus Wainwright na Aula Magna, Andrew Bird no Lux e Bonnie 'Prince' Billy no Maxime). O Santiago Alquimista é uma grande sala e o meu lugar era ainda melhor, sentado na primeira fila (a única que estava sentada) numa pequena elevação em madeira a dois metros do palco. Como disse um rapaz no Forum Sons: "a 1a hora de concerto, então, foi talvez a experiência mais intensa (emocionalmente) a que já assisti num concerto..." e eu não posso deixar de concordar. E também concordo com o que foi dito no disco digital: "Poucas palavras foram ditas e também tal não foi necessário. O que se viveu ontem à noite no Santiago Alquimista foi quase uma experiência religiosa entre público e banda, a qual já era há muito esperada, e ainda assim não era de esperar que atingisse níveis tão elevados de contentamento. Memorável. " Assim vale a pena.

quarta-feira, maio 30, 2007

Jeff Buckley (17.11.1966 - 29.05.1997)

A única desculpa é que ainda estou a escrever no dia 29 de noite.
Jeff Buckley é um dos meu músicos favoritos e foi também (para o bem ou para o mal) muito importante na construção do meu gosto musical. É uma pena que ele tenha morrido tão cedo e não tenha tido oportunidade de lançar o seu segundo álbum que, pelo “rascunho” que chegou até nós, iria ser bastante bom. O mais interessante no Jeff Buckley é que é capaz de agradar a pessoas com vários tipos de gostos musicais (foi por isso que ofereci há pouco tempo o Grace a um amigo meu com gostos duvidosos). Para além disso, aliava à sua belíssima voz uma enorme capacidade em termos de composição, que está bem evidente no Grace. Um contraste entre uma simplicidade na maneira de ser e uma grande ambição em termos musicais, fizeram dele uma pessoa única.
Lembro-me que, há um ano e meio quando fui ver o Andrew Bird actuar sozinho no Lux, em alguns momentos lembrei-me dele e pensei como seria vê-lo ao vivo. Dificilmente terei essa mesma sensação na quinta-feira quando o for ver outra vez, já conheço bem demais o Andrew Bird para o comparar com quem quer que seja. Lembro-me também, que o meu irmão teve essa mesma sensação em um ou dois momentos do concerto. Isto para dizer que o Jeff Buckley me marcou muito e que não penso que alguma vez vou deixar de gostar de o ouvir.
O Grace continua a ser o álbum que faz mais sentido ouvir em noites solitárias. E podem vir mais 10 que isso não mudará.

terça-feira, maio 29, 2007

Há dias assim

domingo, maio 27, 2007

Novo regresso ao blog, desta vez: pombos!

Para que certas e determinadas pessoas esqueçam o post anterior, e as pretensiosidades (isto nem deve existir) nele incluídas, decidi alimentar o mito de que eu tenho um fetiche por pombos (não sei porquê mas tenho esta mania de ajudar a que os mitos sobre mim se propaguem. Há uns tempos alguém lembrou-se de dizer que eu era viciado em supositórios e eu achei aquilo genial, (in)felizmente já ninguém se lembra disso). Adiante. Como todos vocês sabem eu tenho um fetiche por pombos (lá estou eu…) e é por isso que muitas das vezes em que ando na rua vou a observá-los. O problema é que volta e meia sou deparado com coisas que preferia não ver. A mais recente foi na sexta feira quando estava a chegar à minha rua e, como sempre, a olhar para uma zona em que os pombos se reúnem. Até aqui tudo bem, o pior é que, mesmo no momento em que estava a olhar para um pombo, ele teve vontade de, digamos, ir à casa de banho. Como tal e compreensivelmente não quis fazer as suas necessidades à frente dos da sua espécie por isso virou-se de frente para eles, de costas para mim, e cagou. Se não quiserem ler pormenores e salvar o pouco respeito que ainda nutrem por mim é melhor pararem de ler agora. Todos nós já vimos caca de pombo mas quantos de nós poderão dizer que já viram o ânus de um pombo. Pois é, eu, infelizmente, posso. O pombo, mais uma vez compreensivelmente, não quis sujar as suas penas e por isso o ânus quase que veio cá fora largar os detritos. Como se isto tudo não fosse suficiente, o pombo parecia estar com uma ligeira diarreia, o que fez com que aquela visão tenha sido ainda mais assustadora.

Gostava ainda de aconselhar um excelente psicólogo para todos os que leram este post o seu nome é Nelson Paiva e o número dele é o 219285194.

segunda-feira, maio 21, 2007

O regresso do pretensiosismo ao blog

O Indie-Rock está na moda. Suponho que isto não seja novidade para ninguém, basta ver o cartaz do Super Bock Super Rock para perceber isso mesmo. Correndo o risco de parecer presunçoso, tenho de admitir que não gosto desta moda. Mais pretensioso ainda, não gosto de modas no geral. Como tal, não gosto de ver bandas que eu gosto bastante serem ouvidas por tanta gente. Suponho que sinto a necessidade de me sentir diferente. Gosto que aquilo que eu oiço seja pessoal, gosto de pensar que a maior parte das pessoas não conhece as músicas que constituem a banda sonora da minha vida, gosto de pensar que sou das poucas pessoas que se identifica com determinada música, gosto de sentir que não sou igual a todas as outras pessoas, que há alguma coisa em mim que me torna diferente e que isso se expressa na música que oiço. Penso que todos somos assim, toda a gente sente a necessidade de vincar a sua personalidade e, ao mesmo tempo, sentir que não está só. Ser diferente não o sendo. E a música é um excelente exemplo disso mesmo. Obviamente não vou deixar de gostar de uma banda de que gostava por ela se tornar mais conhecida, nem vou dizer que não gosto de uma banda só por ela ser conhecida mas, como já disse, gosto de pensar que aquela música específica que me define só se aplica a mim e a mais meia dúzia, e que encontrando uma pessoa dessas meia dúzia tudo faz sentido. Mais uma vez, penso que somos todos assim, mas não sei se esse sentimento não estará um pouco mais ligado a mim por não ser, como o meu professor de Cambridge dizia em relação a ele próprio, “a people person”. Ou talvez seja exactamente o contrário, sou cada vez menos uma people person por me sentir cada vez mais diferente das outras pessoas e menos interessado nelas (ver frase da semana). Deve ser por isso que tenho tendência para bandas com letras muito pessoais, para quem as escreveu e para quem as ouve. A ironia disto tudo é que, o que eu oiço, é ouvido por milhões de pessoas que sentem o mesmo que eu.

Hoje estou numa de filosofar, cagem (palavra muito usada em filosofia) no que eu disse. Como diria o meu colega do blog Minimalismo Exacerbado: "todos somos vítimas da exerbação do ego".

quinta-feira, maio 17, 2007

Sérgio Godinho @ Teatro Maria Matos

Um concerto em família em que os papeis se inverteram, os filhos levaram os pais. Porquê? Porque os filhos gostam muito do álbum do ano passado do Sérgio Godinho, Ligação Directa. Uma boa forma de definir o público presente no concerto, todas as idades, todas as gerações para ver um dos melhores músicos portugueses da actualidade. Tenho de admitir que antes de conhecer este álbum o nome Sérgio Godinho não me empolgava muito mas fui conquistado por um dos melhores álbuns portugueses do ano passado. No concerto, não faltou nenhuma das músicas do novo álbum que eu queria ouvir (que eram todas). Não faltaram também alguns dos clássicos, para contentamento de algumas senhoras mais velhas que dançavam histericamente nas suas cadeiras à minha frente. E não foi só para as velhas, havia uma rapariga com uns 10 anos a cantar um dos clássicos dele, impressionante. O som da sala era bastante bom, já que o teatro teve obras há pouco tempo, e assim se fez justiça às canções e ao “gajo dos clã” que me impressionou bastante, belo músico. Eram 8 no total mas quase sempre apenas um deles recebia toda a atenção pela sua bela presença em palco.

Ainda têm oportunidade de o ir ver hoje, amanhã, sábado ou domingo. São só 15 euros que valem bem a pena se, como eu, gostaram do novo álbum dele ou se já são fãs há mais tempo. Eu próprio não me importava de ir outra vez, podia ser que não apanhasse com velhas dançantes à minha frente (não estavam bem à minha frente, pronto) que não me distraíssem tanto.

domingo, maio 13, 2007

A aparição de 13 de Maio

Hoje é dia 13 de Maio, dia da aparição de Nossa Senhora em Fátima. Mas a aparição de que eu vos venho falar é outra. Também ela em Fátima, também ela neste dia, também uma pessoa capaz de mover multidões, estou, obviamente, a falar do emplastro. Apareceu hoje na televisão atrás de um jornalista que entrevistava uma crente (na nossa senhora, não no emplastro). E eu pensei para comigo: Será esta aparição menos importante que a aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos? Nossa Senhora aparece com grande frequência em torradas e panquecas na América do Sul mas, e o emplastro? Pessoalmente, já não o via há muito tempo e já estava a ficar preocupado com o que lhe poderia ter acontecido. O mesmo não se sucede com Nossa Senhora, nunca a vi, nunca a verei e não fico preocupado com o que lhe terá acontecido quando ela deixa de fazer aparições durante muito tempo. Alguns poderão dizer que o emplastro não tem o mesmo impacto nas vidas das pessoas mas eu já vi o brilho nos olhos das pessoas que conseguem um lamiré do emplastro atrás de um jornalista. Este dia vai ser recordado por mim como o dia em que vi o emplastro pela nonagésima segunda vez e ninguém poderá mudar isso.

terça-feira, maio 08, 2007

If you have five seconds to spare then I'll tell you the story of my life

Of Montreal - Eros' Entropic Tundra


All I ever get is sad love
while watching all my friends find their happy love
I don't understand why I should be without love


All I ever get is sad love
always falling for the ones who feel nothing for me
Sometimes I think I should just forget about love


I was walking with my parents
through St. Peter's park
When I saw a young couple with a child
They were all holding hands and smiling
They seemed very nice, seemed to have a nice life


All I ever get is sad love
feeling incomplete and below being loved
I don't know why it has been so hard to find love


All I ever get is sad love
the unrequited kind is all I have procured
And it was nothing at all
like what I've heard about love


Without love life has no great reward
leaving us damaged or feeling so bored
Devoid of memories nothing to record
Wishing the ones that we adore loved us more


Isto é uma música do caraças à qual só dei a devida atenção há pouco tempo.

sábado, maio 05, 2007

Frase da semana

Vou iniciar uma secção na sidebar para frases. Sabem aquela frase daquela música que não vos larga e é repetida na vossa cabeça vezes e vezes sem conta? Pois bem, é para essas frases. Ainda que o nome seja "Frase da semana" talvez mude com mais frequência que apenas uma vez por semana, logo se vê.

A primeira frase é dos Joy division. Hoje o meu irmão estava a ouvir o álbum "Closer" na aparelhagem e fiquei com aquela sensação de "porque é que eu não oiço mais vezes isto?", sabem? Conheço o álbum "Closer" relativamente bem, ainda que, não conheça as letras tão bem quanto elas merecem. Vou apanhando umas frases. E uma delas, e "Frase da semana", é esta:
"This is a crisis I knew had to come, destroying the balance I'd kept." - Ian Curtis em Passover - Joy Division

Porque sim

Sempre gostei muito desta música. É muito curta mas é uma das melhores músicas do Morrissey a solo. Hoje ia a ouvir o Viva Hate, o álbum do Morrissey em que está esta música, e quando chegou a esta lembrei-me que tem uma letra do caraças e que é belíssima.
Morrissey - Angel, Angel, Down We Go Together
Angel, Angel
Don't take your life tonight
I know they take
And that they take in turn
And they give you nothing real
For yourself in return

But when they've used you
And they've broken you
And they've wasted all your money
And cast your shell aside

And when they've bought you
And they've sold you
And they've billed you for the pleasure
And they've made your parents cry
I will be here
OH, BELIEVE ME
I will be here
...believe me

Angel, don't take your life
Some people have got no pride
They do not understand
The Urgency of life
But I love you more than life
I love you more than life
I love you more than life
I love you more than life

sexta-feira, maio 04, 2007

Camané @ Teatro Municipal S. Luiz

Um concerto que custa 5 euros já valeu, à partida, a pena assistir. E esse foi o grande incentivo, tudo o que é grátis ou muito barato os portugueses querem e eu não sou excepção. Sendo esse concerto num teatro como o Teatro Municipal S. Luiz (já fui ver e foi inaugurado em 1894) mais a pena vale. As expectativas não eram muitas, havia sim alguma curiosidade em ver como seria o concerto. Primeiro por ser o Camané e em segundo por ser curioso que um músico que toda a vida cantou em português faça um espectáculo em que a maior parte das músicas eram em Inglês, ainda para mais num género que não é o seu (pois, cantar fado em inglês é que seria estranho). A verdade é que o resultado não é o que se pretendia. Supostamente, o espectáculo deveria ser bonito. Não o foi. Em grande parte pela pronuncia do Camané, que nem sempre era a melhor e que, por vezes, causava algum riso (pelo menos em duas pessoas no 2º balcão, fila B). Mas também houve coisas boas. Não se notou, por exemplo, que o facto de estar a cantar numa língua que não era a dele o incomodasse, o que é de louvar. E, claro, houve músicas interessantes.

Coisinhas:
Havia um gajo atrás de mim que estava constantemente a bater o pé. Ora, temos ali 50 músicos profissionais mas, ainda assim, o raio do homem acha que pode acrescentar qualquer coisa ao concerto com o seu bater de pé. Gostava de saber o que é que o senhor estava a pensar naquele momento "Ora, agora entro aqui. Uau, que entrada brilhante. Pera, deixa-me parar que isto agora fica melhor sem batuques. Sou mesmo bom." Patético.
Sendo o Camané um fadista, não pode deixar de cantar um fadito, até cantou o mesmo duas vezes, ao qual se seguiu, de ambas as vezes, um potente "AH FADISTA!" do sr. Zé (ouvi uma senhora comentar).

segunda-feira, abril 30, 2007

Finalmente

Estava eu a passear no blog do markl e finalmente descobri um video que ando a procurar no You Tube há meses. É, nada mais nem menos que, o Ricardo Araújo Pereira dos Gato Fedorento a fazer um stand-up comedy no Homem Que Mordeu o Cão TV. Eu vi isto no programa e, infelizmente, nunca mais consegui ver outra vez. E isto foi há uns dois anos ou mais. Não vou poder ver antes da meia-noite que este mês já passei os consumos mas podem querer que à meia-noite exacta vou ver. Porra, mal posso esperar. Eu achei imensa piada a este personagem, caramba. Tomem lá:

domingo, abril 29, 2007

Sem nada para dizer


Não tenho nada para dizer mas quero dizer alguma coisa por isso decidi falar sobre a uma das minhas pancas actuais: quero arranjar uma bicicleta para poder andar pela cidade. Há uns meses que ando a pensar nisso, é possível que não seja tão seguro como andar a pé ou de metro mas parece-me que é muito mais interessante. Se/Quando comprar uma aviso-vos para que possam ter mais cuidado nas estradas. Se não comprar, podem ir contra todos os ciclistas que virem à frente que eu não me importo.

Já agora recordo a música dos Comme Restus sobre os ciclistas que, ainda que sejam insultos desprovidos de sentido, tem a sua piada:

Aí vêem eles a pedalar
Não há nada que os faça parar
Pedalam sempre até ficarem brancos
Com os colhões atrofiados nos bancos

Morte aos ciclistas
Morte aos homenzinhos
que andam de bicicleta

Aí vêem eles a pedalar
A trinta à hora onde irão parar
Um ou outro que felizmente caiu
E os outros vão pá puta que os pariu

Morte aos ciclistas
Morte aos homenzinhos
que andam de bicicleta

sexta-feira, abril 27, 2007

Vamos lá ver se ainda me lembro como isto se faz

É só para dizer que estou vivo e de boa saúde.

sábado, abril 21, 2007

Banda sonora para hoje


Destaque para as músicas Avalanche, Last Year's Man e Famous Blue Raincoat.

Edit: A voz dele na música Diamonds in the Mine é uma coisa impressionante.

sexta-feira, abril 20, 2007

Piada do dia



O Fernando Santos diz que não sai.

Enquanto procurava a imagem para por aqui vi, no site do Record, soube que o Simão se lesionou. Mas o mais interessante não é a lesão, é o local da lesão: "o capitão tem uma tendinite na pata de ganso da perna esquerda". Muito bom.

terça-feira, abril 17, 2007

Deprimente

Hoje, a máquina do café, deu-me 90 cêntimos de troco em vez dos 70 cêntimos a que eu tinha direito. Este foi o momento alto do meu dia.

segunda-feira, abril 16, 2007

Of Montreal no Conan O'brien

O video tarda a aparecer no YouTube mas isso não me impede de o postar. Aqui fica a actuação mais estranha de sempre aqui.

quinta-feira, abril 12, 2007

The Smiths - Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me

Last night I dreamt
That somebody loved me
No hope, no harm
Just another false alarm

Last night I felt
Real arms around me
No hope, no harm
Just another false alarm

So, tell me how long
Before the last one?
And tell me how long
Before the right one?

The story is old - I Know
But it goes on
The story is old - I Know
But it goes on

Oh, goes on
And on
Oh, goes on
And on

segunda-feira, abril 09, 2007

Bonnie 'Prince' Billy - I See a Darkness



Aqui fica a música que eu tanto gosto. Letra belíssima. Neste vídeo dá para ver que ele fica fixo num ponto quando está a cantar.

domingo, abril 08, 2007

Bonnie 'Prince' Billy @ Maxime

O concerto foi na quinta-feira mas, entretanto, não tive em Lisboa. Ainda assim, achei que valia a pena comentar, principalmente, por ter sido um concerto fenomenal.

Quando entrei conhecia vagamente 2 álbuns, "I See a Darkness" e "Master and Everyone", e tinha ouvido uma vez o seu novo álbum, The Letting Go. E foi este último que serviu de base ao concerto, aproveitando o facto de a rapariga da banda que abriu para ele, Faun Fables (que ouvi pela primeira vez e não desgostei), cantar com ele em (quase) todas as músicas do álbum. Dizia eu, que ao entrar conhecia vagamente apenas dois álbuns, infelizmente, tocou apenas 2 músicas de um deles, I See a Darkness, e nenhuma do outro. Mas não foi preciso conhecer as músicas. Aliás, às vezes, é melhor não as conhecer, torna a experiência do concerto muito mais genuína.

Logo na primeira música passou cerca de 20 segundos a olhar para mim. Pode não parecer muito mas acreditem que foi muito estranho. Achei aquilo muito estranho mas, ao longo do concerto, fui percebendo que ele tinha esta mania de olhar fixamente para certos sítios enquanto cantava, eu era um deles. E não pensem que foi ilusão de óptica, o meu irmão confirmou que ele estava a olhar para mim no final. A música "I See a Darkness" foi, para mim, o momento alto da noite. Conheço a música de trás para a frente, ainda assim, ouvi-la ao vivo é totalmente diferente. Outro grande momento foi uma coisa que ainda nunca tinha visto ninguém fazer: ele gravou um sample de guitarra que pôs a tocar ciclicamente e depois, elevou a voz, e andou de um lado para o outro do palco a fazer um monólogo cantado sem microfone. Dito assim pode não parecer nada de especial mas, ao vivo, foi um grande momento.

Valeu cada cêntimo dos 12 euros que paguei e cada segundo do House que perdi. Um dos melhores concertos que já vi.

quarta-feira, abril 04, 2007

White Stripes no Alive

Agora é que me lixaram. Talvez um dia no SBSR e outro no Alive, não sei. Mas é que há pelo menos dois dias do Super Bock a que eu não queria mesmo faltar, o dia 3 pelos Arcade Fire e 4 pelos Maxïmo Park, Clap Your Hands Say Yeah e LCD Soundsystem, e vamos lá ver se não acrescentam uma boa banda aos Interpol porque se não também passava a ser essencial. É verdade que estão separados por quase 1 mês mas, mesmo assim, é capaz de ser demais, a ver vamos.

terça-feira, abril 03, 2007

Globos de Ouro 2007

É com grande emoção que vos escrevo. E não é para menos visto que vos venho falar da "maior gala televisiva em Portugal".

A minha opinião sobre esta gala pode ser expressa em apenas uma palava: patética. Como de certo vocês sabem a gala é organizada pela SIC e pela Caras tendo também, este ano, uma mãozinha marota do intermarché e ecomarché. A gala poderia ser uma coisa interessante e bem feita não fosse um pequenino pormenor: não é parcial. Mas também, quem é que é perfeito? Ninguém, perfeitamente compreensível. Galas de entrega de prémios imparciais? Pfff, que estupidez. E o prémio carreira? Hmmm, deixa cá ver, porque não o homem que neste momento está com baixas audiências e que até anda a precisar de uma mãozinha? Óptimo.

Uma coisa sempre interessante nestas galas é a reacção das pessoas quando percebem que não receberam o prémio. Gostaria de destacar duas. Uma, foi a cara de desprezo do Pedro Gonçalves dos Dead Combo, que estavam nomeados para melhor banda, quando foi anunciada a vitória dos The Gift. Com reacção contrária, temos o grande Cláudio Ramos que, ao ver que não tinha ganho o prémio para melhor vilão, se levanta efusivamente a bater palmas. Bonito.

Pior que o facto de os Globos de Ouro não terem categoria nenhuma é o facto de as pessoas não terem noção disso. Exemplo disso foi a Tertúlia Cor-de-rosa de hoje (segunda-feira, 2 de Abril) em que o Cláudio Ramos criticou a forma como as pessoas estavam vestidas e uma das suas companheiras comentadoras roça o ridículo ao comparar esta gala com a gala dos Óscares. Amanhã (terça-feira, 3 de Abril) há mais.

É impressa minha ou alguma coisa está mal neste país?

domingo, abril 01, 2007

Dia 1 de Abril

Hoje é dia 1 de Abril, dia das mentiras. Lembrei-me de aqui escrever, não porque me tenha lembrado disso, mas porque acabei de ser gozado com uma, digamos, pequenina mentira. Acabaram de me dizer que os Of Montreal vinham ao SBSR e eu, parvo como sou, caí. Ia saltando da cadeira quando ouvi e só ao comentar com outra pessoa é que percebi que hoje era dia das mentiras.
Quem não pregou nenhuma mentira nem foi alvo de nenhuma tem a minha admiração. Um dia, quando for grande, gostava de ser como vocês. Infelizmente, tenho a certeza que para o ano vou cair outra vez. Merda.

quinta-feira, março 29, 2007

A vida dos outros

Estava eu aqui a ver o blog Minimalismo Exacerbado (um grande blog, diga-se), que está a comemorar 2 anos, e apeteceu-me falar um pouco sobre o passado, o presente e o futuro aqui do estaminé.

Há um ano e meio quando criei este blog tinha grandes planos para ele. Inicialmente, a ideia era falar sobre certos aspectos da sociedade, coisas do nosso dia-a-dia e coisas sobre as quais ouvimos falar na comunicação social. Seria a minha visão de tudo isto, daí o nome do blog (que, para quem não sabe, é uma música dos Pluto). Mas, é claro, as coisas nunca são como queremos. Para começar, a minha falta de jeito para a escrita é difícil de esconder e isso não me permite, muitas vezes, falar sobre os temas como era desejável. Com ironia. Com sarcasmo. De forma crítica. E, principalmente, com piada. (Sim, o facto de os meus posts não terem piada é só devido à minha falta de jeito para a escrita.) E, por essa razão, cheguei a acabar com o blog. Não estava a ser o que eu queria que ele fosse. Mais tarde, senti a falta de escrever. O que é deveras estranho, já que nunca fui muito dado a estas coisas.

Hoje em dia sinto que o blog está infinitamente melhor do que era quando comecei. Ainda assim, isso não me chega. O blog tornou-se um local de convívio, basicamente. As pessoas divertem-se a fazer uns comentários aqui, uns comentários ali e pronto. Para além disso, uma das coisas que mais me “preocupa” é a falta de identidade do blog que, neste momento, é uma confusão de coisas que me vão passando pela cabeça.

Quanto ao futuro, algumas promessas:

1- mais posts sobre o dia-a-dia;

2- posts a gozar com celebridades, qualquer dia faço um post sobre o Cláudio Ramos;

3- usar a palavra panóplia mais vezes;

4- ser menos parvo. Um dia até, quem sabe, deixar de ser parvo na totalidade. Mas isso já não prometo;

5- deixar de fazer posts desinteressantes como este;

6- uma panóplia de novas piadas;

Por enquanto são estas. Não necessariamente por esta ordem.

terça-feira, março 27, 2007

Cinema


Hoje fui ao cinema ver este filme de "terror". Mas, e que isto fique bem claro, só fui por ser à pala.

Um dos piores filmes que já vi em toda a minha vida? Sim. Ri-me imenso com cenas que eram, supostamente, "assustadoras"? Podem querer que sim, eu e toda a gente. Fiquei com vontade de vomitar o jantar? Não, mas só porque eu não sou uma pessoa do tipo vomitadora.

Pessoas a quem eu não conselho o filme: Todas as pessoas que tenham o mínimo de bom gosto.
Pessoas a quem eu aconselho o filme: Ninguém.
Pessoas a quem eu prefiro não dar conselhos pois arriscavam-se a gostar do filme: Pessoas com muito, muito, mas mesmo muito, mau gosto.

Ainda estou a tentar perceber se quem fez o filme fez uma comédia propositadamente ou não. Eu acho que não, mas gostava de estar errado. A sério, gostava mesmo.

segunda-feira, março 26, 2007

Em repeat: Jeff Buckley - Forget Her

Há aquelas músicas de que eu gosto, há aquelas que adoro, há aquelas que acho geniais, há ainda aquelas que até me custa acreditar que alguém tenha feito mas depois, ainda mais acima, há aquelas que me fazem ficar sem palavras, esta é uma delas:

Of Montreal + Conan O'Brien = 12 de Abril

Acabou de chegar a informação de que os Of Montreal vão estar no Conan O'brien no dia 12 de Abril à mesa de trabalho do "A vida dos outros". Gostava de poder por o vídeo da passagem dos Clap Your Hands Say Yeah por lá, visto ter sido uma actuação que me marcou bastante já que me serviu de apresentação aos senhores. Infelizmente, não está no YouYube, por isso ficam antes com o single de apresentação do fantástico novo álbum dos Of Montreal, Heimdalsgate Like A Promethean Curse, e que é, portanto, a grande música candidata a ser tocada no Conan. É também umas das minhas músicas preferidas do novo álbum. Além disso, hoje fui com o novo álbum no discman por isso calha bem.

terça-feira, março 20, 2007

Super Bock Super Rock

Há festivais maus, há festivais bons e depois há o Super Bock Super Rock deste ano. Se não reparem: Arcade Fire, Interpol, Maxïmo Park, Bloc Party, LCD Soundsystem, Klaxons e agora Clap Your Hands Say Yeah. É também virem os Of Montreal e/ou os Radiohead e/ou os Strokes e arrisca-se a ser o maior festival de que há memória. Na minha, pelo menos.

terça-feira, março 13, 2007

Pombos


Os leitores mais antigos e atentos deste blog lembrar-se-ão, certamente, de um post sobre uma notícia do jornal do metro há uns meses a esta parte. Dizia a notícia que os pombos lisboetas iriam começar a tomar a pílula coisa que, naturalmente, eu achei que tinha muita piada. Se não se lembravam do post lembrar-se-ão, sem dúvida, da foto. Alguns de vocês estarão já a pensar que me caiu merda de pombo em cima, mas não, estranhamente, hoje venho vos falar novamente sobre reprodução dos pombos lisboetas. Não quero que pensei que tenho um fetiche com estes animais, simplesmente, eles tendem a por se a jeito para serem matéria-prima de posts a vida dos outrianos (estranhamente, também, esta palavra não existe).

Não sei se já repararam mas os pombos lisboetas parecem não possuir uma época reprodutora definida. Não, felizmente, nunca vi dois pombos a reproduzirem-se. Digo isto (apenas) porque estão constantemente em rituais de acasalamento. Não sou nenhum especialista em pombos, é um facto, mas creio que quando um pombo anda atrás de outro, outra, aliás, ou assim espero, a fazer movimentos com a cabeça de cima para baixo enquanto inclina o corpo para a frente e para trás não está propriamente com comichão nas costas. O que ele quer, meus amigos, é festa.
Esta é a dura realidade.

quinta-feira, março 08, 2007

Duas épocas, duas bandas, quatro álbuns

Em Agosto de 2005 ouvi dois álbuns que me marcaram bastante, foram eles, "Funeral" dos Arcade Fire e "Andrew Bird & the Mysterious Production of Eggs" do Andrew Bird. Lembro-me de ter sido informado que os Arcade Fire iam dar um concerto em Paredes de Coura uns dias depois. Fiquei com muita pena de não os ter ido ver, principalmente, quando soube que tinha sido um grande concerto. Felizmente, logo no princípio de Setembro pude ir ver o Andrew Bird ao Lux tendo sido, também este, um grande concerto. Porque é que eu estou a falar disto agora? Porque ambos lançaram, no início deste ano, um álbum, respectivamente, "Neon Bible" e "Armchair Apocrypha". Infelizmente, sendo dois bons álbuns (acho que ainda vou aumentar a nota que dei a ambos à medida que o tempo for passando), são claramente inferiores aos anteriores.

Na Primavera de 2007 vêem ambos dar um concerto a Portugal e, tal como no Verão de 2005, talvez só vá ver o Andrew Bird.

terça-feira, março 06, 2007

Post dear chicletiano

Hoje caiu-me uma gota de água daquelas grandes e grossas no olho. E, para quem não sabe, uso uns óculos que são a dar para o grandinho.

sexta-feira, março 02, 2007

Morrissey - Life is a Pigsty

It's the same old S.O.S.
But with brand new broken fortunes
And once again I turn to you
Once again I do I turn to you
It's the same old S.O.S.
But with brand new broken fortunes
I'm the same underneath
But this you, you surely knew
Life is a pigsty
Life is a pigsty
Life is a pigsty
Life is a pigsty
Life, life is a pigsty
Life, life is a pigsty
Life, life is a pigsty
Life is a pigsty
And if you don't know this
Then what do you know?
Every second of my life I only live for you
And you can shoot me
And you can throw me off a train
I still maintain
I still maintain
Life, life is a pigsty
Life is a pigsty
And I'd been shifting gears all along my life
But I'm still the same underneath
This you surely knew
I can't reach you
I can't reach you
I can't reach you anymore
Can you please stop time?
Can you stop the pain?
I feel too cold
And now I feel too warm again
Can you stop this pain?
Can you stop this pain?
Even now in the final hour of my life
I'm falling in love again
Again
Even now in the final hour of my life
I'm falling in love again
Again
Again
Again
I'm falling in love again
Again
Again
Again